Publicidade
Esportes
Craque

Londres 2012: Rodrigão, do vôlei de quadra, fala de olimpíada em clima de despedida

Um dos mais experientes e vitoriosos jogadores da seleção brasileira de vôlei vai se despedir da “amarelinha” logo após os Jogos Olímpicos de Londres 16/05/2012 às 09:44
Show 1
Rodrigão fala que não tem condições de suportar mais um ciclo
Adan Garantizado Manaus

Um dos mais experientes e vitoriosos jogadores da seleção brasileira de vôlei vai se despedir da “amarelinha” logo após os Jogos Olímpicos de Londres. Mas antes, ele quer garantir sua terceira medalha na competição. Dono de um ouro em Atenas (2004) e uma prata em Pequim (2008), o paulista Rodrigo Santana, o Rodrigão, 33, quer fechar seu ciclo com chave e medalha de ouro.

“É provável que a seleção se encerre pra mim. Sinceramente não sei se teria condições de jogar mais uma Olimpíada e aguentar mais quatro anos na seleção, longe de casa, filhos, família. Eu não tenho férias desde 1995. Ao menos em 2013 eu estou fora. Já decidi isso. Preciso de alguns meses de férias para me recuperar. Aí em 2014 eu vou ver como vou estar fisicamente”, declarou o meio de rede, ao CRAQUE, antes de um treino do Sesi Clube, em São Paulo. Ele acredita que não há espaço para erros em ano Olímpico.

“A seleção de 2008 pra cá mudou muito. Entrou gente nova, que está pegando experiência. Os dois primeiros anos de trabalho foram muito bons. Ganhamos tudo em 2009 e 2010. Em 2011 sentimos um pouquinho a pressão. Perdemos a Liga Mundial por acaso, pra Rússia, e isso abalou o grupo um pouquinho e fez com que a gente cometesse erros no resto do ano. Em 2012 não podemos errar.  Ano Olímpico é um ano chave, decisivo. Não tem muito o que pensar ou planejar. É preciso treinar firme e dar o máximo na hora do jogo”, contou.

Rodrigão esteve presente em sete conquistas da Liga Mundial pela Seleção. E curiosamente começou a jogar voleibol após assistir das arquibancadas do Ginásio do Ibirapuera, a primeira Liga conquistada pelo vôlei brasileiro, em 1993.

“Assisti a um jogo entre Brasil e Japão. Me interessei pelo vôlei, fui fazer a peneira do Banespa e passei. Tive muita sorte. Minha altura ajudou”, confessa o jogador de 2,04 metros e 85 kg.

Meia revela-se um fã incondicional de Tande
Rodrigão começou no vôlei em 1993, após ser aprovado na peneira do Banespa, que era tradicional em São Paulo por revelar talentos para a modalidade (os irmãos Murilo e Gustavo Endres, ambos com carreira na seleção brasileira, também foram frutos desta peneira). A estreia na seleção só aconteceu em 2000. Foi nesse ano, que o meio de rede teve a oportunidade de atuar ao lado de seu ídolo na modalidade: Tande.

“Jogo até hoje com a camisa 14 na seleção por causa dele. Apesar de eu não atuar na mesma posição (Tande era ponta), ele foi um cara que me inspirou. Tive a alegria de jogar com ele na seleção logo quando cheguei. O Tande tinha ido pro vôlei de praia, mas voltou para a quadra às vésperas das Olimpíadas de 2000. Aí jogamos algumas partidas juntos. Mas infelizmente eu não fui para as Olimpíadas de Sidney e ele foi, na última participação dele na seleção”, lamenta.

Em 2004, o sonho de disputar uma Olimpíada quase foi adiado novamente por conta de uma lesão. Semanas antes dos Jogos, um edema ósseo na perna direita tirou Rodrigão da fase final da Liga Mundial. Bernardinho só confirmou o jogador em Atenas na última hora, após amistosos com a seleção na França. E o “fantasma” da véspera de Olimpíadas voltou a “atormentar” o jogador em 2008. Ele se contundiu pelo clube que atuava na Itália, dois meses antes dos jogos e precisou fazer uma cirurgia no ligamento cruzado anterior do joelho.

A força de vontade do atleta novamente fez a diferença. Em Julho, um mês antes dos Jogos, Rodrigão voltou ao elenco, e acabou confirmado nas Olimpíadas. A seleção perdeu para os EUA e ficou com a prata.

Rodrigão - meio de rede da seleção brasileira de volei

1  Que recordações você guarda da conquista do ouro olímpico em Atenas?
Me arrepio só de falar e lembrar. Fiquei emocionando só de chegar em Atenas, o berço das Olimpíadas. Quando ganhamos o ouro, começou a cair a ficha de tudo o que você fez e conquistou para estar ali. É um prazer incrível. A maior conquista de todo atleta é ganhar uma medalha Olímpica.

2  Em 2008 o grupo tinha tudo para repetir o feito mas tropeçou nos EUA...
A lição que aprendemos em 2008 é que temos que estar com o grupo 100%. Com todo mundo bem, principalmente em uma final olímpica. Em Pequim, tivemos muitos problemas no percurso. Eu voltei um mês antes dos Jogos, o Gilba teve problemas, o Anderson torceu o pé. Então tudo isso atrapalhou. Não tínhamos peças de reposição.