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Made in autazes

Micaelly Brazil é esperança da Seleção na Olimpíada de Tóquio 2020

Aos 16 anos, a menina nascida em Autazes é um dos nomes mais cotados do futebol feminino de base para representar o Amazonas e o Brasil na próxima edição dos Jogos Olímpicos na Terra do Sol Nascente 26/12/2016 às 13:38 - Atualizado em 26/12/2016 às 16:27
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A craque da Seleção Sub-17 sonha em subir de categoria em 2017 e ficar mais perto do sonho de jogar ao lado da "Rainha Marta" (Foto: Márcio Silva)
Denir Simplício Manaus (AM)

Da Terra do Leite para a Terra do Sol Nascente. Como um fenômeno alado, a menina Micaelly Brazil começa a criar asas e está prestes a deixar Autazes - sua terra natal - e voar em direção ao outro lado do mundo, o Japão. Aos 16 anos, a amazonense, que desde os 13 veste a camisa da Seleção Brasileira é nome mais que cotado para representar o Brasil na Olimpíada de Tóquio 2020.

Revelada em peneira da CBF em 2014, Micaelly é pura evolução com a camisa verde-amarela. A prova cabal de que a menina, que começou a jogar bola aos 6 anos contra os meninos no extinto “Campo da Civil”, em Autazes, virou craque no Sul-Americano Sub-17 da Venezuela, em março deste ano, quando ela ainda com 15 anos passou a usar a emblemática camisa 10 da Seleção.

Primeiro Mundial

Depois de conhecer a Venezuela, foi a vez de Micaelly visitar o Oriente Médio, onde disputou o a Copa do Mundo da Jordânia, com a mesma camisa 10. Sem medo de ser feliz, a “pequenina de Autazes” já está se acostumando com o peso do manto canarinho.

Na Jordânia, a camisa 10 ficou leve em Micaelly (Foto: Divulgação/CBF)

“Hoje não (sinto pressão). Acho que a primeira vez que peguei a camisa 10 foi um peso maior pra mim e acho que pra qualquer uma que vai usá-la pela primeira vez. No Mundial, sabia do peso da camisa 10, ainda mais por estar numa Copa do Mundo, uma responsabilidade muito grande dentro de campo”, relembra.

Sub-20 e Principal

Monitorada pela CBF desde os 13 anos, Micaelly tem tudo para subir de categoria em 2017. Mesmo com apenas 16 anos, a amazonense deve ser convocada para a Seleção Brasileira Sub-20 e ficar mais próxima ainda do sonho de atuar na equipe principal, que hoje é comandada por Emily Lima.

A nova técnica do Brasil, aliás, conhece muito bem Micaelly Brazil. Quando Emily dirigiu a Seleção Sub-15, em 2015, por quatro vezes convocou a craque amazonense. Em sua passagem por Manaus , durante o Torneio Internacional de Seleções, ambas conversaram e Emily deu sinais de que tem planos para a meia-atacante.

“Falei com ela (Emily Lima) no vestiário (da Arena) e ela me perguntou se eu iria subir (categoria). Disse que, se Deus quiser, sim. Ela me perguntou quanto anos eu tinha e eu disse que tenho 16, e ela disse: ‘tens muito pela frente ainda’. Mas, no aeroporto, quando voltamos a nos encontrar, ela falou que nós iríamos continuar conversando”, revelou.

De olho aberto pro Tóquio 2020

Promissora, Micaelly Brazil estará com 19 anos durante os Jogos Olímpicos de Tóquio 2020 e, caso esteja entre as convocadas da Seleção Brasileira, será a primeira mulher do Amazonas a participar de uma Olimpíada jogando futebol.

“Já pensei muito nisso. Esta semana participei de um evento no Rio de Janeiro com atletas que podem estar na Olimpíada no Japão. Isso me motiva pra treinar forte no ano que vem pra quem sabe conhecer mais cidades pelo mundo com a Seleção Brasileira e defendendo nosso País”, disse a camisa 10 da Seleção Sub-17, revelando o sonho de conhecer a Terra do Sol Nascente com a equipe principal do Brasil.

Camisa 10, Micaelly experimentou a culinária japonesa (Foto: Márcio Silva)

“Acho que vai ser muito bom. Conhecer o Japão e participando da Seleção principal... é meu sonho chegar lá. Já parei pra pensar bastante e vou treinar muito mais pra realizar esse sonho”.

Questionada sobre o quanto mudou sua vida nos últimos três anos, a menina tímida de Autazes lembrou da infância difícil e almeja evoluir ainda mais em 2017.

“Tem acontecido muita coisa boa na minha vida. Em Autazes eu treinava na escolinha de futebol do meu tio. Desde os 6 anos eu trabalhava duro porque eu queria ser jogadora de futebol, como ainda quero. Lá eu jogava contra meninos porque as poucas meninas que treinavam acabaram se afastando. De três anos pra cá mudou muita coisa na minha vida e espero que mude mais ainda daqui pra frente”, concluiu a menina que leva o Brasil até no nome.

De mala e cuia para Manaus em 2017

2017 promete ser um ano de mudanças no futebol feminino do Brasil e na vida de Micaelly também. Pela primeira vez na vida, a menina que sonhou virar jogadora de futebol vai deixar Autazes e virá morar em Manaus.

Contratada pelo Iranduba para a disputa do Brasileirão Feminino do ano que vem, a atleta sabe do peso de brilhar na maior competição do futebol feminino do País. “Eu, com 16 anos, participando de um Brasileirão em um time que está aí há bastante tempo, acho que vai ser uma responsabilidade muito grande dentro de campo e espero dar o meu melhor sempre”, ponderou Micaelly confessando que sentirá falta de casa.

Micaelly dá show no Peladão Brahma 2016 com a camisa do Iranduba/3B (Foto: Denir Simplício)

“Vou sentir falta da minha família, dos amigos, do povo da minha cidade que sempre me apoiou e me ajudou nesse sonho de jogar futebol”, disse a meia-atacante que, antes de disputar o Brasileirão, tem tudo para se sagrar campeão do Peladão Brahma 2016 com a equipe do 3B/Iranduba.