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O talento de um lusitano que é mestre em fazer miniaturas

Domingos Romano faz maquetes de casas e prédios, como o Teatro Amazonas,cartão postal da cidade de Manaus 08/01/2012 às 21:38
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Mundo pequeno - Lusitano é mestre em miniaturas
Jony Clay Borges Manaus

Quando não está trabalhando na construção de um prédio ou residência, o mestre de obras Domingos Leal Romano passa as horas... construindo prédios e residências. A diferença está na escala: o passatempo desse lusitano de 70 anos recém-completados é confeccionar maquetes, sejam elas de casas comuns ou de locais turísticos de Manaus e do resto do mundo, no ateliê improvisado na varanda de sua casa, no São Jorge (Zona Centro-Oeste).

Romano calcula já ter produzido mais de 50 miniaturas de casas – algumas delas ele ajudou a erguer em escala natural – e prédios famosos. Entre estes últimos, estão réplicas da Catedral Metropolitana de Manaus, do Teatro Amazonas e do Cenáculo de Jerusalém, para citar algumas. A peça mais trabalhosa de executar, ele conta, foi a da casa de ópera.

 “Passei dois meses para fazer”, recorda ele, que produziu a réplica em escala 1:150. A Igreja da Matriz, ele compara, levou apenas um mês. “Quando comecei o teatro, chegava aqui, coçava a cabeça e andava para lá e para cá. Minha mulher dizia, ‘Tu vais é ficar doido com essa maquete!’”, lembra, divertido.

Um violão jamais feito

 Para confeccionar seus modelos reduzidos, Romano aplica os conhecimentos de marcenaria e carpintaria que aprendeu ainda menino. “Tinha uns primos mais velhos e novos. Uma vez, um deles fez um violão, e o outro fez uma viola. Também queria fazer aquilo. Assim, cheguei ao pé de meu pai e disse, ‘Quero aprender a fazer violão e viola!’”, recorda.

Logo, o Romano garoto foi conhecer os canteiros de obras do tio, que atuava no ramo de construções, e depois trabalhar numa oficina de marcenaria. Tempos após, já era mestre de obras. O ofício de construir até o fez esquecer do sonho antigo: “O violão, no final, eu nunca fiz!”.

Já as miniaturas vieram quase sem querer. Enquanto trabalhava para erguer uma casa em Alta Cruz Quebrada, freguesia lusitana onde vivia, ele resolveu fazer um modelo da obra como passatempo. “Achei a casa bonita. Enquanto trabalhava na obra, estava fazendo a maquete”, conta.

 Novos modelos

 Em 1977, Romano veio para Manaus trabalhar em obras na capital, e acabou ficando por aqui mesmo. “Como se fala, comi jaraqui, já sou daqui”, diz, sempre bem humorado. Aquela primeira maquete ficou lá mesmo em Portugal, porém ele ainda possui uma outra, produzida recentemente. É que nos últimos anos, com a redução de ofertas de trabalho nos canteiros, o mestre de obras passou a dedicar mais tempo às suas “miniobras”. “Comecei a fazer porque estou parado, portanto vou fazendo meus brinquedos”, explica ele.

Um bairro

Hoje, Romano trabalha na confecção de uma réplica do célebre Taj Mahal, da Índia. Da paisagem local, ele ainda tem vontade de reproduzir a Alfândega e o Palácio da Justiça. “Se vejo uma coisa bonita, vou lá fazer”, assevera. Ele ainda planeja catalogar suas obras – há algumas em Portugal, outras poucas doadas ou vendidas – ou até reuni-las num conjunto arquitetônico inusitado.

 “Qualquer dia coloco elas todas juntas, coloco uma pista e crio um bairro”, cogita ele. O leitor que conferir as fotografias vai concordar: este seria um bairro que valeria muito a pena conhecer!

Da planta ao modelo


Domingos Romano inicia a confecção de suas miniaturas estudando os edifícios in loco ou fotografias tiradas de publicações ou da Internet. Às vezes o processo começa no papel. “Quando fico em dúvida, faço primeiro uma planta da obra”, revela, exibindo como exemplo um papel com projeções frontal e do alto do Taj Mahal.

Para a “construção” propriamente dita, ele utiliza principalmente duratex – chapa de fibra –, que serve para erguer as paredes. Pedaços de raios-X e de garrafas PET podem virar janelas azuis ou verdes. Cartolina de embalagens comuns podem funcionar para detalhes, como as escamas da cúpula do Teatro Amazonas.

A etapa final é a pintura das peças – no caso do Teatro, Romano foi ao local conferir o tom certo na paleta. A tinta é à base d’água: “Compro as bisnagas e faço em casa mesmo. E dura: algumas peças têm uns quatro, cinco anos e não desbotaram”.