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Londres 2012: Daniele Hypólito conversa com a equipe do CRAQUE

Prestes a participar de sua quarta Olimpíada, a atleta tenta usar sua experiência para fazer com que a ginástica brasileira finalmente conquiste uma medalha na terra da rainha 19/04/2012 às 07:39
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Daniele Hypólito andava “escondida”, mas acabou sendo decisiva para a classificação do Brasil para Londres
Adan Garantizado anaus

Em 4 de novembro de 2001, Daniele Hypólito, uma atleta desconhecida do grande público, que havia disputado os Jogos Olímpicos de Sidney (um ano antes), conquistava a medalha de prata no solo durante o mundial de ginástica artística de Ghent, na Bélgica. Dali em diante, termos como cavalo, trave esolo, ganharam outros sentidos no vocabulário popular. A modalidade ganhou força, se popularizou e obteve conquistas de nível continental e mundial. A expectativa por conquistas olímpicas nos Jogos de 2004 (Atenas) e Pequim (2008) foi grande. Mas as medalhas não vieram.

Prestes a participar de sua quarta Olimpíada, Dani tenta usar sua experiência para fazer com que a ginástica brasileira finalmente conquiste uma medalha em Londres. A ginasta de 27 anos recebeu a equipe do CRAQUE, no ginásio do C.R. Flamengo, no Rio de Janeiro. Ela tem noção da pressão que deve encarar em Londres.

“Sei da minha responsabilidade. Mas procuro manter a frieza. O trabalho de anos na ginástica pode ser comprometido por um simples erro em grandes competições”, frisou a atleta de 1,46m e 46 kg.

A confiança de Daniele também é grande. Ainda mais após ser a responsável direta por classificar a equipe feminina para os Jogos de Londres. Após decepções em 2011 como o 14º lugar no mundial do Japão e a 5ª colocação no Pan de Guadalajara, vários problemas na equipe foram expostos. O principal deles seria um “racha” no grupo, protagonizado pela própria Daniele e por Daiane dos Santos. A gaúcha defendia a volta da seleção permanente sobre o comando do ucraniano Oleg Ostapenko, enquanto Dani preferia continuar sendo treinada por brasileiros. Outras brigas internas e insatisfações também foram veiculadas à época. Por conta de tudo isso, a equipe chegou desacreditada ao pré-olímpico em Londres, realizado em janeiro. O time verde-amarelo (formado por Adrian Gomes, Daiane dos Santos, Bruna Leal, Ethiene Franco, Jade Barbosa e pela própria Daniele) ia mal das pernas, e após Jade Barbosa cair duas vezes na trave, a equipe caiu para a quinta colocação na classificação geral, o que acabava com o sonho de ir a Londres (o pré-olímpico oferecia quatro vagas). Daniele então subiu no aparelho e fez uma exibição perfeita, o que garantiu a quarta colocação ao Brasil e a vaga nos Jogos Olímpicos.

Sem falsa modéstia, a ginasta reconhece seu feito. “Tenho na minha cabeça que fui a responsável por levar uma equipe inteira para as Olimpíadas. As pessoas às vezes esquecem de mim. Sempre estive na Seleção e deixei de ser coadjuvante para virar protagonista. Essa vaga pode mudar a história de meninas, que talvez, não conseguiriam ir à Londres sozinhas”, declara. Dani também tem noção de sua importância na história da modalidade no Brasil. “Meu nome está escrito na história da ginástica do Brasil. No museu do futebol, em São Paulo, tem uma foto minha e da Daiane. Ser lembrada em um museu do esporte mais importante do Brasil é algo que jamais vou esquecer. Fico emocionada. Não é qualquer atleta que consegue isso”.

Perfil
Daniele Matias Hypólito

Idade: 27 anos

Naturalidade: Santo André, São Paulo

Altura: 1,46 m

Peso: 46 kg

Títulos: Campeã Brasileira no individual geral, medalha de prata no mundial 2001 no solo, ouro no salto sobre o cavalo e solo na etapa da Copa do Mundo em Portugal (2010), prata no Pan-Americano por equipes (Rio 2007).