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Londres 2012: Entrevista com a atleta Luiza Tavares de Almeida

A única representante da América Latina no Adestramento, falou com exclusividade ao CRAQUE 29/05/2012 às 08:59
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Luiza Tavares de Almeida, única representante da América Latina no Adestramento
Nathália Silveira Manaus

A única representante das Américas Central e do Sul na disputa por medalha individual nos Jogos Olímpicos de Londres 2012, é linda, jovem e brasileira. Luiza Tavares de Almeida é a atleta de maior expressão do Adestramento (modalidade hípica olímpica) e desde muito cedo foi criada para ter uma trajetória <br/>vitoriosa.

“Tudo começou com o meu avô materno, que criava cavalos mangalarga. Foi ele quem influenciou minha mãe a praticar a modalidade salto. Acabei sendo influenciada por ela. Depois disso meu pai se apaixonou por cavalos e começou a criar o puro sangue lusitano, a raça dos meus dois cavalos. Minha família inteira esta ligada com o animal, tive muita sorte de todos amarem meu esporte e com isso sempre tive o muito apoio”, conta a bela em entrevista exclusiva ao CRAQUE, que além de Amazona, é  estudante de Direito na PUC, modelo e  3º sargento da Cavalaria do Exército Brasileiro (Ufa!).

Para a competição na capital britânica, a atleta terá que se dividir entre seus dois amores: seus cavalos. Vai de Samba, que tem desde início de sua carreira, ou Pastor, que montou ao integrar o time brasileiro de Adestramento no Pan de Guadalajara, no México, que lhe rendeu vaga em Londres?
Com o coração apertado, Luiza diz que em breve a situação terá um desfecho.  Na Alemanha, ela fará seu pré-olímpico e no final da fase, irá escolher  o cavalo que obtiver o melhor resultado. “Claro que de coração escolheria o Sambinha, meu fiel e grande companheiro, que esta comigo desde que eu comecei no Adestramento”, <br/>confessa.

Luiza, você se considera uma menina prodígio devido aos 20 anos de idade ter tantas conquistas?
Na verdade me considero muito iluminada por ter descoberto a minha grande paixão tão cedo, com muito apoio da minha família, dedicação e esforço os resultados apareceram. Acredito que com muita organização você consegue fazer tudo que quiser, e saber priorizar cada coisa em sua hora certa.

Como encara a ida a sua segunda Olimpíada, e qual a diferença desta para a primeira?
Estou muito mais experiente e madura, porém cada prova é uma prova. Nas Olimpíadas o aprendizado é enorme e ter a chance de conviver com os melhores atletas, não só do Adestramento, mas de todos os outros esportes é simplesmente <br/>maravilhoso.

Ser a única representante da modalidade Adestramento da América Latina na disputa por medalha individual nas Olimpíadas de Londres, é uma responsabilidade a mais para você?
Com certeza responsabilidade, pois só me proporciona mais determinação e vontade de dar o meu melhor para representar bem não só o Brasil, como toda a América <br/>Latina.

Você já decidiu qual cavalo deve levar para as Olimpíadas? Tem preferência por algum (Samba ou Pastor) no Adestramento?
Esse é um grande dilema. Tenho até o dia 30 de Junho para fazer essa difícil decisão, porém quem irá fazê-la serão os próprios animais. Estou indo para a Alemanha (Luiza embarcou ontem) fazer meu pré-olímpico que abrange treinamento e participação em algumas competições. No final dessa fase o cavalo que obtiver o melhor resultado será o escolhido. Claro que de coração escolheria o Sambinha, meu fiel e grande companheiro, que esta comigo desde que eu comecei no Adestramento. Porem, o Pastor, tem mais porte físico e mais potencial para a prova do que o Samba, pois foi criado para o esporte. Agora tenho que treinar e focar, e as notas das provas irão dizer qual conjunto vai para Londres.

Como está sua preparação para as Olimpíadas? Faz algum outro esporte para dar suporte ao hipismo?
Intensos, e vão ficar ainda mais quando chegarmos à Alemanha. Nos últimos meses me dividi entre a faculdade de Direito no período da manhã e treinos à tarde de terça a domingo. Também faço boxe três vezes por semana. O boxe é um hobby que me da muita força na perna e coluna, e também equilíbrio e agilidade, que me ajudam bastante no<br/> Adestramento.

Luiza, quem são suas principais adversárias nas Olimpíadas? O ouro é possível, ou pra você qual a melhor colocação que o Brasil pode esperar em relação ao Adestramento?
A minha principal adversária sempre serei eu mesma, a única pessoa que eu quero superar todos os dias, e quem sabe um dia chegar ao lugar mais alto do pódio em uma Olimpíada. Hoje, ainda é um sonho. O Adestramento é um esporte muito novo no Brasil, e por isso chance de medalhas em Londres não existe. Precisamos ser realistas.  Meu grande objetivo em Londres é chegar às semifinais, onde 25 de 50 atletas passam para essa fase, porém, se eu ficar entre os 30 melhores já será uma grande vitória. Com os investimentos feitos no Adestramento pelo Comitê Olímpico Brasileiro (COB) em parceria com a Confederação Brasileira de Hipismo (CBH) esse quadro tende a mudar e podemos acreditar que nas Olimpíadas de 2016 o Brasil vai estar em melhor posição. O projeto de todos - criadores, atletas, dirigentes - e fazer do Brasil uma grande potência nesse esporte. Mas não basta querer, é preciso trabalhar para isto, e é o que temos feito.

O que você considera mais difícil de realizar no Adestramento?
A palavra chave no Adestramento é harmonia. A relação entre o cavalo e cavaleiro é o que faz a grande diferença dentro de uma competição, é quando os dois parecem um só e ninguém consegue perceber os comandos do cavaleiro para o animal, é como se o cavalo estivesse fazendo aquilo tudo sozinho, como mágica!

Você teve que abrir mão de muitas coisas em prol da sua carreira? Arrepende-se de algo?
Não me arrependo de nada, pelo contrário, faria tudo de novo. Cresci e aprendi muito com minhas escolhas, sendo elas certas ou erradas. Tenho traçado e alcançado meus objetivos com muito esforço e dedicação, mas em minha opinião para participar de uma Olimpíada vale tudo pra mim.

Em 2016 ainda vamos poder ter você competindo com uma Olimpíada em casa? E acha que até lá o Brasil terá condições de levar mais competidores para o Adestramento?

Estou me preparando para estar na equipe brasileira nos jogos de 2016. E não tenho dúvidas que vamos ter muito mais competidores em condições de disputar uma vaga olímpica. Uma nova geração de amazonas e cavaleiros vem surgindo, apoiados, por exemplo, por iniciativas como o Projeto Adestramento - Jovens Talentos, da Confederação Brasileira de Hipismo, que vem promovendo clínicas com ícones internacionais e provas de alto nível para atletas entre 14 e 21 anos de idade com avaliação de juízes de nível olímpico.

Você é uma bela moça. Sendo assim, no mundo dos esportes a beleza te ajudou ou te deixou constrangida em alguma situação?

Não ajudou nem piorou, acho beleza irrelevante no esporte.

Perfil

Nome: Luiza Tavares de Almeida

Idade:  20 anos (7/09/91)

Naturalidade:  São Paulo

Altura:  1,80

Peso:  56Kg

Modalidade:   Adestramento

Títulos   Bronze no Pan-americano (2007), bicampeã brasileira senior Top (2009 e 2010). Ouro individual e prata por equipe nos 5º Jogos Mundiais Militares.

Metas Ficar entre os 30 melhores nas Olimpíadas.