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Paixão pelo 'Pano' começa cedo

Lutadores mirins já mostram no tatame o talento nato dos amazonenses na arte marcial 26/05/2012 às 20:32
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Ferinhas Iago Ciqueira, Antônio Praciano, Heloysa Fernanda e Rafael Jr.
Paulo Ricardo Oliveira Manaus

A participação maciça de crianças na disputa do inédito Campeonato Brasileiro realizado pela Federação Amazonense de Jiu-Jitsu Esportivo (FAJJE), em Manaus, desde sexta-feira, reforça a tese de que o Amazonas vive um boom no se refere à paixão dos pequenos pela arte difundida pela família Gracie nos quatro cantos do mundo.

Fundada pelo mestre Henrique Machado, a Associação Sensei de Lutas Esportivas (Asle), que disputou o Brasileiro da Arena Amadeu Teixeira com 40 crianças de três a 12 anos, é um dos exemplos locais mais expressivos de trabalho de base bem feito com os pequenos no tatame. Nas várias filiais da Asle espalhadas pela cidade, meninos e meninas aprendem as técnicas da arte marcial trazida ao Brasil por Mitsuyo Maeda  (Conde Koma) de forma didática, disciplinada e participativa .

“Na Asle, fazemos questão de que os pais dos alunos participem do aprendizado e observem que a luta não é agressiva e nem prega a violência. O resultado é que as crianças se aprimoram cada vez mais cedo no jiu-jitsu”, afirma o faixa-preta Rafael Hipólito, que ministra aulas à criançada na Asle do São Raimundo, Zona Oeste.

Rafael, aliás, é pai de dois supercampeões mirins, Rafael Junior, faixa-branca hoje com seis anos e uma coleção de títulos a perder de conta, e Heloysa Fernanda, de nove anos, faixa-laranja. “O Rafael é tricampeão amazonense e brasileiro. Já conquistou títulos inclusive em categorias acima da dele”.

Os irmãos Rafael e Heloysa conquistaram, inclusive, os títulos em suas respectivas categorias no Pan Kids, realizado em Los Angeles, Califórnia, nos Estado Unidos no ano passado. “Essa conquista rendeu aos dois bolsas de estudo integrais no Centro Educacional Paraíso Infantil (CEPI), o que significa que o esporte pode ser também uma ponte para a formação”.  

 Tamanho interesse de crianças pelo jiu-jitsu garante o sucessivo processo de renovação e pode produzir campeões cada vez mais cedo e em escala industrial. Da mesma Asle, o prodígio Antônio Praciano Bisneto, de dez anos, faz questão de contabilizar seus. “Eu luto desde 2010 na faixa-branca e já disputei 23 competições, ganhei 19 e perdi quatro.

 Quero ser um colecionador de medalha”, diz o garoto, filho de Praciano Neto, empresário da área de móveis modulados e entusiasta da luta de quimono. “Comecei a treinar há quatro meses e já perdi sete quilos. A prática esportiva é muito saudável para crianças e adultos. Faço questão de acompanhar a evolução do meu filho nos treinos e nas competições”, afirmou o proprietário da Todeschini, que “adotou” os atletas da Asle de São Raimundo. “A gente ajuda na compra de quimonos, na inscrição dos atletas e até em passagens aéreas em competições nacionais. É um trabalho social na comunidade mesmo”.