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Londres 2012: Confira entrevista exclusiva com a maior pontuadora do vôlei brasileiro

Érika Coimbra fala da difícil derrota para a Rússia nos Jogos de Atenas, mas também olha para o futuro 22/05/2012 às 09:38
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Érika Coimbra é a maior pontuadora da Superliga de vôlei do Brasil
Adan Garantizado Manaus

Érika Coimbra é a maior pontuadora da Superliga, principal competição do vôlei brasileiro. São nada menos do que 3.381 bolas no chão da quadra adversária. Mesmo assim, a seleção brasileira parece ser um assunto “dolorido” para a ponta de 32 anos, que foi considerada por muito tempo como a “musa” da equipe canarinho. Desde a derrota sofrida para a Rússia, na semifinal Olímpica em Atenas 2004 (o Brasil chegou a ter seis chances de fechar o jogo, mas permitiu a virada das europeias), Érika se afastou da equipe.

Em conversa com o CRAQUE, às margens da Lagoa Rodrigo de Freitas, Rio de Janeiro, a jogadora se mostrou disposta a recuperar seu espaço. Mas não deixou de revelar o trauma que a derrota na Grécia ainda lhe causa.

“Atenas me deixou um pouco abalada e contribuiu para que eu pedisse para deixar a seleção em 2005. Eu achei que era um momento bom pra minha vida. Precisava ter uma vida ‘normal’, viver um grande amor. Aí eu parei, casei (risos). Fiz tudo o que não encontrava tempo pra fazer antes. Deu certo, foi uma boa escolha”, analisa a jogadora de 1,80 e 66 kg. Ela também evitou críticas diretas a qualquer jogadora pelo tropeço em Atenas.

“Ah, não tem explicação. Ali tem muita coisa envolvida. Não era o dia da seleção. Tudo contou um pouco. Falta de sorte, não merecimento. Não adianta tentar explicar porque todo mundo perdeu. Foi uma derrota coletiva”, afirma Érika. A mineira ainda integrou o grupo que ficou com a prata nos Jogos Pan-Americanos de 2007. Após duas temporadas no longínquo Azerbaijão, a ponteira retornou ao Brasil para se curar de uma lesão. E deseja não se aventurar mais no exterior.

“Sofri uma lesão em uma artéria perto da tíbia, fiz uma cirurgia e como não tinha estrutura pra me tratar lá, voltei para o Brasil e meu contrato encerrou. Estou esperando as negociações pra que apareça uma boa equipe daqui interessada em mim”, conta. Érika treina o condicionamento físico diariamente nas areias da praia de Ipanema, sob a supervisão da ex-jogadora Isabel Barroso. “A perna ficou dois meses sem fazer nada. E o impacto na areia ajuda bastante nesse processo de readaptação”, explicou. E mesmo com o “fantasma de Atenas” ainda vivo, Érika não descarta a volta à seleção.

“Estamos bem servidas. O Zé Roberto montou um grupo bom. Meu interesse é voltar a jogar bem aqui no Brasil. Se a seleção vier, será consequência do trabalho”.

Érika Coimbra -  Jogadora de vôlei

1  Como você vê as chances do vôlei brasileiro nos Jogos Olímpicos de Londres?
Temos chances totais. Com certeza temos as melhores Seleções, tanto na masculina quanto na feminina. Não vejo ninguém no mundo mais forte do que a gente. Itália e Estados Unidos cresceram mas ainda não chegaram a nosso nível coletivo. Tenho fé e acredito nas duas medalhas de ouro.

2  Você já foi treinada por Bernardinho e Zé Roberto. Quais as semelhanças e diferenças entre os dois?
Aparentemente o Zé Roberto parece ser tranquilo. Mas ele é tão estressado quanto o Bernardo. O Bernardinho é mais teatral, faz aquelas caras e bocas. As pessoas acham até que ele é louco por gritar tanto (risos). Mas, fora de quadra ele é um paizão. O Zé também é assim. Os dois tem qualidades e defeitos como qualquer pessoa.