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Londres 2012: Entrevista exclusiva com Lara e Nayara do nado sincronizado

A dupla que se prepara para sua segunda olimpíada conversou com o CRAQUE e falou sobra a meta para os jogos na terra da rainha 23/05/2012 às 10:17
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As belas Lara Teixeira e Nayara Figueira representarão o Brasil em Londres
Nathália Silveira Manaus

Elas conquistaram bronze nos Jogos Pan-americanos de Guadalajara em 2011 e conseguiram a melhor classificação da história do nado sincronizado brasileiro num pré-olímpico, ao se classificarem para as Olimpíadas de Londres, quando anotaram 175.630 pontos e ficaram em nono lugar,  frente a França. Essas são Lara Teixeira e Nayara Figueira, o dueto mais famoso da modalidade no País.

A fama não veio à toa, além de títulos importantes como o ouro no Sul-americano absoluto deste ano, a dupla esbanja simpatia, bom humor e é uma das promessas para se destacar nos jogos de Londres. 

As meninas começaram a amizade nas seleções de base, em 2001 e seis anos depois formaram um dueto para defender o Brasil. Em 2008 elas estavam em Pequim. Na época, o dueto ficou a uma posição da final, ao terminar os jogos: em 13º lugar.

Quatro anos mais tarde e faltando 65 dias para os Jogos Olímpicos, Lara Teixeira conversa com o CRAQUE e diz que a meta, dessa vez, é chegar ao top 10. Se conseguirem, vão superar as gêmeas Isabela e Carolina de Moraes - primeira dupla a ir para uma Olimpíada. Uma foi em Sydney 2000 e a outra em  Atenas 2004, onde ficaram em 11º lugar.

Como anda o treino de vocês para as Olimpíadas, em relação à carga horária?
A preparação para a Olimpíada é intensa. A gente faz três vezes na semana musculação, aeróbica e pilates e passamos três horas, diariamente, dentro da piscina fazendo exercícios específicos.  Utilizamos muita aula de balé com pilates para aprimorar a estrutura do corpo e ter mais força.

O que melhorou no dueto desde 2008, nas Olimpíadas de Pequim?
Bom, a gente vem aprimorando velocidade e altura. Afinal, quanto maior a altura que conseguirmos na apresentação, maior será a nota. No entanto, o mais difícil de obter e manter  no nado é a altura e a explosão, tudo por três minutos e meio de apresentação. Além disso, posso destacar nossa evolução quanto a sincronia dos movimentos, que é algo importantíssimo e que conseguimos com perfeição. Até quando estamos fora da piscina, conversando ou dando entrevista, nossos gestos parecem ser os mesmos, pois passamos  muito tempo juntas e treinando cada movimento.

Em Jogos Olímpicos, Carolina e Isabela de Moraes foram as brasileiras mais bem colocadas da história,  tendo ido à duas finais: em 2000 (Sidney) e 2004 (Atenas). No Pan-americano de Guadalajara vocês conseguiram a melhor classificação da história, ficando com o bronze. Você acha que o Brasil tem chance de trazer medalhas?
Sempre treino para o ouro. E entrar na final Olímpica já será uma medalha para mim. O nado sincronizado é muito competitivo e existe ainda uma diferença muito grande entre as primeiras colocadas e preferidas a ouro e os países que ainda estão batalhando por um espaço no pódio. Temos a França, os Estados Unidos, a Grécia como as grandes. E poder ficar entre elas, ou acima delas, já vai ser uma vitória. Além do mais, tem a Rússia, que é praticamente imbatível e a mais cotada para o ouro.

 Por que bater a Rússia é tão difícil, não só para vocês, como também para outras seleções?
Isso envolve várias questões, mas, sobretudo porque a Rússia dá condições para que suas atletas vivenciem o esporte. Eles investem nisso. Para você ter uma idéia, as atletas do nado na Rússia, ficam durante cinco dias na semana concentradas num centro de treinamento, não vão para casa durante esse tempo. Fora isso, tem a questão de levar desde pequena as crianças a praticarem a modalidade.

A técnica Andrea Curi (que comandou as gêmeas Isabela e Carolina de Moraes na conquista dos bronzes em Winnipeg 1999 e Santo Domingo 2003, além das Olimpíadas da ida a Sidney e Atenas) está com vocês agora. Como é ser comandada por Andrea e o que mudou na parte técnica, ou evolução de vocês dentro da piscina, com os treinamentos dela?
Ah, ganhamos muita experiência. É quase imensurável! Ela é muito coerente, escuta  a gente, é democrática, conversa e gosta de opiniões. Quando as atletas gostam do modo como as coisas estão sendo comandadas e do que estão fazendo, conseguem realizar um trabalho ainda melhor. A Andrea é o tipo de pessoa que gosta de entrar num consenso e mais que isso: consegue explorar a capacidade  técnica de cada uma.

Qual vai ser a coreografia de vocês nas Olimpíadas?
Nós vamos apresentar a coreografia “O Corpo”, que foi inspirada numa apresentação do  Grupo Corpo, de Minas Gerais. A Andrea comentou que este grupo estaria aqui em São Paulo e depois que a gente os acompanhou, tínhamos certeza que poderíamos nos espelhar neles.

O próprio maiô que vocês vão utilizar na apresentação já é famoso por ser algo diferenciado. Não é mesmo?
É verdade! E a gente fica muito feliz com isso. No Pré-Olímpico, todo mundo queria ver como era o maiô, pois ele é tem o desenho do coração, das artérias e, nas costas, parece a coluna vertebral. A touca traz a imagem do cérebro.

O fato do Brasil não ter nenhuma medalha de ouro no nado sincronizado e vocês estarem com a possibilidade da conquista inédita, pesa um pouco?
Um pouco. Há uma cobrança muito grande entre a gente. Fora que é algo que nós desejamos muito.

Quem é referência para vocês no nado sincronizado?
Para mim foi a minha instrutora Luciana Goulart, que me ensinou muita coisa. E a Natalia Ishchenko, russa do nado sincronizado que, para mim é uma das melhores.

Perfil - Lara Teixeira

Idade: 25 anos
Naturalidade: Campos dos Goytacazes (RJ)
Altura: 1,68
Peso:  58kg
Modalidade:  Nado sincronizado pela seleção brasileira
Títulos:  Duas medalhas de Bronze no Pan-americano do Rio 2007/ 10° lugar no Mundial de Roma / Ouro no Sul-americano.
Meta:  Conquista o ouro em Londres.

Perfil - Nayara Figueira

Idade:  23 anos
Naturalidade:  São Paulo, SP
Altura:  1,70
Peso:  62kg
Modalidade:  Nado sincronizado pela seleção brasileira
Títulos:  Seletiva do dueto para a Olimpíada de Pequim 2008 / bronze no Pan de 2007 e de 2011/ Ouro no Sul-americano absoluto - dueto.
Meta: Boa colocação nas Olimpíadas de Londres.