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‘O Fla ganhou a fama de mau pagador’, disse o novo presidente rubro-negro

Bandeira de Melo promete sanar finanças e recuperar credibilidade do Flamengo 30/12/2012 às 19:29
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Eduardo Bandeira de Mello foi eleito com 1.414 votos
Adan Garantizado Manaus

Desde o título Brasileiro em 2009, o Flamengo vive um “inferno astral”. O clube foi sem dúvidas, o que mais gerou notícias negativas neste período de três anos. Escândalos como o do goleiro Bruno, as farras e confusões intermináveis de Adriano, o imbróglio trabalhista com Ronaldinho Gaúcho e as dívidas astronômicas do clube arranharam profundamente a imagem do Rubro-Negro. A então presidente, Patrícia Amorim, acabou perdendo o rumo em meio a tantos problemas e a equipe dona da maior torcida do País sentiu o golpe, fazendo campanhas pífias nas duas Libertadores da América que disputou, lutando contra o rebaixamento nos Brasileirões de 2010 e deste ano e virando motivo de chacota para os rivais. Mas, desde o dia 3 dezembro, o clube respira ares mais profissionais.

Um grupo de executivos com carreiras de sucesso em diversas instituições públicas e privadas decidiu encarar o desafio de comandar o clube e limpar a maculada imagem do Rubro-Negro. A “chapa azul” venceu as eleições do clube, derrotando Patrícia Amorim e Jorge Rodrigues com uma grande diferença de votos. O líder do grupo é o ex-chefe do Departamento do Meio Ambiente do BNDES, Eduardo Bandeira de Mello. Empossado como presidente do Flamengo na última quinta-feira, Bandeira de Mello conversou com o CRAQUE no dia seguinte e deixou bem claro o desejo de acabar com o amadorismo que impera no clube.

Pai de três filhos, Bandeira é descrito como um Rubro-Negro fanático, que quebra inclusive o tom sereno na hora de torcer. Logo no começo da conversa, Bandeira fez elogios à capital amazonense, onde esteve pela última vez na inauguração da ponte Rio Negro. “Visitei Manaus algumas vezes. Na última fui para acompanhar a inauguração da Ponte, pois haviam recursos do BNDES envolvidos. Fiquei impressionado com a quantidade de flamenguistas na cidade. É impossível você dobrar uma esquina em Manaus e não encontrar com um rubro-negro”, relembra. Ele não prometeu reforços, mas garante que o Mengo terá uma equipe competitiva e organizada em 2013.

Qual é a sensação de deixar de ser um executivo “anônimo” e se tornar presidente de uma verdadeira “nação” como o Flamengo, com tantos problemas a serem resolvidos?
Minha vida com certeza mudou bastante neste último mês. Eu deixei de ser um desconhecido e passei a presidir o clube mais querido do Brasil. As pessoas me param na rua, tiram fotos, fazem pedidos. É uma responsabilidade e tanto gerenciar uma instituição que tem 40 milhões de torcedores. Eu faço parte destes 40 milhões e só de saber que estou ajudando meu clube de coração, fico satisfeito e não ligo para os problemas. Tenho a certeza que eu e o grupo que foi eleito para comandar o Flamengo vai conseguir sanar todas as pendências.

O seu grupo propõe algo inédito para o Flamengo: uma gestão profissional, credenciada pelas carreiras dos executivos envolvidos na diretoria. Teme encontrar muitas dificuldades para implantar esta ideia no clube?
Não é necessário temer, mas sim trabalhar bastante. A proposta da nossa chapa é essa, de profissionalizar o Flamengo. Um clube tão grande como o Flamengo não deve ser comandado de forma amadora. Acredito que esta proposta de ter um grupo de executivos bem sucedidos gerindo as decisões do clube conquistou os sócios, o apoio do Zico e a torcida rubro-negra. Vencemos a eleição sem precisar atacar ninguém. Vamos trabalhar da forma mais correta e profissional possível, contando com gestores profissionais e remunerados para o futebol, a sede e os esportes olímpicos do Flamengo. É lógico que toda mudança ou ruptura acarreta em resistências. Quem estava acostumado com a mesmice que imperava no Flamengo se assustou com nosso projeto. Acredito que este temor fez com que a candidatura do Wallim (Vasconcelos, hoje vice presidente de futebol) fosse impugnada. Mas a chapa azul superou tudo isso. E as pessoas que estavam na oposição já começaram a entender nossa proposta. No fim, todos somos Flamengo.

O senhor citou o nome do Zico como uma das “conquistas” do seu projeto. Que peso teve o apoio dele em sua eleição?
O apoio do Zico foi fundamental. Nos honra muito contar com a força da principal figura e grande ídolo de todo flamenguista. Ele vem sendo uma espécie de consultor não remunerado da diretoria. É uma vantagem ter a ajuda do Zico. Apesar da recusa dele agora, no futuro, quem sabe, nós podemos conversar para convencê-lo a assumir um cargo no Flamengo. E a figura do Zico é muito forte para todo flamenguista. Qualquer ajuda por parte dele é bem-vinda.

O Flamengo tem dívidas que giram em torno de R$ 400 milhões, ganhou uma fama de mal pagador e teve a imagem associada a diversos escândalos nos últimos anos. Como fazer para recuperar a credibilidade do clube?
Mais grave que o passivo financeiro é o passivo ético e moral. O Flamengo ganhou a fama de mal pagador e isso dificulta muito qualquer negociação. É algo complicado, mas que nosso grupo vai combater e acabar com isto. Nossa prioridade é fazer o Flamengo voltar a ser uma instituição séria, que honra todos o os compromissos assumidos. Estamos analisando a situação financeira do clube, para sabermos a real situação dos cofres do clube. Precisamos cortar gastos e usar bastante o marketing, com ações criativas para explorar todo o potencial de receitas da nossa torcida. Em campo, precisamos de jogadores comprometidos, que se envolvam com o clube.

A torcida do Flamengo é a maior do País, mas o clube não possui um programa de fidelização deste torcedor. O senhor pretende mudar este quadro ?
O sócio-torcedor é o nosso projeto principal. Vamos fazer um estudo e planejar como captalizar todos os nossos torcedores, principalmente os que estão fora do Rio de Janeiro. É preciso usar a criatividade para aproximar os nossos torcedores do clube. Manaus será um dos nossos principais alvos devido a grande concentração de rubro-negros que vivem aí. Se conseguirmos isso, vamos atingir outro patamar financeiro e podemos sonhar mais alto.

O clube desistiu no começo da semana da contratação do atacante Robinho por conta dos valores que o Milan exigiu. Mesmo assim a sua diretoria ainda pretende investir em um reforço “de peso” para esta temporada?
Não digo nem colocar os pés no freio, mas sim no chão. Todo projeto para jogador que nós formos contratar precisa ser viável. No caso do Robinho, não era possível. Podemos e vamos reforçar o time dentro do possível. No fim vamos administrar o clube de maneira correta e sem deixar de ter uma equipe competitiva em campo.

O contrato com a Adidas foi um “presente de Natal” para a sua gestão?
O contrato com a Adidas é o maior acordo de material esportivo da América do Sul. É com certeza algo bastante positivo, passamos por meses de uma complexa negociação. Agora nós precisamos usar estes recursos de maneira correta (o Flamengo deve embolsar R$ 385 milhões em 10 anos), sem desperdiçá-los.

Soube que o senhor é um torcedor fervoroso que vibra e xinga muito durante os jogos. Vai continuar exercendo este “lado” agora como presidente do clube?
Vou precisar me conter (risos). Realmente sou um torcedor que não me controlo. Grito, xingo... Agora estou me preparando para evitar todas estas barbaridades. Como presidente, minha responsabilidade é maior. Se estiver sozinho ou em local reservado posso extravasar (risos).

Que recado o senhor deixa para a torcida rubro-negra em Manaus?
Gostaria de desejar um feliz 2013 à toda Nação Rubro-Negra de Manaus. Podem ter certeza que não vai faltar empenho e dedicação da nossa parte para construir um Flamengo forte. Gostaria inclusive de voltar a Manaus agora, como presidente do clube. Quem sabe até levar a equipe para jogar nesta Arena (da Amazônia) tão bonita e retribuir o carinho que vocês tem com o clube.

"Frequento o Maracanã desde muito garoto. Sou torcedor de arquibancada até hoje. Agora o desafio é grande”