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Londres 2012: Luisa Parente abriu as portas do mundo para a ginástica artística brasileira

Nos anos 80 e 90, quando o esporte era pouco conhecido, a ginasta carioca fez história e obteve marcas ainda não superadas, como os dois ouros individuais (salto sobre o cavalo e barras assimétricas) conquistados no Pan de 91 em Cuba 03/05/2012 às 08:27
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Luisa Parente exibe com orgulho parte de seu quadro de medalhas particular
Adan Garantizado Manaus

Se a ginástica artística brasileira possui nos dias de hoje um patamar que permite brigar por medalhas olímpicas em Londres, e conta com nomes mundialmente conhecidos como os irmãos Hypólito, Daiane dos Santos e Jade Barbosa, muito se deve a Luisa Parente Ribeiro.

Nos anos 80 e 90, quando o esporte era pouco conhecido, a ginasta carioca fez história e obtiveram marcas ainda não superadas, como os dois ouros individuais (salto sobre o cavalo e barras assimétricas) conquistados no Pan de 91 em Cuba. Ela também foi aos Jogos Olímpicos de Seul em 88 (quando chegou às finais) e Barcelona em 92. Hoje, aos 39 anos, Luisa vai participar de sua terceira Olimpíada.

Só que desta vez, ela não precisará dar nenhum salto ou pirueta. Luisa vai comentar a modalidade, na tela da rede Record. Ela recebeu a equipe do CRAQUE, em sua residência, no bairro da Gávea, Rio de Janeiro e “revirou” seu baú de memórias. “Me sinto parte das novas conquistas da ginástica brasileira. Fico orgulhosa pelo que construí. Foi muito sacrifício, mas também tive a ajuda divina. Se algum ginasta nosso subir no pódio em Londres, vou sentir que estou subindo junto”, contou. Casada com o ex-jogador de basquete Alexey Carvalho, Luisa tem dois filhos: João Afonso e Manuela. Os pupilos praticam esportes, mas nenhum deles parece enveredar pelo caminho dos pais. João é adepto do futsal e Manuela joga vôlei.

Superação
Luisa iniciou na ginástica aos 6 anos de idade, na escolinha do Flamengo. Mas, quando começou a competir, sofreu bastante com a falta de estrutura. “As condições ficavam muito longe das ideais. Quando fui para Seul, não havia no Brasil nenhum tablado parecido com o Olímpico e a preparação foi prejudicada. O intercâmbio também era complicado. Hoje em dia melhoramos, mas ainda precisamos evoluir muito”, afirma.

Sobre as chances do Brasil nos jogos de Londres, Luisa aponta três atletas como potenciais medalhistas. “O Diego Hypólito está em um nível altíssimo. O Arthur Zanetti conseguiu a prata no mundial do ano passado e também chega credenciado. Entre as meninas, a Jade Barbosa está em nível técnico de disputar um ouro olímpico. A ginástica do Brasil vai fazer bonito”, confia Luisa.

 

Projeto social no morro
Uma das preocupações de Luisa Parente é que a ginástica artística continue a se renovar pelos próximos anos. Quando estava terminando a graduação em Educação Física (Luisa também é formada em Direito), a ex-ginasta começou um trabalho no Morro do Vidigal, comunidade hoje pacificada, mas que já sofreu bastante com problemas causados pelo tráfico de drogas.

Nas instalações de uma escola no morro, são ensinados, além da ginástica, esportes como futebol e vôlei. “A ginástica é minha vida. E o esporte dá essa perspectiva de formar cidadãos”, salientou Luisa.

No ginásio da Escola Stella Maris, cerca de 20 meninas participam das atividades de ginástica artística. Todas moram no Vidigal, ou em comunidades próximas, como a da Rocinha.

A instrutora Gleiene Rodrigues, que trabalha como voluntária no projeto há três anos, diz que a intenção é apenas iniciar as crianças no esporte.

Mas vê algumas de suas atuais alunas com o potencial de se tornar uma atleta de alto nível. “Fico gratificada ao ver a disposição de cada uma delas em aprender. O trabalho aqui é difícil, mas fico orgulhosa do que faço. Apesar de ser uma área marcada por problemas com a violência, jamais tive qualquer problema no nosso projeto”, garantiu a instrutora.