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Ministro do Esporte fala ao CRAQUE sobre questões da Copa do Mundo

Aldo Rebelo, participa nesta sexta-feira em Manaus, do seminário “O Mundial e o desenvolvimento”. Promovido pela Federação Nacional dos Engenheiros (FNE), no evento vai-se discutir a preparação do Brasil para o mundial 30/03/2012 às 11:11
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Ministro do Esporte, Aldo Rebelo: "Manaus vai superar as dificuldades'
Antonio Paulo Brasília

BRASÍLIA (SUCURSAL) - O ministro do Esporte, Aldo Rebelo, participa nesta sexta-feira em Manaus, do seminário “O Mundial e o desenvolvimento”. Promovido pela Federação Nacional dos Engenheiros (FNE), no evento vai-se discutir a preparação do Brasil para a Copa do Mundo de 2014 e ainda terá palestras sobre banda larga, mobilidade urbana e o legado do mundial para a engenharia e o País. Ontem, um dia depois de a Câmara dos Deputados ter aprovado a Lei Geral da Copa, o ministro Aldo Rebelo recebeu A CRÍTICA em seu gabinete para falar sobre a visita dele ao Amazonas. Disse não estar preocupado com uma possível demora da votação da Lei Geral no Senado, “pois ainda há tempo suficiente”; apesar dos problemas de infraestrutura da cidade de Manaus e do atraso na liberação dos recursos para a Arena da Amazônia, ele confia na capacidade da capital amazonense de realizar com êxito os jogos da Copa do Mundo em 2014.  A seguir, os principais trechos da entrevista exclusiva do ministro do Esporte, Aldo Rebelo.

A Câmara dos Deputados acaba de aprovar a Lei Geral da Copa. A contragosto da oposição, foi suspensa a proibição da venda de bebida alcoólica nos estádios. Essa lei não vai esbarrar na jurisdição dos Estados especialmente nas cidades-sedes que mantêm as proibidas?

Foi aprovado um compromisso do Governo brasileiro para permitir a venda de produtos dos patrocinadores nos estádios. Essa garantia foi dada por todos os países que se candidataram à Copa do Mundo; foi cumprida por todos os organizadores que receberam a Copa do Mundo antes do Brasil e será cumprida por todas as sedes do evento após 2014. Esse compromisso tinha que ser cumprido e por isso o Governo criou o projeto suspendendo a proibição da venda de bebidas alcoólicas nos estádios da Copa. Essa suspensão subordina à legislação dos Estados onde houver a proibição e, na interpretação do Governo, a Lei Geral alcança as leis estaduais. Nós sempre tivemos a confiança de que os acordos firmados com o Governo brasileiro iam ser cumpridos como sempre o goram. Agora, cabe ao Senado concluir a votação.

 Qual a sua expectativa sobre a votação da Lei Geral da Copa no Senado? Vai ser rápida ou pode demorar e prejudicar a realização da Copa das Confederações?
Temos tempo suficiente para isso. Não há receio algum sobre a aprovação da legislação. Temos segurança que ela será aprovada dentro do tempo necessário para a realização da Copa das Confederações e da Copa do Mundo.

 Estádios e estruturas de mobilidade urbana já estão sendo construídos nas cidades-sedes sem a sanção da Lei Geral da Copa. Qual então é o papel dessa legislação para a realização do mundial?
Nós já aprovamos uma legislação especial para a construção da infraestrutura, dos estádios, da mobilidade urbana. E isso foi feito há algum tempo. A Lei Geral é o detalhamento das garantias, dos acordos comerciais, da apropriação de marcas e patentes dos patrocinadores. E foi isso que foi aprovado na Câmara.

O senhor participa hoje, em Manaus, de um seminário para discutir a preparação do Brasil para a Copa do Mundo de 2014. E vai falar sobre o desenvolvimento que o mundial de futebol poderá trazer para este País. Na sua opinião, qual será o legado da Copa para a população brasileira?
A Copa do mundo é o maior evento do planeta não apenas esportivo. É o mais esperado, com transmissão para quatro bilhões de telespectadores em todo o mundo. E representa dois desafios para o Brasil. O primeiro é o País demonstrar a sua capacidade em engenharia, telecomunicações, hotelaria, transporte aéreo e urbano, uma opção para o desenvolvimento do País. E outra oportunidade que o mundial nos oferece é a da superação das nossas deficiências e corrigi-las nessas áreas. Nós estamos fazendo um esforço, o Governo Federal, os governos estaduais, municipais e o setor privado para superar essas deficiências e incorporar como herança da Copa não apenas o sexto título mundial, que certamente vamos alcançar aqui no Brasil, mas incorporar os avanços estruturais que o evento vai trazer.

 Sendo uma das 12 sedes da Copa do Mundo, Manaus enfrenta problemas na infraestrutura: o BNDES ainda não liberou os recursos para a construção da Arena da Amazônia; o sistema de transporte urbano (Motonotrilho-BRT) não vai ficar pronto até 2014 e o aeroporto de Manaus não suporta mais as demandas atuais muito menos no período do mundial. O Ministério do Esporte não está preocupado com essa situação?
Eu não tenho uma visão tão pessimista da capacidade de Manaus receber a Copa do Mundo. Manaus já é uma metrópole, habituada a receber grandes eventos. A cidade já é um destino turístico e de eventos importantes no País. No caso da Arena da Amazônia, o BNDES já liberou o valor de R$ 89,3 milhões. Para liberar valor acima de 20% do teto de R$ 400 milhões, a regra do BNDES exige que o projeto executivo da arena seja aprovado pelo TCU. No caso do estádio de Manaus, a análise técnica já foi concluída no TCU, aguarda-se agora o julgamento do relator.

 E as outras obras, o senhor acredita que serão concluídas a tempo?
Manaus precisa ampliar sua infraesturutra, mas isso não impede de a cidade acolher e realizar com êxito a Copa do Mundo. Não tenho dúvidas de que Manaus conseguirá superar todas as dificuldades; o Governo do Estado está empenhado. O governador Omar Aziz é um entusiasta da Copa do Mundo, assim como a população de Manaus espera com grande expectativa e o Governo Federal vai apoiar com tudo o que estiver ao seu alcance para que as obras sejam realizadas.

 

O apelo e a marca “Amazônia” fazem com que a região seja o segundo destino, depois do Rio de Janeiro, citados pelos turistas que virão à Copa do Mundo. O senhor confia que Manaus terá condições de acomodar bem os visitantes?
De fato, há estudos provando que o fato de sediar a Copa do Mundo mudará a percepção de Manaus como destino turístico. A cidade, antes e depois mundial, pela difusão do nome e imagem da capital amazonense, passará a ser um destino muito mais procurado pelo turismo, pelos congressos, feiras e eventos semelhantes. Essa informação é do setor que investe em hotelaria e que tem Manaus como destino importante dos investimentos pelo futuro e não apenas pela Copa em 2014. Daí o nosso otimismo em relação ao significado da Copa para as 12 capitais escolhidas pela Fifa, com o apoio do Governo brasileiro, entre elas, Manaus, a mais representativa do Brasil na região amazônica.

 O Ministério do Esporte lançou o concurso para o nome da bola da Copa. O Amazonas concorre com a “Caramuri”, que leva o nome de uma fruta silvestre, colhida de quatro em quatro anos. Quando sai o resultado final do concurso e quais as chances de o projeto amazonense ser vitorioso?
Na última visita que fiz a Manaus, a sugestão do nome da bola me foi apresentada. Achei muito simpático, pois, é ligado às coisas do Brasil principalmente por ser da Amazônia. Tem a simbologia e seu nome associado à floresta. Creio que é um nome que vai contar com a simpatia muito grande de todos os que partilharão da escolha do nome da bola. Mas, o Ministério do Esporte não é a instituição que faz a escolha. Podemos opinar, organizar enquetes, mas a escolha é da Fifa e do Comitê Organizador brasileiro.

 Além do seminário sobre a Copa do Mundo, hoje em Manaus, o senhor também assina um acordo de cooperação, com o Governo do Amazonas, incluindo o Estado no programa Segundo Tempo do Ministério do Esporte. O que representa esse acordo?
Quando o Governo Lula criou o Segundo Tempo, priorizou o atendimento de crianças em áreas mais pobres do País e o Amazonas foi escolhido como uma das prioridades. A nossa intenção é manter o Estado dentro do programa prioritário e a celebração desse convênio é para assegurar essa permanência. O Segundo Tempo, que atende aproximadamente dois milhões de crianças em todo o Brasil, precisa continuar atendendo prioritariamente crianças amazônicas, da Região Norte e do Estado do Amazonas.