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Londres 2012: Seleção brasileira de basquete estreia contra a Austrália

Mesmo após tanto tempo afastado do circuito olímpico, o Brasil chega em Londres com boas credenciais e impondo respeito, após ausência iniciada em Atlanta, em 1996 29/07/2012 às 15:47
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Dono do garrafão, o pivô Nenê está disposto a provar que merece o perdão concebido pelo técnico
Adan Garantizado Manaus (AM)

Foram 16 anos de ausência das Olimpíadas. Neste período, a modalidade sofreu, viu seu grande ídolo se aposentar, jogadores renegarem a seleção e até uma nova Liga Nacional surgir. Hoje, quase seis mil dias depois da última vez em que pisou em um “garrafão olímpico”, o basquete masculino brasileiro finalmente volta a competir em uma Olimpíada. Às 6h15 (Manaus), a Seleção enfrenta a Austrália. E mesmo após tanto tempo afastado do circuito olímpico, o Brasil chega em Londres com boas credenciais e impondo respeito.

Boa parte deste respeito, aliás, foi obtido pelo treinador Rubén Magnano. Nos dois últimos anos, o argentino que foi campeão olímpico em 2004 pelo seu país, mudou a forma do Brasil jogar. E Magnano também decidiu “resgatar” os brasileiros que atuam na NBA e que haviam sido alvo de críticas por se negarem a jogar na Seleção algumas vezes. E assim, os pivôs Nenê e Anderson Varejão e o ala armador Leandrinho voltaram a vestir a camisa verde amarela. Huertas e Thiago Spliter são outros nomes de rodagem internacional no time.

O argentino também apostou no talento do americano naturalizado brasileiro Larry Taylor. Na série de amistosos preparatórios para Londres, o Brasil fez bonito, perdendo apenas para França e Estados Unidos, sempre com boas atuações. O que enche a torcida brasileira de esperanças. “O Brasil já possuía um jeito de jogar muito parecido com o que eu queria implantar. A equipe só precisava trabalhar mais no aspecto defensivo. E passei a cobrar muito isso dos atletas desde então. Os jogadores que atuam na Europa e em outras partes do mundo assimilaram essa forma de jogo muito rápido e isso me ajudou bastante”, contou o treinador em conversa exclusiva com o CRAQUE, no mês passado. Magnano conquistou inclusive o respeito do maior nome da história do basquete brasileiro, Oscar Schmidt.

Também em entrevista ao CRAQUE, Oscar rasgou elogios ao hermano. “Ele é um fenômeno de técnico. Vamos para a Olimpíada torcendo muito para que o Brasil faça uma Olimpíada digna. Se ganhar melhor. Mas o importante é crescer e ver o nosso basquete bem”, declarou. Magnano respondeu dizendo que os elogios só o obrigavam a trabalhar ainda mais em prol do basquete brasileiro. O Brasil está no grupo B em Londres. A Seleção terá Grã Bretanha, China, Espanha e Rússia pela frente na primeira fase. O sonho de uma medalha não está tão distante.

Três perguntas

Rubén Magnano, treinador da seleção masculina de basquete

1  Você tem alguma meta para a seleção nas Olimpíadas? Almeja ficar em alguma posição específica?

Falar de posição é muito difícil. Nós vamos enfrentar a Espanha, que é, ao meu ver, uma das seleções mais fortes dessas Olimpíadas. Eles e os EUA estão em um nível acima dos demais. As outras estão em uma faixa igual. Se o Brasil classificar para a segunda fase dá para sonhar com uma boa colocação. Eu ficaria realizado se conseguíssemos terminar entre as seis primeiras.

2 Seu contrato terminava dias antes dos Jogos Olímpicos mas foi renovado recentemente até 2016. Seu objetivo é chegar em 2016 com uma equipe pronta para o ouro olímpico?

No momento em que a CBB me dá essa renovação eu automaticamente passo a pensar em uma medalha olímpica em 2016. Temos essa obrigação. Sei que em quatro anos não é possível formar um atleta. Mas isso é tempo suficiente para montar um trabalho visando a conquista olímpica.

3 Que lembranças você tem do seu ouro olímpico, em 2004?

Eu ainda não tenho a consciência do que aconteceu naquele momento. Ainda não parei para pensar na dimensão do que foi aquilo. Ganhar uma medalha de ouro com o seu país é muito forte.