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Esportes
Craque

Parque Amazonense está à venda por R$ 8 milhões

Saudosa praça de esporte, que sediou importante estádio, já tem placa de venda; desportistas lamentam  19/06/2012 às 11:04
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Do antigo estádio resta apenas a lembrança das glórias do futebol local
Nathália Silveira Manaus

O Nossa Senhora das Graças, antigo Beco do Macedo, na Zona Centro-Sul, abriga um dos lugares mais importantes do século XX para a prática esportiva na cidade de Manaus: o Parque Amazonense. Famoso por tradicionais corridas hípicas e jogos de futebol, e símbolo de uma geração, o local, que hoje guarda poucas lembranças do que foi o estádio - como o portal de entrada -  encontra-se à venda pelo montante de R$ 8 milhões.

A reportagem do CRAQUE fez contato com o proprietário, que confirmou que o terreno está à venda, mas não quis dar mais detalhes e pediu para não ser identificado.

História
Segundo o historiador Carlos Zamith, o Parque Amazonense surgiu em 1906, no governo do então coronel Antônio Constantino Nery e  do prefeito de Manaus, o coronel Adolpho Guilherme de M. Lisboa,  que através da Lei da Intendência autorizou que aquela terra, no antigo bairro Mocó, fosse concedida a um cidadão e que ali se construísse um hipódromo. Em 1912 o hipódromo foi fechado e, em 1918, através de uma doação de um Dispensário Maçônico, foi construído um estádio de futebol, que passou a receber jogos do Campeonato Amazonense, afirma Zamith.

O primeiro clássico no Parque foi entre Rio Negro e Nacional, no dia 13 de julho de 1918, com o placar de 1 a 1. “Na década de 60, o América Futebol Clube foi arrendatário das partidas. Mas, com a inauguração do Vivaldo Lima, os jogos passaram a ser no novo estádio e o América não teve mais condições de repassar a verba”, contou Zamith. O último jogo no Parque foi realizado em 8 de julho de 1973, entre Rio Negro e Rodoviária. O galo venceu por 3 a 1.

Para o radialista e coordenador do Peladão, Arnaldo Santos, é lamentável a venda desse ponto histórico de Manaus. “É muito triste, é uma falta de respeito com o passado. Agora, não sabemos o que vai ser construído ali e onde está a história da cidade”, argumentou Santos, ao lembrar que fez sua primeira transmissão para o rádio, em 60, no saudoso Parque Amazonense.

Carlos Zamith - jornalista e historiador

1 O que você lembra na época em que o futebol era a principal modalidade do Parque?
O Estádio do Parque Amazonense foi o mais importante naquela época de 1918, e só perdeu força quando o Vivaldão foi construído Era casa do América. O local ainda contava com uma cabine da (Associação dos Cronistas e Locutores Esportivos (Aclea), que foi destruída quando o estádio foi demolido.

2 Qual sua opinião em relação a venda desse local?
Não sabemos o que vai acontecer. Mas, tudo indica que não será mais um parque, talvez abra espaço para edifícios. Na verdade, não acho que acabar com o parque é tão ruim. Afinal, hoje em dia ele não é mais explorado pela população, exceto quando existem algumas peladas no final de semana. E deve ser caro ficar com o local sem<br/> retorno.

3  Como é o parque hoje em dia?
Está abandonado e não tem quem zele pelo local. A fachada há cinco anos foi restaurada, e hoje não tem mais nada.

Paulo André Nunes - Editor-Assistente do CRAQUE
> De campo sublime do futebol amazonense a um terreno abandonado. Da original grama a atual terra batida com gramado ralado. O saudoso parque de tantos gols e memórias do futebol guarda, hoje, apenas uma parca memória afetiva e está prestes a ser vendido.  Levando-se em conta que daqui a dois anos Manaus será sede da Copa do Mundo, essa iniciativa se reveste de expectativa para saber quem vai ser o novo proprietário desse verdadeiro símbolo do esporte do Estado.

No mundo do “esporte perfeito”, o desejo seria que o novo dono fosse alguém do ramo do futebol. Fiquemos com nossa esperança.