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CRAQUE entrevista a fera da ginástica brasileira, Jade Barbosa 26/05/2012 às 20:10
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Jade Barbosa, além da beleza ficou conhecida por outra característica: o choro
Adan Garantizado Manaus

A expressão de dor a cada movimento não tira o olhar focado do rosto de Jade Barbosa. Algumas séries de exercícios deixam a ginasta exausta, a ponto de lagrimar, mas, ela as enxuga rapidamente e continua o treinamento. Gestos que deixam evidente o amadurecimento da ginasta de 21 anos, que é uma das maiores esperanças de medalha do Brasil em Londres.

Jade viveu momentos complicados após Jogos Olímpicos de Pequim. Uma lesão no punho direito quase acabou com a carreira da atleta. Mas, a moça de corpo definido e muito bem distribuídos em 1,51 metros e 46kg deu a volta por cima e está pronta para o desafio nas Olimpíadas deste ano.

Ela conversou com exclusividade com CRAQUE, no ginásio do Flamengo, no Rio de Janeiro. Treinando cerca de seis horas por dia, a ginasta quer ajudar a equipe brasileira a finalmente subir no pódio Olímpico. “Cheguei a pensar que jamais iria conseguir competir de novo. Passaram-se quatro anos da última Olimpíada. O que eu quero é melhorar todos os meus resultados. Se puder pegar uma final individual... Se fosse possível até uma por equipes.... sei que é muito difícil, nós estamos em outro nível hoje em dia. Tenho chances de medalha no salto sobre o cavalo e vou correr atrás”, afirma.

A classificação para os Jogos Olímpicos, porém, não foi fácil. Após seguidas falhas na equipe (Jade sofreu duas quedas durante sua apresentação na trave), a seleção brasileira só obteve a nota necessária no Pré-Olímpico, após uma apresentação perfeita de Dani Hypólito. “Essa classificação foi muito gratificante.

Ela veio em um momento onde ninguém mais acreditava na gente. Viemos de um mundial, onde não havíamos competindo bem. Escutamos muita coisa que não queríamos escutar. O Pré-Olímpico foi a competição da nossa vida. Até hoje eu fico arrepiada de lembrar. Quando eu olhei para o placar não acreditei que a gente tinha se classificado. Foi uma das maiores emoções da minha vida”, confessa Jade.

Com tantas emoções vividas em apenas 21 anos, a ginasta está mais “cascuda” para Londres. “A Jade de hoje está mais madura. O fato da lesão, da terapia, estar em casa e ter mais idade e mais competições no currículo. Hoje em dia me vejo bem mais segura”.

Jade Barbosa  ginasta brasileira

1. Nos últimos anos a ginástica artística brasileira teve resultados ruins. Até que ponto isso atrapalhou o caminho até Londres?

Nossa geração teve os melhores resultados da história ginástica brasileira e nos sentimos muito mal com as críticas que sofremos. Perdemos algumas competições, e a equipe não tinha mais chão. Ninguém mais acreditava na gente. Isso foi um grande motivador para que a gente treinasse e treinasse.

2. Você chegou a pensar em parar de competir por causa de sua lesão?

Não. Todo mundo dizia que eu não ia voltar para a ginástica. Ouvi muita coisa do tipo “Ah, a Jade foi uma excelente ginasta. Pena que acabou assim”. Não queria esse “pena que” pra mim. Não estava acabada e corri muito atrás. O período pós-Pequim foi terrível. Vinha pro ginásio fazer borracinha, depois treinava sem usar as mãos, só fazendo trabalhos com as pernas. Fui evoluindo até o médico me liberar. Mas ele mesmo disse não saber se eu poderia voltar à fazer ginástica. Aí eu comecei a treinar muito. E nesse ano (2010) ganhei uma medalha no mundial, no salto, o aparelho que eu sempre gostei de fazer. Aí pude finalmente dizer “A Jade voltou”.