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Paratleta do AM critica trecho que vitimou cadeirante na São Silvestre

O paratleta Israel Cruz, 40, que participava da prova de cadeirantes descia a ladeira da Rua Major Natanael, quando apenas 10 minutos após a largada perdeu o controle da cadeira e se chocou com o muro do estádio Pacaembu por volta das 6h50 (Manaus) 07/01/2013 às 07:29
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Problemas no equipamento fizeram Denílson de Oliveira desistir de viajar
Isabella Pina Manaus

Realizada religiosamente no dia 31 de dezembro, a Corrida Internacional de São Silvestre, que acontece em São Paulo, é sem duvidas a Maratona mais tradicional do País. No último dia do ano de 2012 a 88ª no lugar da alegria costumeira ao final da corrida, o clima foi de luto. O paratleta Israel Cruz, 40, que participava da prova de cadeirantes descia a ladeira da Rua Major Natanael, quando apenas 10 minutos após a largada perdeu o controle da cadeira e se chocou com o muro do estádio Pacaembu por volta das 6h50 (Manaus) O paratleta foi levado a Santa Casa de Misericórdia onde deu entrada as 7h35, mas duas horas depois Israel faleceu devido a um trauma toráxico.

Em virtude do trágico episódio, o CRAQUE foi conversar com um dos grandes nomes do paratletismo na corrida de Rua do Amazonas: Denílson de Oliveira, 38, que já participou da São Silvestre em 2007 e 2009, alem de outras grandes provas como a Corrida do Fogo em 2008 e Archer Pinto em 2010 e 2012. Denilson conta que quando participou da São Silvestre, o trajeto da prova era diferente, mas ainda assim existiam trechos que requeriam atenção dobrada. “Para manusear a cadeira é necessário muito treino, em ladeiras principalmente. O atleta precisa ter noção de tudo que pode acontecer repentinamente e estar pronto para qualquer mudança brusca de direção ou frear”, contou.

Denilson participaria da edição que vitimou Israel, mas desistiu de ir por que sua cadeira precisava de reparos e preferiu não arriscar. Israel também queria desistir da prova, mas acabou participando por causa das passagens que já estavam compradas. O paratleta amazonense acredita que apesar do erro na organização do evento ao submeter cadeirantes a situações de risco, os acidentes geralmente são causados pelos próprios atletas, que precisam ter muito sangue frio para conseguir controlar a cadeira e fazer curvas a tempo.

Acredita-se que a hipótese mais provável do acidente fatal tenha sido fruto de um problema técnico na cadeira, mas não descarta alguma falha do próprio atleta. A descida foi inclusa no trajeto na edição da prova de 2011, e já havia causado acidentes parecidos, mas sem a gravidade do episódio que ocorreu no último dia de 2012. A discussão que existia entre os cadeirantes sobre a inclusão da ladeira já acontecia antes mesmo do acidente.