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Esportes
O lateral

CRAQUE bate papo com Josimar que agora é 'promoter' de eventos esportivos

Depois de atuar em Manaus pelo Fast Clube, em 1992, o melhor lateral-direito da Copa do Mundo do México 1986 retorna à capital para estrear nova fase na carreira, agora como promotor de eventos esportivos 28/09/2017 às 10:35 - Atualizado em 28/09/2017 às 10:54
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Josimar está trazendo para Manaus o Flamengo Masters (Foto: Gilson Mello)
Denir Simplício Manaus (AM)

Tem um ditado que diz: ‘Têm coisas que só acontecem com o Botafogo”. E Josimar Higino Pereira, 56, o lateral Josimar, foi uma dessas coisas que surgem no nosso futebol que dificilmente acontecerá novamente, não apenas no Glorioso, mas em qualquer time do Brasil.

Revelado em General Severiano, Josimar marcou seu nome na eternidade do esporte bretão quase que por acaso. O camisa 2 do Fogão tinha estrela e foi parar na Seleção Brasileira após o pedido de dispensa do ‘titularíssimo’ Leandro, do Flamengo, pouco antes da Copa do México. Na reserva de Édson Boaro, do Corinthians, o lateral ganhou a vaga após a lesão do novo titular. E Josimar foi espetacular. Com dois golaços contra Irlanda e Polônia, o lateral se tornou o melhor do Mundial 1986. Um dos tentos foi reconhecido como o oitavo mais lindo da história das Copas pela BBC, de Londres.

Após a Copa, ainda ajudou o Fogão a sair da fila de 21 anos sem título, em 1989. Depois disso perambulou por Flamengo, Sevilla (Espanha), Inter-RS, Bangu, Fortaleza, etc. Também atuou no Amazonas com a camisa do Fast Clube, entre 1992 e 1994. Virou andarilho da bola, atuando na Bolívia e Venezuela antes de pendurar as chuteiras em 1996, no Baré, de Roraima.

O CRAQUE bateu um papo com Josimar, que agora é ‘promoter’ esportivo, e estreará na nova função em Manaus, com o “Jogo das Torcidas”. Além de ‘vender seu peixe’, o ex-camisa 13 da Seleção no México 86 falou das atuações de Botafogo e Flamengo, na Liberta, do técnico Tite, e, especialista que foi na posição, avaliou as apresentações do lateral Dani Alves.

Você pendurou as chuteiras em 1996, dois anos após vestir a camisa do Fast Clube aqui de Manaus. Agora você retorna à cidade como empresário. É sua estreia como ‘promoter’ de eventos esportivos?

Sim, esse é meu primeiro evento, sendo realizado pela minha empresa de marketing esportivo, que é a Gênesis, e estou aqui nessa luta tentando o melhor não só para a minha empresa, mas para os meus amigos poderem desfrutar desse reencontro. Como o Armando (Falcão do Norte, ex-atleta do Nacional) mesmo jogou contra vários craques do Flamengo que vêm aí como o Adílio e tantos outros. Na realidade, o evento será o encontro de grandes atletas, de grandes amigos e nós estamos procurando dar o máximo para que as coisas ocorram bem, que dê tudo certo, que a torcida compareça pra nos prestigiar. É o Jogo das Torcidas e por quê o nome? Pra acabar com essa violência que temos visto em diversos estádios. O futebol é alegria, é amor. Vamos parar um pouco com essas brigas e curtir o futebol, ver velhos jogadores fazendo belas jogadas.

Você jogou no futebol amazonense e no Flamengo também, já decidiu em qual time vai atuar no “Jogo das Torcidas”?

De início o Armando me fez esse convite pra jogar no Nacional e pra mim é uma honra poder vestir a camisa do Nacional, que é um grande clube no qual tenho maior admiração. Até mesmo porque já joguei aqui pelo Fast e já joguei contra o Nacional. E não foi mole não! Foi bem difícil e complicado. Mas estou vendo ainda, porque, como estou na organização, a gente não para. Estou pensando bem e ainda não dei uma resposta nem que sim, nem que não. Vou esperar um pouco mais e, se houver essa possibilidade, um relaxamento nesses meus trâmites, acho que eu posso até dar uns ‘chutinhos’. Claro que vou aproveitar, botar a chuteira e bater uma bola com os amigos (risos). Tentar pegar essa cancha e ver se aprendo mais alguma coisa com essa rapaziada. Ainda mais num gramado como esse da Arena, a bola não pode bater na canela, né? Pra mim seria uma honra poder pisar aqui na Arena e desfrutar um jogo de futebol com os amigos.

Seu auge na carreira aconteceu há mais de 20 anos, na Copa do México, mas até hoje você é lembrado. Verdade que existe uma revista chamada Josimar em sua homenagem, como você vê essa idolatria mesmo após tanto tempo?

Verdade. Tem uma revista com meu nome na Noruega. Essa revista faz entrevistas com vários jogadores, e agora há pouco tempo lançaram uma camisa também, na Holanda. Têm acontecido algumas coisas aí que Papai do Céu tem nos ajudado. Deus é tão bom com a gente. Penso que Deus escreve certo por linhas tortas. Só tenho que agradecer a Deus por tudo que Ele tem feito na minha vida, transformou minha vida. Porque todos nós já tivemos obstáculos pela frente, já demos topadas. Mas graças a Deus, em todas as topadas que dei me serviram como impulso para ir pra frente e Deus me levantou, me glorificou e eu glorifico a Deus por tudo que tem acontecido. Se têm acontecido coisas maravilhosas na minha vida, é por que Deus tem colocado. Tenho mais esse desafio do Jogo das Torcidas e desde já quero pedir a torcida para que venha, que compareça, porque creio que sozinho ninguém faz nada.

Você é torcedor do Botafogo e muita gente não pôs fé que o Alvinegro fosse tão longe na Libertadores, como você analisa esse momento mágico da equipe do Fogão?

O Jair (Ventura) está fazendo um trabalho excelente, quero parabenizá-lo. Tive a honra e o prazer de trabalhar com ele. Também trabalhei como auxiliar técnico no Botafogo na época do Cuca, na época do Geninho, do Ney Franco, e trabalhava junto do Jair, que naquele momento era preparador físico do time. É um garoto de excelente caráter. Acho que a lição foi bem ensinada, ele aprendeu em todo esse tempo que passou na comissão como preparador físico e realmente está fazendo um belíssimo trabalho. Eu, como botafoguense, queria que o Botafogo fosse campeão e muitos acreditavam que o Botafogo não fosse chegar tão distante como chegou, essa é a grande verdade. E chegou! Faltou pouco. Mas o Botafogo está aí, com um grande trabalho do Jair. Temos também de parabenizar a torcida do Botafogo, que tem comparecido em massa, incentivando o time. Acho que o Jair está no caminho certo e tenho orado pra que Deus venha abençoá-lo porque é um bom garoto.

Você também atuou no Flamengo e nessa temporada o Rubro-Negro era um dos favoritos a conquistar a Libertadores, mas caiu logo cedo. Com você vê essa má fase do Mengo?

O Flamengo é uma grande equipe. Acho que eles trouxeram muitos bons jogadores, mas não deu tempo pro entrosamento. Mas o Flamengo está crescendo a cada jogo que passa, todos estão vendo e tem muito pra dar alegria pro seu torcedor. É apenas uma questão de tempo. Mudaram agora o treinador também, mas tenho certeza que daqui a pouco a equipe do Flamengo vai estar entrosada, como sempre foi. Lembro da década de 80 que era um sufoco danado pra gente ganhar deles. Mas é isso, o Flamengo tem tudo pra dar certo. Também tenho orado, porque joguei no Flamengo e tive essa honra de atuar lá. Estou sempre encontrando com meus amigos de lá, como o Zico, o Cláudio Adão, o Andrade e nos falamos sempre no Rio de Janeiro e também torço pra que eles possam se acertar. E o Botafogo se acertando também, quem ganha somos nós torcedores que vamos ver jogos bastante disputados, com belas jogadas.

Você foi um dos maiores laterais direitos da história da Seleção. Como tem analisado as apresentações dos nossos laterais com a amarelinha?

Fico muito contente porque hoje em dia os laterais, tanto o esquerdo como o direito, são tão difíceis de aparecer (revelações). Estão aparecendo mais atacantes, do meio de campo pra frente, os laterais são mais difíceis de surgir. Mas os que têm aí estão dando conta do recado, tem o Daniel Alves que é ‘hour concours’, não temos mais nem o que dizer do cara, ganhou tudo que disputou na vida, jogou em grandes clubes, está aí jogando ainda em alto nível. É um cara que tenho o maior respeito, e torço. Torço para que faça mais belas jogadas, porque ele fazendo grandes jogadas me favorece, porque também fui lateral. Só tenho que torcer para que ele continue fazendo belíssimas apresentações, agora no Paris Saint Germain, junto com o Neymar, e que ele possa ajudá-lo a conquistar os títulos necessários.

E quanto a Seleção Brasileira, como tem avaliado a “Era Tite” no comando da equipe?

Não resta a menor dúvida que o Tite está passando um momento excelente com a Seleção Brasileira. Mas o Tite é um maestro, é um paizão, né? Um cara fora de série, um cara que sabe conduzir as coisas. Acho que era isso o que estava faltando na Seleção, um cara que tem experiência e carisma. Não adianta você ser aquele treinador de que só cobra, você tem de cair na graça dos jogadores pra poder conquistar as vitórias que estão sendo conquistadas pelo Tite e toda a sua equipe, porque não é só ele, tem uma equipe toda. Quero parabenizar o Tite, toda sua equipe e os jogadores que estão dando essa alegria pra gente. Porque precisamos disso, já somos um país tão sofrido, com tantos problemas e o futebol é uma maneira de nos dar alegria, que mais que seja por 90 minutos, mas não 90 minutos de alegria.

Pra finalizar, por onde anda o craque Josimar?

Estou nessa andança por aí. Tenho minha empresa de marketing esportivo e tenho andado muito por esse Brasil todo. Temos escritórios em Aracaju (Sergipe), em Brasília também, e tenho me movimentado. Mas sempre que posso compareço aqui, boto minha cara, jogo minha peladinha (risos). Mas no momento estou nesse novo desafio da minha vida.