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No Treze, Garrincha e Nilton Santos também foram ídolos

Jogadores históricos do Botafogo já disputaram partidas pelo time de Campina Grande, no fim de suas respectivas carreiras 14/03/2012 às 09:35
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Garrincha atuou pelo Treze contra a Romênia, em 1968
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Botafogo e Treze (PB) têm como grandes ídolos Garrincha e Nilton Santos. Isso pode surpreender, mas é verdade. Rivais hoje em João Pessoa (PB) em duelo no Almeidão, às 22h, pela primeira fase na Copa do Brasil, os clubes têm histórias de sobra com a dupla bicampeã mundial pela Seleção. O LANCENET! foi até Campina Grande, cidade do Treze, a 130 quilômetros da capital, para revelar tudo.

Na sede do Treze, no Estádio Presidente Vargas, a reportagem encontrou o professor do Cesed/Facisa-PB (Centro de Ensino Superior e Desenvolvimento/Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas) Mário Vinícius, de 49 anos, que publicou, em 2006, o livro “Treze Futebol Clube: 80 anos de história”. Ele conta a passagem de Garrincha e Nilton Santos pelo clube, em um jogo especial nos anos 60.

Em 8 de fevereiro de 1968, Garrincha e seus 34 anos enfrentaram a seleção da Romênia, em derrota por 2 a 1. Um ano depois, em 31 de agosto, diante do Campo Grande (RJ), o lateral-esquerdo Nilton Santos, aos 44 anos, e de zagueiro, se destacou em vitória do Treze por 1 a 0. Ambos os confrontos foram no Presidente Vargas, com mais de 10 mil pessoas.

Os registros dessas passagens quase foram perdidas com o tempo, porém Mário Vinícius fez um resgate e tanto, que o enche de orgulho.

– Para achar a foto do Nilton Santos pelo Treze, precisei olhar duas mil imagens. Quando encontrei, foi a maior alegria do mundo – destacou.


Mas como Garrincha, um dos maiores atacantes do mundo, foi parar no interior da Paraíba? E Nilton Santos? Mário Vinícius explicou:

– Morava em Campina Grande um camarada húngaro chamado Janos Tatray, que tinha influência no futebol e contratou os craques. Ele foi prisioneiro de guerra, esteve em 44 países antes de vir ao Brasil. Para ele nada era impossível – comentou.

Ao Botafogo, resta pontuar na bola. Boas lembranças, só no passado.

EMOÇÃO EM PAPO NO CAMPO DE JOGO

– Foi aqui, nesta ponta direita. Já no final do primeiro tempo, Garrincha colocou um zagueiro para dançar como nos velhos tempos. Não era mais o mesmo, mas saiu no segundo tempo, aplaudido de pé.

Emocionado, o professor Mário Vinícius convida a reportagem para o campo e posa para foto ali, onde Garrincha foi rei por segundos. Hoje, o estádio é limitado para 5 mil pessoas e não recebe partidas.

A diretoria do Treze pretende re-ormar o estádio para reativá-lo no ano que vem. Enquanto isso, o time profissional treina no solo sagrado.

– Aqui na Paraíba, só o Treze teve dois bicampeões do mundo. Isso é honra demais. Em termos de renome, são os maiores jogadores da nossa História – disse Mário Vinícius.

Papo vai, papo vem, o gerente de futebol do Treze, Josimar Barbosa, se aproxima e não contém a alegria.

– Vi Nilton Santos aqui. Eu estava na arquibancada. Que jogador! Nos conquistou. Ele iria sair no intervalo, mas pediu para jogar o segundo tempo. Dá muita saudade. Falando assim, parece que estou o vendo aqui, bem na minha frente – comentou Josimar Barbosa, antes de lembrança do professor Mário:

– Nilton Santos só vestiu três camisas. A do Botafogo, a da Seleção e a do Treze. Dá orgulho demais.

LIVRO SAI APÓS PESQUISA DE 30 ANOS

Garrincha e Nilton Santos ocupam algumas das 535 páginas do livro “Treze Futebol Clube: 80 anos de história”. A publicação conta toda a história do Galo da Borborema, em pesquisa de quase 30 anos.

– Quando eu tinha 12 anos, vi uma foto do Treze no livro sobre os 50 anos do clube e um ex-jogador disse que estava naquela imagem, que era de 1948. Foi aí que pensei: “Nossa, como é interessante resgatar as memórias”. Mesmo pequeno, fiz uma promessa a mim, de que escreveria um livro sobre o Treze no ano 2000, para os 75 anos do clube. Não saiu no ano certo, mas agora está pronto (risos). Vim guardando material desde novo — comentou o professor Mário Vinícius.

O livro é vendido na loja oficial do Treze, no centro de Campina Grande, e pela internet. Por conta da grande quantidade de fotos de jogos do Treze contra seleções internacionais, a obra está disponível em bibliotecas na Argentina, Alemanha, Holanda, Itália, Portugal, entre outros países.

– Um amigo deixou o livro na sede da federação de futebol da Argentina e eles ficaram loucos com uma foto rara da seleção deles. No fim, o livro virou peça de exposição em museu – lembrou Mário Vinícius.

GARRINCHA NO TREZE

Adversário forte
Em 8 de fevereiro de 1968, ocorre um acontecimento histórico. Garrincha, o Anjo das pernas tortas, está em Campina Grande para jogar pelo Treze (PB) contra a seleção da Romênia, já classificada para a Copa do Mundo, que viria ocorrer dois anos depois.

Atração especial
Já entregue ao alcoolismo, que o matou em 1983, aos 49 anos, Garrincha ainda era atração em cidades do Norte-Nordeste. Quem quisesse ver o show ao vivo precisava pagar. Mas valia muito a pena.

A alegria do povo
No Estádio Presidente Vargas, Garrincha foi o centro dos holofotes. Até atendeu o pedido de um time amador que jogou a preliminar do Treze: ele saiu na foto posada da equipe. Em campo, foi mediano. A Romênia ganhou por 2 a 1.


NILTON SANTOS NO TREZE

Igual ao vinho
Quanto mais velho... Nilton Santos, aos 44 anos, pintou em Campina Grande para outro jogo promocional. Após o frenesi com Garrincha, tudo levava a crer que outro ídolo traria a mesma alegria para a cidade. E isso ocorreu. O lateral-esquerdo estava ainda em forma, mesmo aposentado há cinco anos. No campo, deu baile.

Zaga consistente
Sem a mesma mobilidade dos tempos áureos, mas com a saúde em dia, Nilton Santos atuou como quarto zagueiro. Pior para o ataque do Campo Grande, do Rio de Janeiro. O placar diz tudo: 1 a 0 para o Treze.

Despedida
O Estádio Presidente Vargas ficou espantado com a qualidade de Nilton Santos. No dia 31 de agosto de 1969, a cidade parou para celebrar o último jogo da Enciclopédia do Futebol.


BATE-BOLA
Mário Vinícius
Escritor do livro “Treze Futebol Clube: 80 anos de história”

As pessoas em Campina Grande lembram com frequência de Garrincha e Nilton Santos pelo Treze?
Até antes do livro eram poucos que sabiam desses fatos. Só mesmo os mais velhos, os mais fanáticos. Depois, a história se popularizou pela cidade. Quase toda criança que gosta de futebol aqui sabe sobre Garrincha e Nilton Santos na cidade e tem muito orgulho disso.

Ter contado com dois bicampeões do mundo resulta em quais reflexos para a História do Treze?
Na Paraíba, somos o único clube que contou com dois bicampeões do mundo. Isso foi um choque em nossa rivalidade com o Campinense, também aqui da cidade. Tudo o que a gente fazia, eles copiavam. Com Garrincha e Nilton Santos por aqui, isso ficou quase inatingível. Isso é vantagem para se contar por toda a vida, algo muito especial.

Existe algum carinho especial da torcida do Treze pelo Botafogo?
Existe muito respeito pelo clube. A História do Treze conferiu a passagem de dois atletas que marcaram a existência do Botafogo.

Você viu algum dos jogos com Garrincha e Nilton Santos?
Infelizmente, não. Eu era muito novo, descobri tudo por meio de pesquisas. Primeiro, tomei conhecimento sobre a vinda de Garrincha, encontrei diversas fotos. Depois, com Nilton Santos, só após muita pesquisa em documentos.