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‘Não vai ter Furacão na Copa’, diz Jairzinho

Ex-jogador fala da Seleção Brasileira, Copa, filho demitido no Botafogo e até de racismo no futebol 26/04/2014 às 17:05
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Jairzinho, o Furacão da Copa do Mundo no México, disputada em 1970
Paulo André Nunes Manaus (AM)

Um furacão do bem, que passava por cima dos adversários dentro de campo com uma habilidade e faro inconfundíveis, além de velocidade, ousadia, força e preparo físico invejáveis. E que, na Copa do Mundo de 1970 no México, atropelou quem passava pela frente e ainda marcou gols em todas as partidas daquele Mundial vencido pela Seleção Brasileira. Jairzinho era isso. E é muito mais. Em bate-bola com a reportagem do CRAQUE, antes de um evento no Rio de Janeiro, o ex-atacante Jair Ventura Filho, o Jairzinho, “Furacão da Copa de 70”, aos 69 anos de idade, não titubeou e respondeu a todas as perguntas, sem ficar em cima do muro. Direto e objetivo, assim como os gols que marcava - principalmente no seu Botafogo, onde começou e encerrou a carreira.

E não faltariam, claro, as tradicionais perguntas pré-Copa do Mundo, sobre a Seleção, Neymar, etc. Em meio à entrevista, Jairzinho também falou, em tom de lamentação, da saída do seu filho, que também se chama Jair e é ex-jogador, da comissão técnica do Botafogo. Era ele o responsável por fazer as pesquisas alusivas aos adversários, e a palestra da semana dos jogos do Botafogo. “E chega certa hora e mandam ele embora”, fala Jairzinho, em tom enfático.

Outro questionamento: é o racismo, famigerado sentimento que se alastra pelos gramados do mundo? E vai ter Furacão nesta Copa? Eis a entrevista na íntegra:

Para esta Copa do Mundo a expectativa é muito grande, inclusive Manaus é uma das cidades-sedes. Qual a sua expectativa real tendo em vista que “chovem” críticas e a torcida espera que a Seleção seja campeã?

O melhor espelho que temos para essa Copa do Mundo foi a Copa das Confederações, onde o Brasil ganhou, e ganhou bem a competição. Se ele reeditar a mesma performance daquele evento, evidentemente vai ganhar mais esse título.

Quem vai ser o Furacão dessa Copa do Mundo pelo Brasil?

Não tem furacão. Furacão é só um.

Mas, então, quem pode ser o grande destaque da Seleção Brasileira no Mundial? Neymar?

Ele é o único (destaque) pra mim.

Qual jogador você gostaria que fosse convocado pelo técnico Luiz Felipe Scolari para o Brasil nesta Copa?

Não sei. Vou esperar a lista do Felipão sair para eu fazer a minha análise e as minhas colocações.

Recentemente, o ex-jogador Paulo César Caju, também tricampeão mundial no México como você, deu declarações polêmicas criticando Pelé e dizendo que o Atleta do Século poderia ter sido mais atuante quanto à essa questão do racismo. Qual a sua opinião sobre essa declaração tendo em vista que você jogou com ambos os atletas?

Olha, essa é uma declaração individual do Paulo César, não é mesmo? Eu não estou aqui para advogar o Pelé ou o Caju. Nós vivemos em uma democracia com livre expressão. Já que o Paulo César assim colocou, que cada um faça a sua avaliação e seu julgamento. Eu respeito ele como homem e, como jogador, foi um dos maiores do Mundo, assim como Pelé também foi.

A propósito, você já foi vítima de racismo? Você nunca tocou nesse assunto...

Eu não posso tocar naquilo que nunca aconteceu comigo. Então não posso falar. Mas não houve nada relacionado a isso. Até agora, não senti essa sensação.

Então, você acha que, aqui no Brasil, lendas do futebol e que representam tanto para o País, estão imunes ao racismo?

Todas as vezes que nós, pessoas públicas, atingimos um público de todas as formas, pra um você atinge positivamente, e para outro negativamente. Isso faz parte da cultura do brasileiro. Você tem que estar preparado para receber todo tipo de reconhecimento negativo e positivo.

Seu filho, Jair, que é ex-jogador de futebol, estava trabalhando na comissão técnica profissional do Botafogo, mas saiu recentemente. O que houve?

Ele teve o desgosto de ser liberado pelo atual presidente do clube (Maurício Assumpção) na época do Natal do ano passado. Foi o presente de Natal dele, infelizmente.

Qual a importância de um programa como esse da Petrobras, do qual você participa?

Eu só tenho que parabenizar a Petrobras por justamente estar atenta à sociedade por intermédio do esporte. Não importando a modalidade, e sim, justamente, a integração à cidadania que é importante à população. E sou um dos agregados e sou bem reconhecido e fazendo um trabalho na favela de Manguinhos com 450 garotos. Portanto, graças à Petrobras. E acho que todos nós temos que parabenizar não essa iniciativa, mas esse segmento de cidadania que a empresa desenvolve por meio do esporte.

Como você analisa essa falta de apoio ao esporte, no tocante à iniciativa privada, que existe aqui no Brasil?

A vida, ela é uma cópia. Você vai copiar quando é bom e não vai quando é errado. Então, a Petrobras é uma realidade nacional e que eu acho que as outras podem, por intermédio dela, colher um porquê, e desenvolver do porquê.