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Londres 2012: Ingleses mostram que investimento é para o futuro

A três dias do início dos Jogos Olímpicos de Londres, a reportagem de A CRÍTICA foi a Stratford, onde foi construído o Parque Olímpico, para ver de perto de que forma os ingleses cuidaram do “legado” das Olimpíadas 25/07/2012 às 09:21
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Local onde está o parque olímpico é exemplo que ingleses não brincaram em serviço
Leandro Prazeres Manaus

Londres - A três dias do início dos Jogos Olímpicos de Londres, a reportagem de A CRÍTICA foi a Stratford, onde foi construído o Parque Olímpico, para ver de perto de que forma os ingleses cuidaram do “legado” das Olimpíadas. Num breve passeio pelas redondezas foi possível descobrir que eles não brincaram em serviço e que o Brasil (e o Amazonas para a Copa de 2014) vai ter um longo trabalho pela frente se quiser fazer algo, pelo menos parecido com o que foi feito em Londres.

Stratford fica na região conhecida como East London, uma das mais pobres da capital britânica. Pobre, é claro, para padrões europeus. Nos últimos 30 anos, a região se transformou num refúgio para imigrantes vindos de dezenas de países, mas sobretudo da África. Estima-se que mais de 100 idiomas sejam falados por lá.

A decisão de construir o Parque Olímpico em Stratford fez parte de um plano de recuperação urbanística e econômica de East London que começou antes mesmo da definição de Londres como cidade-sede dos Jogos. De acordo com  a London Legacy Development Corporation, empresa criada apenas para cuidar do legado das Olimpíadas, a construção do Parque Olímpico é um “catalisador para a recuperação de toda a East London”.

Antes do início dos trabalhos para as Olimpíadas, os principais problemas da região de Stratford eram o desemprego, a violência e a falta de infraestrutura de transporte. Para resolver parte desses problemas, os investimentos foram bilionários. Foram investidos 12,5 bilhões de libras esterlinas nas obras da região, o equivalente a R$ 40 bilhões.

Esse valor refere-se apenas a obras de infraestrutura realizadas pelo setor público e privado e não inclui os gastos com o Parque Olímpico.

Uma nova estação de trens e metrô foi construída em Stratford, resolvendo, em parte, o problema do transporte. Agora, a região é atendida por nove linhas ao mesmo tempo. A estimativa é que a cada 15 segundos um trem chegue à Stratford Station.

Além disso, foram investidos R$ 33 milhões na recuperação de calçadas e ciclovias (algo que no Brasil nem se cogita para a Copa de 2014, por exemplo). “O maior problema que a gente percebia aqui era o transporte. Era muito difícil sair daqui e ir para o centro da cidade. Agora, está bem mais fácil”, diz Sandra Safir, 32, que mora há dois anos na região de Stratford.

Locais já têm futuro definido
 Das oito instalações do Parque Olímpico, seis já foram negociadas para serem utilizadas por clubes ou associações. As duas que ainda não tiveram os termos de acordo finalizado são o Estádio Olímpico e centro de imprensa. Segundo a London Legacy Development Corporation, há conversas avançadas sobre o assunto.

As autoridades inglesas vão gastar R$ 990 milhões na adaptação das arenas e demais instalações para o uso do dia-a-dia. A ideia inicial é que o Parque Olímpico seja transformado num  “parque “como o Hyde Park, que vai se chamar The Queen Elizabeth Olympic Park. A meta é inaugurá-lo no dia 27 de julho de 2013, um ano depois da cerimônia de abertura das Olimpíadas.

Mesmo antes do início das Olimpíadas de Londres, as arenas construídas pelos ingleses já fecharam contratos para sediar novas competições.

O Centro de Hockey vai sediar, em 2015, o campeonato europeu da modalidade. O Estádio Olímpico vai sediar o mundial de Atletismo de 2017. E o Centro Aquático vai sediar o Campeonato Mundial de Natação de 2016.

Mais segurança
 Para Sara Pinto, imigrante portuguesa que mora em Stratford há 10 anos, o aumento na segurança da região é um dos pontos mais importantes do legado olímpico.

“Mesmo antes dos jogos, houve um aumento muito grande no número de policiais por aqui. A gente se sente mais segura. Espero que isso não acabe com as Olimpíadas”, afirma a imigrante.

O aumento da infraestrutura e os investimentos privados na região (um shopping de R$ 4,8 bilhões foi construído) alavancaram a especulação imobiliária e valorizaram uma região que antes encontrava-se marginalizada.

“Eu vivo recebendo cartas de imobiliárias que querem comprar a minha casa. Todo mundo, agora, quer vir morar aqui”, diz Sara Pinto.

Sara Pinto,  31, estudante de matemática

1  Qual o principal legado que as Olimpíadas de Londres vão deixar para a cidade?
O principal legado é a recuperação da região de Stratford, com certeza. Antes, essa era uma região bastante marginalizada, agora, todo mundo quer morar aqui. Vivo aqui há 10 anos e pude perceber essa mudança.

2  Qual era o principal problema da região antes do início das obras para estas Olimpíadas?
Acho que era nos setores da segurança e do transporte. O desemprego também era bastante grande no local, mas houve bastante oferta de emprego para as pessoas da área. É claro que outras pessoas, de outras áreas, conseguiram empregos por aqui, mas de qualquer forma, foi bom pra região.

3  Qual sua expectativa para o fim das Olimpíadas?
Eu espero que esse aumento na segurança não termine. É bom se sentir mais segura, mas eu acredito que, se eles continuarem a fazer os investimentos que prometeram, que a região se desenvolva ainda mais. O problema é que, atualmente, temos ainda uma grande diferença entre a nova Stratford, próxima ao Parque Olímpico, e a velha Stratford. Creio que essa diferença precise ser melhor trabalhada.