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Esportes
Lá vem a fera

O CRAQUE falou com o homem por trás do 3B, a nova força do futebol feminino no AM

De gandula no antigo Vivaldão a dono do mais novo time de futebol feminino do País, Bosco Brasil Bindá fala ao CRAQUE sobre seu mais novo projeto com o seu 3B, agora no Barezão Feminino 2017 20/09/2017 às 10:38
Show bosco
Bosco quer levar o 3B à Série B do Brasileirão Feminino (Foto: Márcio Silva)
Denir Simplício Manaus (AM)

“Sou muito competitivo. Quero dar meu cartão de visitas, mostrar o tamanho do 3B e ir crescendo e crescendo”. A frase de João Bosco Brasil Bindá, 55, o nome por trás da sigla que promete mudar o cenário do futebol feminino no Amazonas, mostra bem o quanto a Associação Esportiva 3B da Amazônia vem forte para a disputa do Barezão Feminino 2017.

De gandula no jazido estádio Vivaldo Lima e “menino do placar” da antiga Colina, Bosco se transformou em empresário de sucesso no ramo da informática. Apaixonado por esporte bretão criou o 3B e ganhou praticamente tudo no maior campeonato de futebol amador do mundo, o Peladão. Competidor nato, Bosco decidiu dar um novo salto na sua trajetória vencedora. Após parceria com o Iranduba, resolveu emancipar o seu 3B e fez da equipe amadora o mais novo clube de futebol feminino do Brasil. E o 3B já nasce grande. Com investimento inicial que passa dos R$ 30 mil, a “Fera da Aparecida” promete ser páreo duro para o Hulk na disputa do Amazonense Feminino.

O CRAQUE conversou com Bosco Brasil Bindá que revelou alguns de seus planos para o 3B, como o de tentar levar seu clube à Série A2 do Brasileirão. Também falou do investimento na carreira de dirigente esportivo, do início no Peladão, da paixão pelo futebol e, claro, da nova rivalidade com o Iranduba.

Qual a principal meta do 3B no Campeonato Amazonense?

Nós estamos trabalhando pra subir, pra ganhar a vaga na Série A2. A minha programação é disputar o Campeonato Amazonense, conseguir essa vaga. Vamos imaginar o Iranduba sendo o campeão e o meu time sendo vice, teremos direito de fazer confronto contra outro time do Norte e subir pra Série A2, que é a Série B do ano que vêm. Sou bem modesto nas minhas palavras, como sempre digo. Ganhar de um time como o do Iranduba, onde a maioria das jogadoras jogam juntas há oito anos. Meu time está vindo dia 21 e joga dia 23, são jogadoras que nunca jogaram juntas. Vejo um pouco difícil, mas não é impossível. Até porque sou um cara bastante competitivo. No jogo contra o Iranduba, devo estar com 12 a 13 jogadoras. Estou correndo um risco muito grande, mas todas as jogadoras fui eu quem contratei, eu que viajei pra ver jogar. Tem gente falando que contratei um bom treinador e ele que me indicou as jogadoras, mas a resposta que dou é que quem contratou todas fui eu. Faz seis semanas que decidi colocar o time e faz seis semanas que viajo pra São Paulo e Brasília conversando, vendo jogos e jogadoras. A minha meta é conseguir a vaga, não prometo título. Não prometo nas primeiras rodadas bons jogos, mas acho que lá pela terceira rodada o meu time vai dar uma acertadinha. Isso pela experiência que tenho”

O 3B já nasce forte por ter uma estrutura de dar inveja a muitos clubes no País. Já imaginava que um dia iria ter um clube profissional?

“Quando criei o meu centro de treinamento não sabia pra que rumo eu iria. Não sabia se ia pras categorias de base, na verdade nunca pensei no futebol profissional. Comecei a conhecer o futebol feminino em todo o Brasil - até agradeço o Iranduba - e a cada dia que passou fui me apaixonando mais. Mas era um projeto pro ano que vem, pra começar do zero, como eu sempre comecei. Muitos times chegaram pra mim pra sugerir parceria e não quis, quero começar do zero, do meu jeito. Mas sou muito competitivo. Quero mostrar meu cartão de visitas agora e mostrar o tamanho do 3B e ir crescendo e crescendo. Quero ganhar essa vaga e fazer um time pro ano que vem ainda mais competitivo. Gosto de trabalhar um dia de cada vez”.

Você criou o 3B pra disputar o Peladão e ganhou tudo. Tem a mesma pretensão no futebol feminino?

Disputei quatro anos o Peladão, fui três vezes campeão. O primeiro ano, quando comecei, a gente pegou porrada, assim como posso pegar agora - mas aprendo rápido -, e depois ganhamos. Fomos seis vezes campeão do Peladinho, ganhamos também quatro rainhas seguidas e no ano passado, com a parceria do Iranduba, fomos campeões feminino. Existe uma grande história do 3B. Existe o 3B como time vencedor e quero passar isso pro futebol feminino.

Você tem investido também na sua carreira de dirigente como ‘coaching’. O que tem feito e como pretende empregar esses ensinamentos?

“Esse ano comecei a me especializar em coaching(profissional que usa metodologia, técnicas e ferramentas para desenvolvimento de um indivíduo seja na área pessoal ou profissional). No começo do ano fiz um processo CIS (Coaching Integral Sistêmico), depois fiz outro curso pelo IBC (Instituto Brasileiro de Coaching). Fiz um em São Paulo, o Ericksoriano, pelo IBC, e agora acabei de passar 20 dias nos Estados Unidos, numa das maiores faculdades norte-americanas, em Ohio, onde me especializei. Em novembro tem mais um curso pra fazer fora, o de Master Coaching, na Alemanha. Estou vibrando e ansioso pra colocar essa parte em prática e vou fazê-lo com as meninas. Na verdade esse lance de coaching começou quando trabalhei com elas no Peladão. Não quero ganhar dinheiro como coaching, porque não vivo disso. Também não quero ganhar dinheiro no futebol, é minha paixão. As minhas primeiras clientes como coachihg serão minhas jogadoras

Além estrutura do centro de treinamento e a academia, o que mais o 3B vai apresentar ao elenco?

“Estou fazendo um negócio diferenciado, um alojamento. Tenho seis apartamentos, todos os compartimentos com ar condicionado, todos no blindex. Agora estou instalando computadores pras meninas fazerem os trabalhos escolares. Tenho salas e auditório aqui e no ano que vem vou trazer cursos pra essas meninas, como de inglês e espanhol. Quero o sucesso delas, quero vê-las bem e repito: não estou no futebol pra ganhar dinheiro, é paixão. Quero ser um exemplo de clube empresa, onde a cada dia possa ver a melhoria nessas meninas”

Você é um empresário bem sucedido, mas o 3B tem outros parceiros para o campeonato?

“Hoje, tenho cinco parceiros me ajudando. O que é engraçado é que assim que falo que tenho um projeto, os parceiros falam: ‘Bosco, é contigo, então tá fechado!’. Tenho como parceiro a Pretacor, que é uma empresa de comunicação visual, que é um concorrente meu. Tem a OGL, uma empresa de informática que foi meu concorrente. Tem o Laboratório São José, que vai fazer os exames das meninas. Tem a Prodimagem, que avisou que o que eu precisar nessa área vai nos ajudar. Também a Softmalhas que está me doando equipamento. Cheguei com esses parceiros e os caras acreditaram no meu trabalho por que sabem que eu trabalho sério”.

O fim da parceria com o Iranduba não foi tão amigável e já surge uma rivalidade entre os clubes. Existe uma briga de bastidores por jogadoras?

“A Carla, do Audax, por exemplo, foi uma jogadora que briguei com o Iranduba pra que ela viesse pro 3B. Teve uma hora que ela me ligou e disse que queria assinar logo porque era muita gente ligando pra ela pra ela fechar comigo. Inclusive as próprias jogadoras do Iranduba dizendo pra ela: ‘Fecha com o Bosco que você não vai se arrepender’. Por isso hoje posso dizer que estou feliz, porque o time é meu, não tem dedo de treinador, não tem dedo de ninguém. Tem uma amiga minha em São Paulo que tem me ajudado, mas todas as meninas que estou trazendo eu vi jogando, eu conheci e peguei referências”

E como foi para contratar o Marcello Frigerio?

Trouxe o Marcelo Tchelo porque, praticamente todas as jogadoras do Iranduba me disseram que o Marcelo era muito bom. Me deu aquela curiosidade de saber quem era. Entrei em contato com ele, acertei tudo. Tem gente pensando que acertei com ele por milhões. Acertei com ele sob um projeto, ele vai vir pra cá, vai ficar dois meses. Tenho sala de aula, quero ajudar o futebol amazonense, quero pagar esse curso pra ele ministrar pras pessoas que tem interesse. .

Em uma matéria do CRAQUE sobre a falta de apoio ao Iranduba, soubemos que o Hulk gasta quase R$ 100 mil mensais com o elenco. Qual o investimento do 3B para o Amazonense?

“Ainda não parei pra ver quanto gastei no time. Mas não estou fazendo loucura, tanto é que hoje estou apenas com 11 jogadoras. Hoje o que já foi investido não chega a um terço do que o Iranduba gasta por mês, não chega a isso. Como são apenas dois meses (campeonato), não estou fazendo loucura”

Você já pensou em colocar seu time no Campeonato Amazonense masculino profissional?

Não, sinceramente, não. Quem sabe no futuro, a gente nunca pode dizer que nada vai acontecer, mas sinceramente não. Penso diferente, vou focar no campeonato estadual. Ano que vem, se conseguir essa vaga, vou fortalecer o time, é um negócio que estou pleiteando. Mas temos de batalhar pra isso, porque tem o Penarol e pelo que me disseram, tem um bom time. Vou tentar ser forte naquilo que eu entrei. Não gosto de dividir as coisas. Sou de uma empresa de comunicação visual e hoje trabalho apenas com isso. Se vierem me falar em futsal, não quero futsal. Se vierem me falar em Peladão, não quero Peladão. Quero focar no campeonato estadual, se conseguir essa vaga, vou focar a série B”.

Você e a comunidade de Aparecida são muito unidos, como é essa parceria do 3B com os moradores do bairro?

“Nasci e me criei aqui, daqui não saio. Moro aqui, tem gente até que me questiona o porquê de eu morar aqui. Digo que é porque curto esse pedaço aqui. São pessoas que são apaixonadas por mim, que me seguem. Alguns estão até preocupados porque botei um time de última hora, preocupados em pegar o Iranduba e se decepcionar. O que posso dizer é que tenham calma, porque sei o que estou fazendo. Tenho os pés no chão. No primeiro ano de Peladão eu perdi, depois comecei a ganhar direto. Sou principiante, mas sei o que estou fazendo. Estou trazendo um time pequeno em números, mas um time bem competitivo. Só não posso dizer que vou desbancar o Iranduba. O Iranduba tem uma baita estrutura, tem 30 jogadoras, é um time que joga a oito anos junto. O Lauro (Tentardini, diretor de futebol do Hulk) conhece essas meninas desde os 13 anos. Estou usando umas meninas do Iranduba que nunca tiveram oportunidade. Trago também quatro a cinco meninas do Audax, um time que o Iranduba deu duas porradas. Não vejo porque tanta preocupação comigo. Será que é o nome? Porque as jogadoras não deve ser.

Antes o CT do 3B era conhecido como ‘O Refúgio do Hulk’, e agora, como será?

“Agora é Toca do 3B, inclusive meu pessoal de marketing está fazendo as artes. Estamos esperando as jogadoras chegar pra tirar as fotos pra gente enfeitar a rua toda. Colocar os banners nos postes, todos na rua querem que coloque um adesivo e tudo mais. Tudo isso eu sei fazer e de agora em diante é Toca do 3B”