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Esportes
FUTEBOL

Mirando carreira, goleira de 11 anos se destaca em time composto por meninos

Júlia Raphaela é a única menina no time do Amigos do CMPM, mas isso não intimida a goleira 16/01/2018 às 00:00
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Foto: Emanuel Siqueira/ Emanuel Sports
Camila Leonel Manaus (AM)

No último sábado (13), o time do Manaus FC fez um amistoso contra o Baré-RR. Antes, houve um jogo sub-11 entre o time da escolinha do Santos e o Manaus FC. Entre os meninos, havia uma menina, a goleira Júlia Raphaella, 11, fato que chamou a atenção dos presentes no estádio do Sesi, na Zona Leste.

E mesmo em um campo grande, entre os meninos, com torcida e embaixo de chuva, Júlia não se intimidava para pegar as bolas chutadas em direção ao gol. “Foi uma experiência nova, porque todo dia eu tô aprendendo algo novo, então foi muito legal”, contou após o jogo.

Júlia é a única menina do time que faz parte de uma associação dos alunos do CMPM, que se reúnem aos domingos para jogar futebol e de acordo com o organizador, Gilson Alves, Júlia é o “sangue do time”. “A Júlia é a única menina que joga com a gente e a gente resolveu dar essa oportunidade pra ela, pra ela interagir com os meninos da escola. A gente treina há dois anos e ela é o sangue do time. Ela está sempre incentivando, puxa a fila e é bom ter ela no nosso grupo”, explicou. O entrosamento é confirmado pela arqueira. “Sim, os meninos do time são bacanas, me respeitam”, contou.

Mas para conseguir o respeito dos meninos, Júlia teve que se impor. Vendo só colegas brincando na escola, sentiu vontade de jogar. A princípio, os colegas duvidaram que ela soubesse jogar. “Perguntei se podia jogar, aí falaram: tu, menina, sabe mesmo jogar? Eu respondi: me bota no gol que tu vai ver, eles disseram que se eu me machucasse o problema não era deles”. Durante a partida, ela defendeu um chute do melhor jogador da turma e logo veio o reconhecimento. “Todo mundo falou: meu Deus, essa menina agarra para caramba”, relembra a garota que é fã do goleiro Alisson, da Roma e da Seleção Brasileira e que espera um dia poder seguir carreira no futebol. Hoje, são os meninos que a  chamam  para jogar. “Eles me chamam e quando eu falo não, eles perguntam: - Júlia, tu tá bem? Tá com febre? Porque eu nunca digo não para o futebol, aí eles estranham”.

Com a aceitação dos amigos de escola, Júlia passou também pela fase de aceitação na família. A mãe de Júlia, Janeide Santos, conta que  houve uma preocupação logo que a filha começou a falar que jogava futebol, mas que com o passar do tempo as preocupações foram amenizando.

“A principio eu fiquei apreensiva porque a gente vê o esporte hoje aqui na região com um obstáculo bem mais acima e agora eu apoio porque vejo que é o que ela quer. Além disso fui vendo  ela tem o apoio dos amigos, que são bem parceiros e da família”. Apesar de aceitar e incentivar a filha, ela confessa que alguns chutes em direção ao gol ainda assustam, mas que confia na capacidade da filha. “A gente fica preocupado às vezes, dá vontade de chorar, mas tem que ir em frente, né.Eu tenho que ir me preparando para o futuro (caso Júlia vire jogadora profissional). Geralmente o que a gente quer é que o filho seja médico, advogado, mas se ela escolher o futebol vamos apoiar. Já matriculei a Júlia na luta livre, mas o foco dela sempre foi o futebol”, contou.

 Polivalente

Apesar de preferir jogar no gol, Júlia às vezes joga na linha e posição para ela não é problema.“Se me colocar na zaga, eu jogo. Mas também vou para a lateral, ataque, meio de campo também. Eu gosto mesmo de agarrar, mas tem dia que eu peço para ir para a linha”, disse a menina que não sabe explicar de onde veio a preferência pelas redes. “Sempre gostei do gol agora, que jogo na linha, eu tô um pouco confusa, mas se for para seguir carreira, prefiro ser goleira. Sei lá, acho que é porque o meu pai jogava e quando via ele jogar achava divertido”.

Aproximação com o futebol local

O coordenador do grupo do Colégio Militar da Polícia Militar (CMPM 1), Gilson Alves, explica que o futebol surgido nos dias de domingo de manhã foi iniciativa de pais e alunos que gostavam de praticar o esporte. Júlia foi a única menina que manifestou interesse em participar do  grupo.

Para que o time vestisse a camisa do Manaus FC, no último sábado, ele conta que escreveu uma carta ao presidente do Gavião do Norte, Giovanni, para representar o time na preliminar do amistoso contra o Baré.

“Como torcedor amazonense apaixonado pelo futebol local, resolvi enviar uma carta para o presidente do Clube e assim aproximar os pequenos alunos do futebol amazonense, que tantas vezes é esquecido e desamparado, para dessa forma se identificar com nossos times locais, derrubando um pouco a preferências por times de fora”, justificou Gilson.

O time hoje treina próximo à bola da Suframa, mas às vezes, os encontros acontecem na Zona Oeste e até na Zona Rural de Manaus, tudo para incentivar o futebol. Quanto à relação com o Manaus, o grupo ainda entrou com os jogadores antes da partida, feito que deve se repetir durante os jogos do Campeonato Amazonense.