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Ouro Olímpico: Seleção Sul-Coreana é preocupação futura do Brasil no futebol

Pontos fortes e fracos da Coreia do Sul ainda são mistérios para a Seleção Brasileira. A classificação brasileira veio em um jogo suado contra Honduras, vencendo por 3x2 06/08/2012 às 09:06
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Brasil venceu Honduras no aperto. E agora com a Coreia do Sul?
Leandro Prazeres Newcastle

Um ilustre desconhecido no caminho do Brasil rumo ao ouro olímpico no futebol. Assim pode ser definida a seleção olímpica sul-coreana, que venceu a da Grã-Bretanha nos pênaltis e conseguiu a vaga para a semifinal contra o time de Mano Menezes. Com jogadores que atuam, em sua grande maioria, no futebol sul-coreano e japonês, os pontos fortes e fracos desse time ainda são um mistério para a comissão técnica brasileira, que evita, a todo custo, mais um vexame olímpico em Londres. A semifinal será disputada amanhã, em Manchester.

A classificação brasileira veio em um jogo suado contra Honduras, quando o Brasil saiu atrás no placar duas vezes, mas acabou vencendo por 3x2 com bela atuação de Neymar e Leandro Damião. A Coreia do Sul, por sua vez, empatou em 1x1 com a anfitriã Grã-Bretanha e conseguiu a classificação na cobrança dos pênaltis. A vitória sul-coreana, entretanto, na visão do capitão do time brasileiro, Thiago Silva, oferecia mais risco ao time canarinho.

“Nós já enfrentamos a Grã Bretanha num jogo muito parelho. Ganhamos de dois a zero, mas o placar não reflete o quanto foi difícil a partida. A Coréia do Sul (é mais perigosa).  Eu acredito que sim porque a gente não conhece muito a forma deles jogarem”, disse o zagueiro do Paris Saint German logo após o jogo contra Honduras.

A preocupação com a equipe que se classificaria para a semifinal foi tão grande que a comissão técnica do Brasil adiantou seu retorno ao hotel em Newcastle para acompanhar a partida.  “Independente de quem vencer, tenho certeza de que a comissão técnica vai providenciar os vídeos para a gente poder assistir os jogos e ficar mais a par do nosso adversário”, completou o capitão.

Sul-coreanos

A seleção sul-coreana chegou à semifinal sobrevivendo a um grupo difícil. No grupo B, ela jogou contra a badalada seleção mexicana, a Suíça e a seleção do Gabão. Eles empataram com o México e venceram a Suíça e o Gabão. Os placares não foram elásticos (0x0 com o México, 2x0 contra o Gabão e 2x1 contra a Suíça), mas os sul-coreanos mostraram aplicação tática e força no contra-ataque.

A maior parte dos jogadores atua no futebol sul-coreano e japonês, mas o destaque do time, Park Chuyoung, que joga no Arsenal, está na lista dos 10 melhores jogadores do torneio olímpico segundo a imprensa especializada inglesa.

Deficiências

Durante a entrevista coletiva concedida após o jogo contra Honduras, Mano falou sobre as deficiências apresentadas pelo Brasil no jogo em St. James Park. “Penso que se tivéssemos aberto o placar cedo, poderíamos ter feito um jogo diferente. Mas aí depois sofremos um gol, o primeiro, e a situação ficou desestabilizada. Depois, retomamos o controle e empatamos antes do término do primeiro tempo. O jogo recomeçou e tomamos novamente um gol de escapada, indecisão nossa. Felizmente tivemos a capacidade de empatar. Foi o jogo mais duro que eu assisti Jogos Olímpicos até agora”, disse ele.

Marcelo, Rafael e Neymar

Questionado sobre o desequilíbrio criativo entre as laterais brasileiras, com a maior parte das jogadas de efeito saindo pela esquerda, com Marcelo, Neymar e Oscar, o técnico Mano Menezes foi diplomático ao falar do lateral Rafael Silva. Ele enfatizou as qualidades do lateral do Real Madri e dos ganhos e perdas da equipe.

“Respeitando bastante a qualificação técnica do Rafael, não é nenhum desaforo dizer que o Marcelo é um lateral de patamar acima que o do Rafael. Marcelo também está tendo apoio mais de Neymar, mas já tivemos atuações boas do Rafael. Mas é assim mesmo. Às vezes você consegue fazer melhor de um lado. Isso é resultado da montagem do time. Tem ganhos e perdas na montagem de uma equipe”, disse o treinador da equipe canarinho.

Defesa precisa de ajustes

Tanto Mano como Thiago Silva admitiram que o setor defensivo precisa de ajustes. “O segundo gol foi uma indecisão nossa. E quando eu digo nossa, é nossa”, disse o técnico sobre a falha da zaga que deixou um lançamento quicar no campo brasileiro e que, depois, resultou no segundo gol hondurenho.

“A gente precisa ajustar, porque tivemos capacidade de reverter o placar, mas pode ser que contra um outro adversário, depois que eles fizerem o placar, podem se fechar e a coisa pode ficar difícil”, disse Silva.

O craque Neymar, que participou dos três gols brasileiros, disse, antes de saber qual time enfrentaria, que sua atuação não mudaria de acordo com o adversário. Questionado sobre diante de qual defesa seu estilo de jogo poderia se encaixar melhor, foi prático. “Os dois. Agora depende deles”, disse.

Torcida é ‘adversário extra’

Neymar não terá apenas que enfrentar a marcação da zaga sul-coreana na semifinal que será disputada amanhã. Ele vai ter que enfrentar um adversário ainda mais “catimbeiro”: a torcida inglesa. No jogo contra Honduras, Neymar foi alvo de vaias todas as vezes em que tocou na bola. Mesmo assim, o meia mostrou personalidade, não entrou na pilha e teve boa atuação.

Mano Menezes tentou contemporizar e disse que as vaias eram mais voltadas para o time brasileiro como um todo do que ao craque santista. Segundo ele, as vaias vieram de torcedores ingleses que temiam que a Grã Bretanha fosse enfrentar o Brasil. “No jogo de hoje (sábado), é óbvio que os torcedores pensam em ver a torcida do Brasil enfrentar a Grã Bretanha. E teve um pouco a ver com o lance da expulsão (do zagueiro Figueroa, expulso após fazer falta em Neymar). Culturalmente os ingleses tem sua preferência e quando eles acham que um time não joga de acordo com essa preferência, eles apoiam os outros. Não temos nada contra isso. É importante saber lidar com isso”, disse Menezes.

Thiago Silva também tentou minimizar as vaias a Neymar.  “Cara...isso é normal, tinha muitos brasileiros, mas a maioria eram ingleses na torcida e eles pensavam que a próxima partida do time deles seria contra a gente. É claro que quando ele (Neymar) pega na bola, ele parte pra cima, mas tem que ser objetivo, ele sabe que tem hora certa pra ir pra cima e nós estamos conversando com ele. Mas a vaia hoje eu vi de outra forma e isso mostra a qualidade que esse grupo tem”, disse Silva.

Sempre econômico nas palavras, Neymar não quis entrar em polêmica. Questionado sobre como se sentia diante das vaias e da fama de “cai-cai” popularizada pela imprensa inglesa, o meia foi direto. “Nosso grupo não está querendo dar show ou jogar bonito. A gente quer vencer. E levar o brasil ao título. Eu estou sempre preparado para tudo o que ocorrer no jogo, e (vaia) é normal para jogador. Dá vontade de ajudar a seleção mais ainda”, disse.