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Esportes
Menina craque de bola

Menina é craque em time só de garotos

A pequena Alani dos Santos e capitã do time só de garotos 28/10/2012 às 11:23
Show 1
Alani mostra toda a sua desenvoltura com a bola nos pés
Nathália Silveira Manaus

 Ela chega ao treino de vestido, sandalinha, cabelos soltos e cheia de pulseirinhas no braço. À primeira vista, Alani dos Santos, de 8 anos, parece uma garota comum. Mas logo que pisa em uma quadra de esportes, acontece a transformação. Com um calção que bate em seus joelhos, cabelo preso, meiões e chuteiras, a garota se transforma na jogadora mais respeitada do time masculino da Atlética Batista Canaã, ao ocupar a posição de fixo da equipe e capitã do conjunto.

Mas a super garotinha de oito anos não é a “dona da bola” apenas por ser a única do sexo feminino numa equipe de oito garotos. Ela também se destaca mesmo por “dançar” em quadra, protagonizando arrancadas bonitas e dando um show de técnica e velocidade. “É ela quem leva a equipe para frente, não deixa afrouxar, chama atenção dos meninos e todos obedecem. Com toda certeza, em 22 anos de carreira ela foi a melhor surpresa que eu poderia ter. Nunca encontrei uma jogadora assim”, elogia o técnico do Batista Canaã, Marcelino Lima.

 Boa culpa

O pai da fixo, seu Leandro Santos, assume a “culpa” pelo fato da menina querer ser jogadora. Segundo ele, a filha sempre o acompanhava em seus treinos, até que pediu para participar de um campeonato.

“Ela tem um irmão, o Júnior, que nunca gostou de ir comigo aos treinos. Já ela chorava se eu a deixasse para trás”, lembra Leandro ao explicar que por não existir em Manaus times de sub-9 femininos, o presidente da Federação Amazonense de Futebol de Salão (Fafs), Raimundo Nonato dos Reis Filho, concordou em liberar Alani para jogar em grupos masculinos.

“Não era possível desperdiçar um talento como esse. Seria um crime”, afirma Reis. Com a liberação da Fafs para entrar em quadra, a menina estreou no Amazonense ano passado pela equipe Associação Girassol. Ao atuar pelo time da Zona Leste, a fama da pequena logo chegou aos ouvidos do professor Marcelino Lima, que ao vê-la atuar não teve dúvida e a convidou para o Canaã Batista.

 “Eu gosto de ver meu time vencedor e me esforço muito para isso. Fico cansada de treinar, mas sei que é preciso. Mas prefiro ir jogar do que ficar vendo desenho”, conta Alani, afirmando que a responsabilidade aumenta por ela ser capitã da equipe. “Eu brigo com os meninos se preciso”, disse a pequena, que na hora da entrevista para o CRAQUE foi interrompida por um coleguinha eufórico que não parava de elogiá-la, o atacante Vinícius de Melo.

 “Ela joga muito. Joga melhor que todos esses meninos”, disse ele, ao apontar para o resto da moçada, que rodeava Alani. Nesta hora, Vinícius se aproxima ainda mais e questiona: “Vai sair no jornal, tia?!”. Ao receber a confirmação, ele rapidamente deixa transparecer o orgulho que sente pela estrela do time. “Ela merece, é muito boa mesmo!”. Com o comentário do amigo, Alani dá um sorriso tímido e, como os grandes craques, torna a fazer o que mais gosta: brilhar em quadra.