Publicidade
Esportes
Craque

Nacional 100 anos: Conheça os técnicos que deixaram saudade no clube

Eternizados por conduzirem o Leão da Vila a grandes campanhas, os “mestres para sempre” são o tema do penúltimo capítulo da série em homenagem ao centenário nacionalino 11/12/2012 às 13:03
Show 1
Aderbal Lana orienta Paulo Galvão, que ocuparia o cargo de técnico anos depois
Bruno Tadeu Manaus

O bom mestre a casa torna. Pelo menos no caso do Nacional. Os técnicos que comandaram o clube com sucesso sentiram e deixaram saudade, voltaram e reeditaram triunfos. Não por acaso, eles colecionam títulos estaduais e marcaram a torcida nacionalina com campanhas honrosas em campeonatos brasileiros. Os treinadores mais importantes da história do Leão da Vila Municipal são o tema do nono capítulo em homenagem ao centenário do time.

É justo destacar, inicialmente, o principal descobridor de talentos do clube. Homenageado com o nome do Centro de Treinamento do Nacional, Alfredo Barbosa Filho não conquistou títulos com o time principal, mas nas categorias de base revelou atletas consagrados como Aderbal, Chincha, Téo, Português, Lacinha, Pratinha e Pepeta. Ele também era comandante da Polícia Militar na década de 1960. Faleceu em 6 de março de 1992, aos 72 anos.

Da mesma época de Barbosa Filho, o técnico Walter Félix ganhou destaque ao ser campeão com o Naça na ultima edição do Campeonato Amazonense na era do amadorismo, em 1963, e na primeira do profissionalismo do futebol no Estado, no ano seguinte. No outro bicampeonato nacionalino da década, em 1968 e 1969, José Maria Moraes era o comandante da sequência de títulos.

Os anos 1970 marcaram pelo aumento da rotação de treinadores no comando do Leão da Vila Municipal, com as participações do clube no Campeonato Brasileiro. Na estreia, em 1972, o mineiro Paulo Emílio Frossard foi campeão amazonense com o Nacional e treinou o time durante todo o Brasileirão, deixando-o em 21º de 26 participantes. Mais tarde, Forssard treinaria times como Fluminense, Vasco, Botafogo e Santos. Aposentado, hoje ele é escritor.

Nos dois anos seguintes, os também mineiros João Lacerda Filho, o Barbatana (1973), e Vicente Lage, o Cento e Nove (1974), repetiram o feito de Frossard ao permanecerem no clube por todos os jogos da primeira divisão brasileira com campanhas consideradas boas, dadas as condições do clube em comparação com os adversários.

A estratégia da diretoria nacionalina em manter o treinador por toda temporada foi quebrada em 1975, quando cinco profissionais comandaram o time no Campeonato Brasileiro daquele ano: Edmilson Oliveira, Josenildo Carvalho, Rubens Correa, Wilson Santos e até Barbosa Filho. Curiosamente, a rotação rendeu a melhor colocação do clube na história da competição: 16º entre 42 equipes.

No ano seguinte, o técnico campeão amazonense com o Naça, Arizona, classificou o time para a segunda fase do Brasileiro, mas deixou lugar para Vicente Trajano tentar, sem sucesso, um novo avanço na competição. Ilzo Nery, que levou o Nacional ao título estadual em 1977, também permaneceu para o Campeonato Brasileiro, mas não conseguiu fazer uma boa campanha com o time.

Técnico do Leão da Vila que marcou essa época, porém, foi Laerte Dória. Tricampeão estadual entre 1978 e 1980, o gaúcho é, na companhia de Adinamar Abib, o segundo maior conquistador de campeonatos amazonenses com o clube. Após um desempenho sem sucesso com a equipe no Brasileirão de 1979 (duas derrotas e dois empates), Dória também colaborou com o clube na competição em 1981, ajudando na conquista da 22ª posição na tabela, composta por 44 equipes.

Após o fim da década de 1980, a rotação de técnicos no comando do Nacional se intensificou e passaram a ser raros os comandantes com trabalhos eficientes e em longo prazo. Nos últimos dois anos, nove treinadores passaram pelo clube.


Décadas de Lana
Dos 100 anos de existência do Nacional, pelo menos os últimos 27 foram marcados pelas idas e vindas de Aderbal Lana. E não por acaso ele é o técnico que mais conquistou títulos na história do clube, por ter faturado cinco vezes o Campeonato Amazonense. O dado curioso é que ele foi campeão com o Naça nas quatro últimas décadas.

“Indiscutivelmente, o melhor técnico que passou pelo Nacional foi Aderbal Lana. Ele é um cara respeitado, dizia o que tinha que dizer na cara, tinha bem esse perfil de técnico”, exaltou o jornalista Carlos Zamith, que viu de perto o trabalho de Lana em cada época, desde quando tudo começou, em 1985. Na ocasião, o treinador derrotou o Naça no Vivaldo Lima por 2 a 1, comandando o Mixto-MT na primeira divisão.

“O meu trabalho sempre foi sério, honesto e objetivo. Não olho para os lados, olho para frente. Quem trabalhou comigo sabe que conheço o futebol, mas sou do tipo duro, que não tem retrocesso” , definiu-se o técnico vencedor, que também fez história no São Raimundo no fim da década de 1990.

Para Aderbal Lana, tamanha capacidade não é nata. “Se todo esquema fosse patenteado, o futebol estaria quebrado. Cada um é um jeito. Eu estudo a característica dos jogadores para montar um esquema de jogo. Analiso o time, os jogadores para poder tirar deles a melhor performance técnica, tática e física”, explicou.

Além dos cinco títulos estaduais (1985, 1986, 1991, 2002 e 2012), Lana teve boas performances a frente do Nacional fora do Amazonas, como no 18º lugar do clube no Campeonato Brasileiro de 1985, que reuniu 44 equipes. Após conquistar o Estadual de 1991, Lana deixou o Leão para voltar somente em 2002, mas ficou por pouco tempo. Em 2009, treinou o time na Série D, mas não conseguiu passar da segunda fase.


Presente do rival
Técnico de sucesso, inclusive no rival. Com bons trabalhos no Rio Negro, Adinamar Abib conseguiu se consolidar como um dos maiores vencedores do Nacional nas oportunidades em que o treinou. Foram três títulos estaduais (1995, 1996 e 2007) que renderam ao treinador paraense uma grande confiança da diretoria do clube, admiradora do trabalho de Abib até os tempos de hoje.

Embora tenha treinado o Galo da Praça da Saudade em 12 oportunidades, Adinamar não conseguiu ser campeão com o clube. “No Nacional, fiquei pouco tempo, mas conquistei título (estadual) logo na estreia (1995). Foi um marco na minha passagem no futebol do Amazonas. Contribuiu muito para que eu fosse treinador que todos conhecem”, exaltou.

Antes, o técnico chegou a temer que a fama no arquirrival fosse um empecilho no Naça, o que não aconteceu. “Até pensava que eles não gostavam de mim por treinar muito o Rio Negro, mas a torcida nacionalina sempre me recebeu de braços abertos. Minha ligação com o time rival só era profissional”, esclareceu.

Abib também defendeu o Nacional no Campeonato Brasileiro da Série C, em 1996, e levou o time ao oitavo lugar na competição somando cinco vitórias, quatro derrotas e um empate. Após levar a equipe ao vice-campeonato estadual em 2011, o técnico não obteve sucesso na Série D do Brasileirão, no mesmo ano, e foi demitido após dois jogos sem vencer.

Para o futuro, Adinamar Abib tem novos planos, mas com raízes no clube em que mais venceu. “Gostaria muito de ser coordenador das categorias de base de um clube como o Nacional. Gostaria de formar atletas, pois a falta de preparo deles é o motivo pelo qual não temos mais ídolos. Dessa forma, você busca o torcedor de volta”, avaliou o experiente treinador.


Da base ao profissional
Ao comandar o Nacional no título estadual de 2003, Edson Ângelo se igualou a técnicos como Walter Felix, Paulo Mendes e José Maria Moraes, bicampeões com o clube. O primeiro triunfo de Ângelo com o boné nacionalino foi em 1983 e a receita para o sucesso, segundo ele, foi a mesma: começar treinando a base para depois assumir o time principal.

Construir uma trajetória dos jovens valores de um clube a um título é para poucos, mas o treinador considera esse planejamento como o ideal. “Contratam treinador errado. Na minha época aproveitei jogadores da base que foram campeões comigo. Tem que contratar um cara que jogou no time, treinou a base... Eles chamam um treinador que não tem relação com time. Hoje, o time tem mais dinheiro que antes e isso não acontece”, disparou.

Ângelo foi bicampeão com o time júnior do Nacional em 2004, além de ter conquistado um torneio início com o clube, em 1982. Em campeonatos brasileiros, ele não teve sucesso em 1984, quando empatou duas vezes e perdeu uma na primeira divisão, e em 2003, ao deixar o Naça em 30º na Série C, com cinco vitórias, três empates e uma derrota.

Apesar de ter trabalhado diversas vezes no Nacional, o pernambucano guarda mais críticas à forma de trabalhar do clube que boas lembranças. “Não se justifica um time como o Nacional, que tem o melhor CT do Norte, estar nessa situação. O time que tem a melhor condição tem que ser campeão todos os anos”, opinou.

Afastado do futebol desde o período em que comandou o Grêmio Coariense na segunda divisão local, em 2011, ele quer voltar. “Voltei de um tratamento na coluna. Pretendo trabalhar no futebol amazonense mesmo. Daqui não saio mais”, garantiu.