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Nacional (AM) 100 anos: Relembre os grandes craques do Leão da Vila Municipal

Segundo capítulo da série em homenagem ao centenário do Naça vai lembrar os craques que marcaram época no clube, bem como os seus grandes feitos e o que eles fazem atualmente 23/10/2012 às 09:07
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Pepeta chamava a atenção pela velocidade
Bruno Tadeu Manaus

Não foram contratações milionárias, nem atletas de outros Estados, muito menos estrangeiros. Os craques que mais encantaram os torcedores nacionalinos nasceram no Amazonas e surgiram para o futebol graças às categorias de base dos clubes. Esses notáveis talentos não apenas colecionaram títulos estaduais como também chamaram a atenção dos gigantes Flamengo, Fluminense, Palmeiras, Cruzeiro, entre outras grandes forças do Brasil. Eles são o tema da segunda edição da série especial do CRAQUE sobre o centenário do Nacional Futebol Clube.

Nos últimos cem anos, os principais ídolos do time foram eternizados de acordo com o momento histórico em que viveram: nas primeiras décadas, o impacto do novo. No período de consolidação do futebol, destacavam-se mais os goleadores. Na era romântica, após bi mundial do Brasil, eram os adeptos do futebol arte que encantaram. E quando a tática passou a prevalecer, sobressaíam-se os polivalentes. Para cada época, o Naça teve um craque.

Se depender da memória e opinião do historiador Carlos Zamith, o atacante Paulo Onety é o primeiro dessa lista. “Eu costumava dizer que o Onety estava 5 anos na frente dos demais jogadores. Era um craque!”, exaltou. Nascido em Itacoatiara, no ano de 1924, Onety conquistou quatro estaduais com o Leão na década de 1940. Ficou famoso por marcar cinco gols no massacre de 13 a 0 do Nacional sobre o extinto Independência, maior goleada da história do clube, sacramentada no dia 24 de maio de 1942.

Também mereceu destaque de Zamith, desta vez na década de 1950, um atacante chamado Carlos Alberto de Souza Abreu, mas conhecido como Português. Apesar de displicente em algumas jogadas, provavelmente por não ter muitas pretensões no futebol, Português chamava a atenção pelos dribles e pelo faro de gol. Com a camisa do Nacional, ele foi vice-artilheiro do Campeonato Amazonense de 1957, com 30 gols.

De todas as décadas, nenhuma foi tão marcante para o Nacional como a de 1960. Período de Marialvo, goleiro revelado pelo América e que chegou ao Naça no fim da década para nunca mais ser esquecido. Atualmente com 69 anos, o ídolo se recupera de um acidente vascular cerebral (AVC), que sofreu no dia 3 de setembro deste ano.

Ex-companheiros de Marialvo, o zagueiro Sula e o lateral esquerdo Téo também foram destaque no time daquela época, com direito a status de ídolos. No histórico ataque daquela equipe, também marcou época o centroavante Pretinho, goleador nato nos anos de 1960 eternizado na memória dos torcedores da época. Ele faleceu em 2003, vítima de diabetes.

Nos anos de 1980, foi a vez do atacante Raulino chamar a atenção da torcida pelos gols que marcava. Em 2010, aos 55 anos de idade, Raulino faleceu em decorrência de problemas de pressão sanguínea.


Ex-jogador do Nacional - pepeta

Ídolo dos anos 60
Quando Ricardo dos Santos Silva jogou pela primeira vez na quadra de futebol de salão do Nacional, em 1962, o técnico do time de futebol, Barbosa Filho, precisou assistir apenas dois jogos do jovem de 17 anos para ter convicção de que ali estava nascendo um craque. Dono de uma explosão surpreendente e dribles rápidos, Ricardo foi imediatamente chamado para compor o time juvenil do clube. Um treino foi o bastante para deixar o treinador encantado e escalá-lo no time principal do Naça, para vestir a camisa 11 e ser eternizado por um apelido: Pepeta.

“Fui convidado para jogar na ponta esquerda no time principal contra o São Raimundo, na Colina, e me elegeram o craque da rodada. Daí em diante, tomei conta da posição”, lembrou Pepeta. A partida terminou em 4 a 2 para o Nacional, com dois gols da revelação e, provavelmente, muita dor de cabeça para o lateral direito do São Raimundo que tentou marcar o ponta.

Aos 18 anos, Pepeta já tinha status de ídolo, consagração que não foi conquistada à toa. Ele foi protagonista nas conquistas dos estaduais de 1963 e 1964, atuando num estilo que ele diz ser semelhante ao do atual melhor jogador do mundo, o argentino Lionel Messi. “Eu era muito agressivo para fazer gols. Quando eu pegava a bola pela esquerda, entrava cortando pelo meio. Normalmente tinham dois defensores querendo me marcar, mas nunca me machuquei”, ressaltou.

Tamanho talento chamou a atenção do Palmeiras, onde Pepeta ficou durante o primeiro semestre de 1963. Voltou com saudades da família e para conquistar mais um bicampeonato estadual com o Nacional, em 1969, além de marcar o gol da vitória do Leão sobre o Maringá, no mesmo ano, em torneio disputado no Maracanã.


Ex-jogador do Nacional, Antonio Ricardo - Rolinha

‘Diga ao povo que fico’
Antonio Ricardo Peixoto Lima, o Rolinha, era um meio-campista clássico. “Era mais ou menos o estilo do Gerson. A forma como ele jogava, tocava... Não é que fosse igual ao Gerson, mas aquele jeito que ele jogava era semelhante ao meu”, comparou o ídolo. Revelado no Rio Negro, Rolinha teve sua consagração no Nacional antes de encerrar a carreira no Fast. Talentoso desde os 14 anos, ele recusou um convite do Botafogo quando ainda era atleta juvenil.

Para a sorte dos clubes em que Rolinha passou, as propostas que vinham de outros estados, como as de Fluminense-RJ, Cruzeiro-MG e Guarani-SP, foram todas negadas pelo jogador, que se recusava a deixar a mãe viúva sozinha em Manaus. Melhor para o Nacional, que teve o reforço do maestro nas conquistas locais de 1968 e 1969, além da vitória histórica no Maracanã em 1969.

Tamanha visibilidade desde o início da carreira se deve aos bons trabalhos que os clubes do Amazonas realizavam nas divisões de base, segundo Rolinha. “Os clubes tinham uma preocupação em trabalhar as categorias de base. Teve época do Nacional em que todo o pessoal da base ascendeu para o time principal. O Rio Negro, o Nacional, o América e o Fast tinham um trabalho muito bem feito. Os irmãos Piola são frutos das categorias de base do Fast”, <br/>constatou.

Apesar de ter rejeitado propostas para jogar em clubes de ponta do futebol brasileiro, Rolinha nunca foi rico. Graduado em educação física pouco antes de encerrar a carreira, atualmente é professor.


Ex-jogador do Nacional - Sérgio Duarte

De Manaus a Portugal
Da categoria dente de leite do Nacional para a Europa. Numa trajetória diferente aos padrões dos ídolos do Estado, Sergio Duarte se tornou o principal exemplo de como um atleta amazonense, se bem preparado e valorizado, pode atingir um nível além das fronteiras brasileiras. Quatro vezes campeão pelo Nacional na década de 1980, o amazonense passou pelo Flamengo e somou 17 anos atuando em times de <br/>Portugal.

A aproximação de Duarte com o clube se deu de forma romântica. Filho de um torcedor fanático do Naça, ele era levado ao estádio para assistir aos jogos com o pai. Da arquibancada ele ficou sabendo das 'peneiras' do clube. “Um amigo me chamou para fazer os testes, que hoje em dia fazem para jogar nos times de fora. Na minha época, era feito para jogar nos clubes daqui”, observou.

Sob os olhares do técnico Moisés Silva, Sérgio Duarte passou por uma semana de teste até ser aprovado para jogar no time principal. “A partir daí, comecei a jogar futebol com Nacional e não parei mais. Foi uma fase muito importante para a carreira que produzi. Disputei campeonatos da categoria infantil, juvenil e juniores, que jogavam com o time principal e isso motivava muito a gente”, lembrou.

Volante clássico, marcador e ao mesmo tempo apoiador, Duarte passou por seis equipes portuguesas, uma escocesa, além de um empréstimo ao Flamengo quando ele tinha apenas 18 anos. Aos 46, ele sonha em repetir o sucesso na função de treinador.