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Nacional-Amazonas: E os Próximos 100 Anos?

Último capítulo da série em homenagem ao centenário do Nacional trata do futuro do clube, que aprendeu com os erros dos últimos anos, mas ainda tem diversos desafios pela frente 18/12/2012 às 08:06
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Nacional F.C. 41 anos títulos estaduais
Bruno Tadeu Manaus

A era pós-centenário está prestes a começar e o Nacional vive situação semelhante a que passou na maior parte da sua existência: favorito ao título estadual, principal investidor nas categorias de base e representante do Estado em competições nacionais. O problema, no entanto, é que o futebol se modernizou, o clube viu sua torcida reduzir e ainda assim insiste com planejamentos em curto prazo, como já adiantou o presidente eleito para o próximo biênio, Mário Cortez. O futuro incerto é o tema do último capítulo da série em homenagem aos 100 anos do Nacional.

Para o ano do centenário, a estratégia da diretoria nacionalina agrada: parte do elenco campeão amazonense deste ano retorna após uma espécie de intercâmbio no Uberlândia-MG. Jovens valores do clube emprestados no segundo semestre também devem estar à disposição do novo técnico, ainda não anunciado. Ao que tudo indica, o time aprendeu com os erros das últimas décadas e não dá sinais de que pretende repetir as debandadas.


“Vamos formar um time a altura das tradições do futebol do Nacional. Temos três competições (Estadual, Copa do Brasil e Série D), então temos que tentar alcançar a Série C. Precisamos de um time forte e, em cima disso, conseguir bons investimentos”, declarou Mário Cortez logo após a posse como presidente. “Dia 2 de janeiro o Nacional se apresenta e vamos montar logo o time para mantê-lo no segundo semestre”, prometeu.

Além do elenco forte, Cortez espera anunciar também um técnico para toda a temporada seguinte e mais dois jogadores consagrados no futebol brasileiro. O plano requer recursos, mas o Nacional ainda não tem patrocinadores, de acordo com o próprio dirigente. “Estamos fechando com patrocinadores. Por enquanto não temos nenhum. A gente quer ver se consegue estabelecer um teto salarial de R$ 120 mil a R$ 150 mil”, adiantou.

Se dentro das quatro linhas os rumos parecem promissores, pelo menos para 2013, o mesmo não se pode dizer da parte patrimonial do clube. Apesar de contar com um centro de treinamento exemplar, o Nacional sequer cogita a possibilidade de, enfim, ter o próprio estádio. A chance que surgiu com a possível venda do CT e a compra de um terreno em Iranduba (a 27 quilômetros a sudoeste de Manaus) parece ter ido por água abaixo, pois as negociações com o grupo interessado no espaço esfriaram e, para Cortez, estádio novo só em caso de sucesso nesse acordo.


A procura por patrocinadores no fim do ano mostra que a tradição do clube não é suficiente para garantir um investidor máster, consequências da falta de credibilidade do futebol amazonense no mercado. O reflexo desse impasse também é evidenciado na torcida, levando em conta as poucas adesões ao último programa de sócios do Naça, a Rede Leão de Vantagens, que oferece desconto em diversos estabelecimentos para os torcedores filiados que pagam uma mensalidade de R$ 20.

“A Rede Leão de Vantagens está muito devagar porque infelizmente lançamos num momento errado, visto que era o encerramento do campeonato regional e o clube ficou sem atividades. Acreditamos que a partir de janeiro o torcedor vai colaborar”, estimou o futuro presidente. Segundo ele, o clube conta com aproximadamente 100 associados ao programa. O atual presidente, Luis Augusto Mitoso, disse no anuncio do programa que a meta era alcançar 5 mil sócios-torcedores.

Apesar dos insucessos dos últimos anos, a cúpula nacionalina será formada apenas por pessoas que integravam ou já integraram a diretoria do clube: Mário Cortez vai exercer seu segundo mandato como presidente; Giovani Alves permanece como diretor de futebol ao lado de Gilson Motta, enquanto o atual presidente, Luis Augusto Mitoso, será o vice de Cortez. Como conselheiros, Manoel do Carmo, o Maneca, e Evandro Farias estão confirmados, ambos ex-presidentes.


Talentos da base, enfim, valorizados
No Boletim Informativo Diário (BID) da CBF, o Nacional tem 14 jogadores registrados, sendo que sete têm idade para disputar a Copa São Paulo de Futebol Júnior de 2013 – competição com atletas nascidos até 1993. Fruto do trabalho com as divisões de base, os outros sete se tornaram opções frequentes no time principal e têm contratos mais longos. A forma com a qual o clube trata suas revelações evoluiu.

Para chegar ao patamar atual, o Naça tropeçou e perdeu valores que poderiam render mais financeiramente ou pelo menos tecnicamente. Jogadores como França, Júnior Negão e Tiago Verçosa surgiram como grandes promessas, mas não tiveram a atenção devida e saíram sem trazer retorno ao clube. O exemplo mais recente de desperdício de talento do Nacional é o jovem Weverton, de 19 anos.

Formado na base do Leão da Vila Municipal e com duas participações na Copa São Paulo no currículo, o atacante não foi aproveitado e foi parar no Holanda, onde disputou o Campeonato Amazonense deste ano e anotou quatro gols. Ele está emprestado ao time juvenil do Nacional e vai representar o clube pelo terceiro ano consecutivo, mas possui contrato com a Laranja.

O segundo semestre de 2012, porém, ficou marcado pela atenção do Naça às divisões de base. Jogadores que estouraram a idade da categoria júnior, por exemplo, foram emprestados para o Primavera-SP, que disputou a Série B do Campeonato Paulista e foi eliminado na segunda fase. Após a experiência, os mesmos atletas passaram a defender o time paraense do Santa Rosa, enquanto o goleiro Jonathan, xodó do clube este ano, foi para o Uberlândia-MG, onde permanece até então.

De quebra, o time foi campeão amazonense nas categorias juvenil e infantil neste ano. Talento o Nacional tem em casa. Resta saber se o clube está pronto para aproveitá-los entre os profissionais.