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Maurren Maggi quer conquistar a segunda medalha olímpica em Londres

Campeã olímpica em Pequim, 2008, após uma bela história de superação, ela é a mulher a ser batida na modalidade durante os jogos de 2012 17/04/2012 às 08:09
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Maurren Maggi quer competir nos Jogos Olímpicos do Brasil, em 2016
Adan Garantizado Manaus

A paixão de William Maggi pelos Beatles fez com que ele arrumasse uma forma de homenagear a banda inglesa quando soube que sua esposa Ruth estava grávida. Nem mesmo a notícia de que seria pai de uma menina fez com que o “beatlemaníaco” desistisse da ideia. E da primeira mulher do baterista Ringo Star, Maureen Starkey, veio à inspiração para o nome da filha. Mal sabia seu William e dona Ruth, que a pupila um dia chegaria ao topo do mundo, tal como fizeram os garotos de Liverpool nos anos 60.

Aos 35 anos, Maurren Higa Maggi chega ao país dos Beatles como a principal estrela do salto em distância. Campeã olímpica em Pequim, 2008, após uma bela história de superação, ela é a mulher a ser batida na modalidade. Mas, a bela não se incomoda com a pressão. Em entrevista exclusiva ao CRAQUE, concedida na pista do estádio de atletismo do Ibirapuera, em São Paulo, Maurren disse que deseja continuar no posto de número um.

“É a primeira vez que vou chegar como campeã olímpica e estou adorando isto. É um responsabilidade boa, uma pressão bem gostosa. Jamais vou encarar isso como um peso. O peso fica com as adversárias, não comigo. Vou chegar em Londres com a mesma postura que fui à Pequim: querendo ser campeã”, afirma a saltadora.

E a campeã parece não ter limites. “Quero muito chegar no Rio de Janeiro em 2016 como bicampeã olímpica. Seria um feito inédito para o salto em distância feminino. Tenho muito orgulho de ser campeã. Espero sempre chegar nas competições assim”, completa Maurren.

Na pista do estádio Ninho do Pássaro, em Pequim, Maurren garantiu o ouro com um salto de 7.04 metros. Apesar de seu recorde pessoal ser de 7.26 (obtido na Colômbia em 1999), a atleta acredita que para brigar por medalhas, precisa saltar em torno dos 7 metros. Com treinos intensos, ela acredita que a confiança fará a diferença em Londres. “Estarei ali dentro da pista com muita garra. Estou determinada e pronta para defender meu título”, garante. 

Relação com Manaus
 Maurren nasceu em São Carlos, mas tem uma relação intensa com Manaus. Foi aqui que em 2001, ela fez a marca de 12,71 segundos e quebrou o recorde sul-americano (que permanece até hoje) dos 100 metros com barreiras (modalidade em que ela competiu por muito tempo). A filha Sofia, de 7 anos, nasceu em Manaus. O fruto do relacionamento com o piloto Antonio Pizzonia, aliás, é um dos poucos motivos que faz a atleta “desviar” o foco dos treinos.

“O tempo sempre sobra para a Sofia. Ela é minha prioridade. Costumo até mudar meus horários de treinamentos quando preciso levá-la para a escola ou fazer os deveres dela. Sou só eu e ela. Então tenho que dar prioridade. Ainda bem que meu treinador entende. Pretendo até levá-la à Londres nas Olimpíadas”, revela.

Foi em Manaus também que a atleta encontrou forças para recomeçar. Após ser acusada de doping em 2003 pelo uso de clostebol (a substância estava em um creme depilatório que Maurren utilizou), ela foi suspensa, ficou fora dos Jogos de Atenas e havia praticamente desistido do esporte. Mas, após o incentivo do presidente da CBAt, Roberto Gesta, e de sua família, Maurren voltou às competições e foi coroada com o ouro olímpico.

“Eles me deram apoio familiar em um momento difícil. Foi muito bonito. Se não fosse por isso não sei até onde estaria. Este apoio foi muito importante para meu retorno”, declara a atleta, cheia de gratidão.