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Londres 2012: Poliana Okimoto, rainha do mar, concede entrevista ao CRAQUE

Campeã do mundo em águas abertas fala sobre sua participação nos Jogos  na terra da rainha 09/05/2012 às 10:12
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No Pan de Guadalajara, Poliana Okimoto ficou com a medalha de prata
Adan Garantizado Manaus

Nadar por duas horas enfrentando variações climáticas, obstáculos naturais e muitas vezes a hostilidade das adversárias em águas abertas. Nada disso impediu Poliana Okimoto de se firmar como um dos principais nomes da maratona aquática no planeta.

A paulista de 29 anos tem grandes chances de ser a primeira mulher a conquistar uma medalha para o Brasil nas águas. Credenciada por resultados como o título da Copa do Mundo de maratona aquática em 2009 (quando venceu 9 das 11 etapas), o vice campeonato mundial em 2006, Poliana vem treinando cerca de seis horas por dia nas piscinas do Parque Aquático Maria Lenk, no Rio de Janeiro. Foi lá, após um treino puxado, que ela recebeu a equipe do CRAQUE.

Apesar de ter se tornado a “rainha do mar” nos últimos anos, Poliana já teve muito medo de nadar em águas salgadas. A mudança das piscinas para as águas abertas ocorreu há sete anos, por iniciativa do marido e treinador, Ricardo Cintra. “Na minha primeira prova eu fui meio que ‘obrigada’ a nadar no mar. O Ricardo me inscreveu para a Travessia dos Fortes em 2005 pois acreditava que eu me sairia bem melhor na maratona no mar do que em provas de 800 ou 1500 metros na piscina. Minha resistência sempre foi bem grande e ele quis me testar. Lembro que fui treinar no mar, entrei na água e saí rápido. Chorei porque pensava que não ia conseguir. Tinha medo mesmo de algum bicho, arraia, tubarão. Fui para a largada, no dia da prova, somente para assistir, mas quando vi as adversárias chegando, me motivei para pular na água”, confessa. E nem foi preciso esperar muito tempo para ter a confirmação do potencial de Poliana no mar. “Nadei bem, venci a Travessia e ainda bati o recorde da prova. Ganhei com um tempo muito parecido com o dos homens. Aí decidi investir nisso. Quando fui para o mundial em 2006 já havia superado completamente meus medos”, frisou Okimoto.

Marcas na pele
Logo em sua estreia em mundiais, em Nápoles-Itália, 2006, Poliana sofreu o principal acidente da carreira. Por conta de uma cotovelada na largada da prova dos 10 km, ela teve o tímpano perfurado e nadou a prova com o ouvido sangrando. Mesmo assim, ela conseguiu o vice-campeonato na prova e começou a chamar atenção das rivais. “Aprendi muito com isso. Sempre rola puxão de touca, de maiô, cotovelada, chute. Infelizmente acontecem muitas coisas sujas no esporte. Mas tenho que passar por cima disso. Infelizmente os juízes não veem tudo. Temos que nos proteger e acostumar com essas atrocidades dentro da água”, afirma a maratonista brasileira.

Natação 24h por dia
 Poliana é casada com Ricardo Cintra há dez anos. A curiosidade é que Ricardo virou o treinador da própria esposa dois anos depois. A dupla demonstra sintonia dentro e fora das piscinas. Mas não esconde que vez ou outra, o assunto “natação”, invade a vida pessoal do casal.

“Às vezes a gente leva algumas situações chatas de treino para casa. Eu a conheço muito bem e a Poliana sabe que as broncas que dou nela são por amor. Quero sempre o melhor para ela. O respeito é mantido sempre. Na piscina eu não sou marido, sou técnico. Durante a prova não dá pra ficar mandando beijos. Prefiro deixar a comemoração para depois”, afirma Cintra, que montou uma programação específica para que a amada esteja 100% durante as Olimpíadas de Londres. A atleta, por sua vez, não deixou de dar sua “cutucada” no marido.

“Ele pega muito no meu pé (risos). Mas eu entendo tudo muito bem e sinto que isso me ajuda muito. Sei que é um dever dele. O Ricardo às vezes até não quer ser tão rígido, mas tem que ser. Em casa a gente esquece um pouco o trabalho pra ficar tranquilo”, disse Poliana.

Fora das águas, o casal procura quebrar a rotina nos momentos de folga indo ao cinema ou jantando fora.

Poliana Okimoto - Maratonista aquática brasileira

1  Ter garantido a vaga olímpica com um ano de antecipação ajudou a sua preparação para os Jogos?
Com certeza isso me ajudou bastante. Venho fazendo esta preparação voltada exclusivamente para Londres. Você se acostuma psicologicamente, se aclimata, fica mais tranquila. Em uma Olimpíada a pressão é grande e a diferença na maratona do 1º ao décimo colocado às vezes é mínima. Tenho consciência de que as 25 melhores do mundo estarão lá e eu te nho três chances de medalha. Este é o meu objetivo.

2  Já nadou em Londres? Há algo de diferente no circuito onde será realizada a competição olímpica?
No ano passado fiquei em terceiro lugar no evento teste realizado no lago do Hyde Park. A água deve estar bem gelada durante as Olimpíadas. Em Londres  a maratona aquática será realizada pela segunda vez em Jogos Olímpicos e tem tudo pra ser melhor do que em Pequim. Vai ser uma prova muito desgastante e forte.

3  Como você conseguiu se adaptar tão rápido das piscinas para o mar?
Piscina é muito calculada. Na maratona existem outros aspectos mais específicos como o contato físico. Na piscina é você contra o relógio. No mar não. Outras nadadoras podem te atrapalhar e você tem que ter cuidado.

Perfil

Poliana Okimoto, a rainha do mar

Idade:  29 anos

Naturalidade:  São Paulo-SP

Altura:  1,65

Peso:  48 kg

Títulos:  Campeã da Copa do Mundo de maratona aquática em 2009, vice-campeã mundial nos 5 e 10 km em 2006, medalhas de prata nos jogos Pan-Americanos de 2007 e 2011, Tri campeã da Travessia dos Fortes, 25 vezes campeã brasileira absoluta (em piscinas).