Publicidade
Esportes
SUPERAÇÃO

Paratleta que trabalha como agente de portaria sonha disputar Jogos de 2020

Halterofilista paraense, que mora em Manaus, carrega rotina de trabalho e estudos em meio à preparação para competição nacional 11/04/2018 às 05:30
Show 1344749
Vitor Afonso busca vaga na seleção principal para se aproximar da vaga paralímpica. (Foto: Jander Robson)
Valter Cardoso Manaus (AM)

Quem vê o sorriso no rosto de Vitor Afonso nem imagina a rotina do paratleta que está prestes a enfrentar uma das competições mais importantes do ano. Na próxima sexta-feira (12), tem início a Segunda Fase Nacional de Halterofilismo, parte do Circuito Caixa Norte Centro/Leste, disputado em Goiás, e o jovem de 21 anos tem uma rotina pesada de treinos, mas não é só no levantamento de peso que Vitor precisa mostrar força.

“Nosso dia a dia é corrido, é de 5h até 22h, não para. De manhã cedo vamos treinar, de tarde tem o trabalho, de noite tem a faculdade, aí volta para casa, faz as coisas do dia a dia e depois, de manhã de novo, de segunda a sexta sem parar”, revela o paratleta, que trabalha como agente de portaria em uma escola de Manaus.  

O paraense, que mora em Manaus desde os 16 anos, é portador de uma doença rara. “Essa patologia,  agravou-se quando eu tinha doze anos de idade. Até então eu não tinha esta patologia mas, independente do meu desenvolvimento, eu cresci muito e a cabeça do fêmur acabou deslizando da bacia, então veio a patologia que é chamada epifisiólise e hoje, ela está colada, mas eu não sinto dor, não sinto nada, mas tenho ela dentro de mim”, explicou.

A descoberta no esporte paralímpico aconteceu quase por acaso e, desde então, a vida do jovem mudou para sempre.

“Eu malhava por autoestima mesmo, musculação, até que achei uma pessoa que me indicou, disse que eu tinha possibilidade de participar do esporte paralímpico. Era uma deficiência que eu tinha mas, até então, não sabia que se encaixava naquele esporte. Foi em 2016 que fizemos a classificação e eu passei na minha patologia e deu certo. Foi um esporte que encaixou em mim e eu gosto, então é um esporte que nós vamos como algo para levar para a vida toda. Não penso em parar, não penso em desistir e hoje eu tenho este esporte na minha vida, que foi uma superação para mim”, garantiu Vitor Afonso.

Hoje, o atleta representa uma equipe de São Paulo e conseguiu bom resultado na primeira competição do ano, quando ficou com a terceira posição, e busca seguir evoluindo no esporte.

“Desde a primeira semana de janeiro já estamos nos preparando para essas duas competições e esperamos nos dar bem nesta segunda competição para ir bem no brasileiro, melhorar ainda mais a nossa marca”, pontuou.

“A expectativa a curto prazo é chegar, de imediato, à seleção brasileira e o índice que temos que bater que é 185 kg até o final do ano. Em 2017 eu tive um desenvolvimento muito bom, na categoria júnior, que é muito acirrado. Conseguimos ir para o México com o meu resultado de 164 kg, e eu fui e conquistei o terceiro lugar e agora, como é a seleção adulta, tenho que bater o índice. Esse ano pensamos em chegar no índice para, no ano que vem, desenvolver para as paralímpiadas”, finalizou o paratleta, pronto para carregar qualquer peso que a vida lhe trouxer. 

Publicidade
Publicidade