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'Niguém quer assumir o Nacional', diz novo presidente do clube

Foi o que o novo presidente do Leão da Vila, Mário Cortez disse em entrevista ao CRAQUE, após  ser questionado sobre o retorno ao comando do time 05/12/2012 às 14:27
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Presidente do Nacional-AM Mário Cortez
Adan Garantizado Manaus

Uma das principais diversões do adolescente Mário Cortez era se divertir na sede do clube que ficava ao lado da casa dele, na rua Saldanha Marinho, Centro da cidade. Naquela época, talvez Cortez sequer imaginasse que, um dia, ele comandaria o mesmo clube, no ano mais importante da instituição. Aclamado presidente do Nacional no último sábado, o empresário de 58 anos, começa seu terceiro mandato como presidente do Leão da Vila Municipal. Em pleno ano do centenário, o Naça é o único clube amazonense que tem calendário garantido para o ano que vem, disputando além do Estadual, a Copa do Brasil e o Brasileiro da Série D.

Apaixonado pelo clube como se descreve, Mário guarda com exatidão datas, equipes e conquistas na memória. Ele recebeu a equipe do CRAQUE na sala de troféus do clube, em Adrianópolis, e entre lembranças, Cortez falou sobre suas pretensões para o biênio 2013/2014. Sem esconder a obsessão por novos títulos e pelo acesso à terceira divisão do Brasileiro, o novo presidente vai buscar inspiração em um dos grandes rivais recentes do Naça: o São Raimundo dos anos 90 e 2000.

O senhor já comandou o Nacional entre 95-99 e foi vice presidente entre 2002-2007. Porque resolveu se lançar candidato mais uma vez, e em um ano tão importante?
Eu já havia prometido dar dois anos da minha vida pra administrar o Nacional. Aqui no Nacional ninguém visa cargo, todos querem somar. Mas, infelizmente, um só pode comandar. Eu queria que houvesse uma eleição bem disputada para sentir o gosto da vitória ou da derrota. Mas, há 20 anos a eleição no Nacional é por aclamação, afinal, ninguém quer assumir. O clube arrecada 5 e gasta 15, então alguém tem que meter a mão no bolso. Aí é fogo. Mas não vou meter a mão no bolso. Vou entrar com créditos, pois quem tem crédito na praça vale mais do que dinheiro no bolso. Com crédito, o céu é o limite.

A sua pretensão é unir todas as forças políticas do Nacional em sua gestão?
Não vejo tantas divergências. Muitas vezes, um tem mais tempo do que o outro, mas isto não atrapalha em nada. Todo mundo está integrado desta vez. Eu sou o presidente, o Luiz Augusto Mitoso é o vice. O departamento de futebol será comandado pelo dr. Evandro Paes de Farias e pelo Manoel do Carmo Chaves (Maneca). Os adjuntos serão Geovane Silva e Gilson Motta. Estas pessoas que vão dar as informações sobre o futebol. O presidente vai apenas delegar funções.

O governador Omar Aziz é uma figura influente no comando do Nacional. Como será sua relação com ele? O fato de ele ser nacionalino vai ajudar o clube de alguma maneira?
Infelizmente o nosso grande benemérito Omar Aziz não tem mais tempo para se dedicar ao clube. Há dez anos atrás ele convivia diretamente aqui. Mas na função de governador do Estado, ele não pode mais fazer isso. Sei que o Omar, como bom nacionalino, sempre teve um bom relacionamento comigo. É um amigo e vamos ter a convivência mais cordial possível. Ele é um nacionalino nato e não vai se recusar a ajudar, dentro das possibilidades. Mas nós também não podemos explorá-lo, pois ele é o governador do Estado. Não é o governador do Nacional. Tudo o que fizer pelo Nacional, ele terá que fazer para os outros clubes. Contamos com a torcida dele, mas dentro de um respeito mútuo.

Como estão os planos para o elenco do Nacional no ano que vem ?
O objetivo é formar uma boa equipe já para o regional e que esta equipe tenha sequência na Série D. Equipe de futebol é conjunto e entrosamento não se consegue de uma hora para outra. O São Raimundo é um dos maiores exemplos locais disto. O clube só conseguiu todo aquele sucesso porque manteve a base durante vários anos. A nossa pretensão em relação ao futebol é fazer isso. Temos alguns patrocínios bem encaminhados e eles vão ajudar a dar suporte Queremos trazer a base que foi campeã estadual e está jogando no Uberlândia-MG. E vamos tentar trazer atletas de qualidade. Se possível, dois nomes de peso para o elenco. O treinador vem de fora. Não tenho nada contra aos profissionais locais. mas optamos por alguém interestadual desta vez.

As últimas participações do Nacional na Série D foram traumáticas. O que fazer desta vez para ser diferente?
Nem me fale isso... Não gosto nem de ouvir falar em Cristal-AP (2009). Aquele jogo foi um acidente que nem o América. São coisas que só acontecem de cem em cem anos. O América com uma equipe mediana e sem recursos, foi vencendo e vencendo até ser vice-campeão brasileiro. Só não chegou na Série C por desordem administrativa. Os ventos sopraram à favor deles em campo, mas isto só acontece de séculos em séculos. É só ver o que aconteceu depois. Em 2011 foi o maior desastre que aconteceu, pois sequer passamos de fase. Continuo dizendo que temos que manter uma boa base e evitar que esses vexames venham a acontecer.

Como ficou a permuta do CT do Nacional por um estádio e um moderno CT em Iranduba?
O que acontece é que aquela permuta envolvia o terreno que faz frente para o Aleixo. Esse terreno pertence ao Carrefour. A construtora Unipar, que era nossa parceira na permuta, desejava comprar este terreno do Carrefour para facilitar o acesso ao condomínio que seria construído onde está o CT. A entrada e saída ali onde o CT está localizado é complicada. Só existe uma pequena via. Mas o Carrefour teve alguns problemas e suspendeu temporariamente todas as negociações que estavam fazendo no Brasil. E isso inviabilizou a permuta. A Unipar já havia comprado o terreno no Iranduba e nós já havíamos visitado lá algumas vezes. Eram mil metros quadrados. Seria a nossa redenção, pois teríamos um estádio de jogo, dois campos de treinamento, alojamentos, piscina, sala de jogos. Seria um verdadeiro centro de treinamento. Se a Unipar e o Carrefour se resolverem, o acordo está de pé.