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Londres 2012: Conheça a história de superação do para-atleta Clodoaldo Silva

A alegria, desenvoltura e a facilidade em se comunicar já fizeram o nadador escolher uma nova profissão: o jornalismo 03/06/2012 às 18:41
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O potiguar, Clodoaldo Silva, não tem pescoço onde caiba tantas medalhas conquistadas nas Paraolimpíadas
Adan Garantizado Manaus

Superação e persistência são palavras que Clodoaldo Silva precisou traduzir literalmente durante cada dia de vida de seus 33 anos de idade. Por conta da falta de oxigenação no cérebro durante o parto, ele contraiu a paralisia que afetou o movimento de suas pernas. Isso não impediu o potiguar de lutar, vencer e graças à natação, acabar com o rótulo de “coitado” que é carregado por pessoas portadoras de deficiência.

Considerado o maior ídolo do paradesporto, Clodoaldo é o brasileiro com o maior número de medalhas olímpicas de ouro (entre atletas e para-atletas): são seis conquistas douradas que, somadas às pratas e bronzes, chegam a impressionante marca de 13 medalhas em Olimpíadas. O feito lhe rendeu o apelido de “Tubarão Paraolímpico”.

Prestes a participar de sua quarta Paraolimpíada, o nadador concedeu entrevista exclusiva ao CRAQUE por telefone nesta semana. Simpático, Clodoaldo garante que se aposenta após a competição em Londres.

“Essa decisão está tomada há um certo tempo. Desde que competi em Atenas, fiz um plano de carreira e minha meta era competir até 2012. Já ganhei tudo o que tinha que ganhar nas piscinas. Sinto que posso ser muito mais útil fora delas agora”, afirma Clodoaldo.

Em sua “despedida”, o nadador disputará as provas de 50, 100 e 200 metros livres, 50 m borboleta, além dos 100 metros peito.

“Espero aumentar minha coleção de medalhas. Minha meta, na verdade é melhorar todas as minhas marcas. Se fizer isto, independente de conquistar ou não a medalha, vou ficar feliz da vida”, contou.

Ele aproveitou para brincar sobre a aposentadoria. “Já me disseram que vou ter que pendurar a sunga, mas, acho isso meio obsceno (risos). Prefiro pendurar os óculos, a touca (risos)”, destaca, com bom humor o campeão para-olímpico..

Nadador quer ser jornalista
A alegria e a facilidade em se comunicar já fizeram Clodoaldo escolher uma nova profissão. Quando parar ele quer cursar Jornalismo.

“Vou ser seu companheiro de profissão hein!? (risos). Acredito que entre 2012 e 2016 teremos uma oportunidade única dos para-atletas divulgarem seu trabalho. Gostaria também de seguir essa tendência de ex-atletas de virar comentarista esportivo, principalmente em sua área de atuação. Quase não vemos para-atletas fazendo isso. Posso abrir novas portas para o paradesporto”, lembra o nadador, que também deseja cuidar de um instituto que leva o seu nome, em Natal-RN.

Clodoaldo Silva  -  Nadador paraolímpico

1 A que podemos atribuir os bons resultados paraolímpicos brasileiros, visto que a estrutura no País ainda é pequena?
Antigamente não tínhamos estrutura nenhuma. Mas hoje já temos algo razoável. O que falta é as empresas privadas abraçarem o esporte. Quanto aos resultados, acredito que o brasileiro é um herói e nasceu para batalhar. Nossos resultados vem muito da força de vontade.

2  Quais as principais dificuldades que você enfrentou no esporte e na vida?
Foram muitas. E encarei todos como desafios. Quando era criança eu só me locomovia me arrastando. Passei por quatro cirurgias e comecei a nadar por fisioterapia. Ia para os treinos pegando carona no ônibus, às vezes com fome. Mas tinha certeza que tanto sacrifício não seria em vão. Não queria ser tratado como coitado e sim, mostrar do que era capaz.

3  Já passou por Manaus em suas andanças?
Sim, estive aí no começo do ano para um evento de um banco privado. Nunca nadei aí, mas quero um dia passear e conhecer tudo. Manaus e sua floresta estão no meu roteiro turístico, quando eu me aposentar (risos).

A história de um campeão
Clodoaldo começou sua trajetória olímpica na Austrália, em Sidney, no ano 2000, quando conquistou três medalhas de prata e uma bronze. Mas, foi em Atenas, 2004, na Grécia, que ele ganhou o título de “Tubarão”.

Foram seis medalhas de ouro e uma de prata conquistadas.

Ele ainda quebrou quatro recordes mundiais e cinco marcas paraolímpicas.

“Quando voltei ao Brasil fui tratado como ídolo nacional. Fiquei até surpreso. Nunca pensei que fosse chegar a esse nível. Lembro que uma vez um garoto ‘normal’ chegou comigo e falou: ‘quando crescer, quero ser que nem você’. Eu fiquei até sem ação. Ter essa idolatria de alguém que não tem deficiência é muito gratificante. Parece que estou em um sonho que ainda não acordei”, relata o paratleta com muita emoção.

Em 2005, Clodoaldo foi indicado ao prêmio Laureus (o oscar do esporte). Ele também foi eleito o melhor atleta paraolímpico do planeta neste mesmo ano.

Clodoaldo Silva também ficou com o troféu “Hors Concours” do COB, a maior honraria do Prêmio Brasil Olímpico.

Em Pequim, Clodoaldo foi reclassificado de categoria (passou da S4 para a S5, onde o grau de deficiência dos competidores é menor). Assim, ele conquistou apenas uma medalha de bronze, no revezamento 4x50.