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Os caminhos do atletismo ensinados por iniciativa gratuita

Educadores Físicos bem sucedidos ensinam os caminhos do atletismo de graça a crianças carentes 02/09/2012 às 11:09
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Érika Lima vai competir nas Olimpíadas escolares de setembro
Nathália Silveira Manaus

 Jassen Jeffreys e Erivelton Almeida têm uma carreira sólida em Manaus há mais de dez anos. Ambos são educadores físicos bem sucedidos e conquistaram ao longo de suas trajetórias, tudo que almejavam profissionalmente, inclusive, uma clientela fiel e disputada na cidade. Mas, a dupla tinha em comum um sonho que ainda não havia sido concretizado: Poder colaborar com a iniciação esportiva dos mais desprovidos. Por isso, há quatro anos, Jeffreys e Almeida ingressaram rumo a uma “nova carreira”, a de ‘personal social’. Eles criaram em 2008 a Escolinha de Atletismo Endurance, propagando o esporte entre crianças carentes da periferia.

“O atletismo é um esporte de pessoas com poucos recursos. Acreditamos que podemos mudar a vida dessas pessoas através do esporte. Eles, são os filhos do atletismo”, afirmou Jassen, que é professor titular da Escolinha e treina gratuitamente os garotos entre 12 a 16 anos, cinco vezes na semana, de uma hora e meia a três horas, em um espaço cedido pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam).  

 Segundo Erivelton, o projeto sobrevive da mensalidade do Grupo de Corrida Endurance, criado em 2003 e que treina aos sábados na Ponta Negra. O repasse mensal para a Escolinha é de R$ 700 e com a verba é possível adquirir material esportivo, pagar inscrições em competições e arcar com lanches. “Queremos auxiliar mais os nossos atletas. Por isso, estamos atrás de fechar parcerias para conseguir dar vales-transporte, uniformes e auxílio odontológico”, frisou Almeida.

 Participando desde início do projeto, Érika Lima conquistou uma bolsa integral no Colégio La Salle, após se destacar nos Jogos Escolares do Amazonas (JEA´s) de 2010, quando disputou a prova de salto triplo e marcou 10m50cm.

Morando longe do pai e com a mãe trabalhando como servente na escola estadual Lara Vicunã (Aleixo), a garota de 16 anos viu sua vida mudar radicalmente defendendo a Endurance. “Estudava numa escola estadual e quando passei para uma particular senti muita diferença. Percebi quanto o ensino é puxado, mas sei que é bem melhor para mim”, comentou a estudante do 2º ano do ensino médio, que participará das Olimpíadas Escolares, de 5 a 16 de setembro, em Poços de Caldas (MG). Outros cinco atletas do projeto vão competir na terra do pão de queijo.

Lições de afeto

Mais do que iniciar os meninos de 12 a 16 anos de idade no esporte, a Endurance conseguiu ocupar o posto de família entre a garotada. Basta ficar alguns minutos junto com a turma, que é possível verificar o carinho entre o grupo, que considera Jassen Jeffreys o chefe dessa família. Exemplo desse laço afetivo é a bela Larissa Costa Barreto.

 Filha de pais separados, a mais novinha do projeto, com 12 anos de idade, chama Jeffrey de pai e é muito ciumenta, segundo o educador físico. “Ele é o meu pai. Considero ele assim, pois ele representa muita coisa boa na minha vida. Ele chama atenção, é chato, mas cobra a gente porque quer o nosso bem”, disse a pequena.

Com 20 alunos e apenas dois professores, a Escolinha de Atletismo ainda conta com uma ajuda em especial torna as coisas mais fáceis para Jassen e Erivelton: A liderança do barreirista João Bosco, de 16 anos de idade. O jovem é considerado exemplo entre o grupo e auxilia a turma na hora dos treinos.

Três perguntas para Erivelton Almeida personal social e um dos criadores do endurance

1) Como conciliar os compromissos pessoais com a Escolinha de Atletismo?

É bastante difícil encaixar tantos compromissos. Hoje (sexta-feira), por exemplo, já estava de pé 4h45 para correr e após vir para o projeto. Mas a Escolhinha é sagrada, e tratada como prioridade. Não podemos faltar com os meninos. O Jassen é o professor principal, e está aqui todos os dias.

2) O projeto é direcionado a alguma zona da cidade?

Participam do projeto alunos de escolas estaduais localizadas em Petrópolis. Mas, aceitamos meninos de outras zonas. Acreditamos que participem mais pessoas dessa área, pois o Jassen trabalha em uma escola localizada nas proximidades (Jacimar da Silva Gama em Petrópolis).

3) A escolinha é só para pessoas de 12 a 16 anos?

Nós fazemos aqui a iniciação no atletismo. Nosso foco é este. Nada impede que a criança que comece aqui, continue no projeto, como é o caso da Érica e do João Bosco. Entretanto, a maioria dos meninos que passaram aqui quando chegam na adolescência, param de frequentar o projeto pois começam ir à Vila Olímpica, ou desistem do esporte por precisar trabalhar e sustentar a família.