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Nacional (AM) 100 anos: Relembre os grandes clássicos

Rio-Nal e pai e filho se consolidaram como os principais duelos do futebol amazonense, mas o Leão da Vila Municipal leva a melhor diante de ambos 06/11/2012 às 08:27
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Maior goleada do Nacional sobre o Rio Negro na era profissional foi neste ano
Bruno Tadeu ---

Atrair a atenção massiva dos amazonenses para jogos de competições regionais nunca foi missão fácil, sobretudo nos dias de hoje. No entanto, somente um clássico foi capaz de mexer com as emoções da torcida em proporções maiores. A importância do embate entre Rio Negro e Nacional na massificação do futebol e as maiores rivalidades do Estado são o tema do quarto capítulo da série sobre o centenário do clube.

Tudo começou com uma sonora goleada. Ou melhor, duas. No dia 2 de março de 1914, no campo do Bosque Municipal, hoje extensão da Avenida Constantino Nery, o Nacional enfrentou o Rio Negro pela primeira vez e venceu com facilidade: 9 a 0 diante de um time que ainda estava em formação. Na segunda partida, o massacre foi de 12 a 0, o maior da história do clássico.

A partir de 1916, o Leão da Vila Municipal conquistou cinco títulos estaduais seguidos, sendo três vice-campeonatos para o Rio Negro, o que sugere um impulso para a rivalidade entre os times. O Naça, entretanto, tinha uma vantagem. “O Nacional teve logo a adesão da grande massa. O Rio Negro tinha o pessoal de maior poder aquisitivo, então passou a existir uma rivalidade muito grande. O Nacional como o time do povo e o Rio Negro da elite”, constatou o ex-presidente do clube, Manoel do Carmo, o Maneca.

Tamanha atmosfera entre as equipes foi além das quatro linhas. O clássico se tornou uma atração da cidade, opção inevitável nos fins de semana, seja no Bosque Municipal, no Parque Amazonense, ou no Estádio Vivaldo Lima. “Era uma forma de extravasamento do povo, das suas sensações de alegria, contentamento, e os jogos eram muito duros. Raramente acontecia um placar dilatado. Em dia de Rio-Nal, carreatas pela cidade durante a manhã toda de domingo”, recorda Maneca.

Quando o futebol amazonense se tornou profissional, a partir de 1964, a relevância do clássico passou a ficar evidente nas rendas das partidas. “No geral, a importância do Nacional vinha principalmente dos clássicos, porque levava gente ao estádio. Teve clássico com 40 mil pagantes à noite, no Vivaldão. Nessa época, eu era tesoureiro da Federação Amazonense de Futebol (FAF) e fiquei doido de ver tanto dinheiro na bilheteria”, lembrou o jornalista Carlos Zamith.

Em 1968, o jornalista Guilherme Gadelha introduziu na imprensa escrita, pela primeira vez, o termo “Rio-Nal”, atribuição originada graças à falta de espaço numa coluna do jornal. O “apelido” teve grande aceitação do público, que no ano seguinte comprou 23.152 ingressos para prestigiar o duelo na Colina, empatado em 0 a 0. Dez anos depois, foi a vez do Vivaldão receber o maior público da história do clássico: 40.193 pessoas assistiram a vitória do Leão por 1 a 0, no dia 26 de setembro de 1979.

Filho em segundo plano

Filho de peixe, peixinho é. Tal como ocorreu no nascimento do Nacional, em 1913, o Fast surgiu após um atrito de dirigentes e jogadores, o que resultou em dissidência. No dia 8 de julho de 1930, o ex-presidente do Leão da Vila Municipal, Vivaldo Lima, fundou o Nacional Fast Clube e com ele trouxe a base do ex-time. Restou ao Naça contratar jogadores do interior do Amazonas e mesclar com as categorias de base. Fórmula que, para a sorte dos remanescentes, deu muito certo.

“No primeiro jogo amistoso do novo time, contra o Fast, o Nacional ganhou de 3 a 1. Já na estreia o filho não saiu vitorioso”, lembrou Maneca. Para ele, a tradição deste duelo é bastante inferior a do Rio-Nal. “O Fast trocou a estrela azul pela dourada, tanto é que os torcedores nacionalinos brincavam que o Fast era o único tricolor de quatro cores, por causa da estrela dourada”, constatou o ex-dirigente.

A rivalidade também tem menos equilíbrio, historicamente falando. Desde quando o futebol amazonense se tornou profissional, em 1964, pai e filho duelaram por 126 vezes, sendo que o Nacional venceu 71, enquanto o Fast saiu vitorioso em apenas 27 ocasiões. Os nacionalinos também massacram nos gols marcados no clássico: 208 contra somente 106 do rival, do profissionalismo até 2012.

Em decisões, o Nacional é absoluto. Foram oito encontros com o Rolo Compressor e 100% de aproveitamento a partir da profissionalização: em 1968, 1972, 1974, 1977, 1980, 1991, 2007 e este ano.

Artilheiros e a muralha

Tamanho era o equilíbrio nos clássicos que dificilmente se atribuía a algum artilheiro do Nacional a denominação de carrasco. Para que isso acontecesse, foi preciso a diretoria do clube buscar um goleador ex-Seleção Brasileira, em 1984. Mesmo em fim de carreira, Dario é o nome lembrado de imediato por Maneca quando o assunto é fazer gols no Rio Negro. “Em todos os jogos contra eles, o Dadá decidiu”, afirma.

Talvez por ironia do destino, Dario Maravilha foi contrato pelo Nacional após um amistoso do Rio Negro contra o Vasco, em Manaus. Dario vestiu a camisa do Galo somente para aquela ocasião, o suficiente para o Naça ter interesse no Peito de Aço. “O Rio Negro bobeou e o Nacional me contratou. Faltava um finalizador no time e eu arrebentei a boca do balão”, lembrou Dadá, artilheiro do Estadual de 1984 com 14 gols.

Careca e Pretinho, ambos já falecidos, também deram alegrias à torcida nacionalina nos confrontos com os rivais. Artilheiro do Amazonense em 1977 defendendo o Nacional, Zezinho Bastos frisa a importância de marcar um gol nos clássicos. “Um gol era algo fabuloso, porque os clubes te fechavam muito. Dificilmente você via uma goleada. O título de 1977 foi numa vitória de 1 a 0 sobre o Fast, gol do Aloísio Queixada”, lembrou.

Se fosse necessário estabelecer um bom motivo para que não houvesse muitos artilheiros nacionalinos em clássicos, este seria Clovis, o Aranha Negra. Na década de 1960, o goleiro do Rio Negro foi a barreira que ajudou a segurar o Naça.