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Peladão 2012: Conheça a trajetória do time “Emtran” de Manacapuru (AM)

Hoje o caderno especial conta o segundo e último capítulo da história da única cidade que tirou de Manaus o título do Peladão. Depois de mostrar a saga do Furacão, em 1985, pulamos para 1993, quando o Emtram repetiu o feito 09/11/2012 às 15:39
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Na segunda parte da saga, o jeito tosco de viajar de Manacapuru a Manaus para ser campeão
Lúcio Pinheiro Manaus

Hoje o caderno especial conta o segundo e último capítulo da história da única cidade que tirou de Manaus o título do Peladão. Depois de mostrar a saga do Furacão, em 1985, pulamos para 1993, quando o Emtram repetiu o feito. Apesar de terem alcançado a mesma glória, o caminho que os dois times de Manacapuru percorreram até o título foi bem diferente. Os meios como a equipe do Furacão se deslocava até Manaus, por exemplo, eram, no mínimo, curiosos.

Enquanto o Emtram, em 1993, saia de Manacapuru em um ônibus confortável da empresa que dava nome ao time, os atletas do Furação, em 1985, iam para Manaus pendurados na carroceria de uma caminhonete, usada na cidade para transportar carne.

A caminhonete era do técnico do Furacão, Jacinto César da Costa Teles, que era açougueiro em Manacapuru. O carro, que tinha carroceria de madeira, estava surrado. Numa das viagens, o veículo não tinha sequer placa. E os jogadores contam que escreveram os números num pedaço de pneu.

“Pintamos o pedaço de pneu com tinta amarela. E com o dedo mesmo fizemos os números da placa com tinta preta. Na estrada, vínhamos segurando o pneu para secar a tinta com o vento”, lembra Zezinho Sofim, ex-jogador do Furacão.

O improviso não convenceu a Polícia Militar. “Não havia a ponte no rio Ariaú. O carro tinha que atravessar a barreira da polícia. O policial, quando viu a placa, disse que o carro não seguiria. Convencemos ele, mas deixou a gente ir só até o Cacau Pireira. De lá, atravessamos o rio Negro sem carro, e um colega nos pegou no São Raimundo”, disse Rildo.

Sofim lembra que, depois de perderem o primeiro jogo por W x O, e ver que ninguém iria a Manaus para o segundo jogo, tomou uma decisão. “Peguei a bicicleta, fui na casa do Jacinto e insisti para ele ir atrás dos meninos. Alguns estavam saindo da festa na boate chamada Velha Guarda. Sem dormir, o jogadores subiram no carro velho. Vencemos por  11 a 1”. Isso que é aventura.

Sem pena de fazer gol
Na tarde do dia 23 de janeiro de 1994, um domingo, o então governador do Amazonas, Gilberto Mestrinho, deu o pontapé inicial da partida que terminaria, pela segunda vez em 21 anos de Peladão, com um time do interior do Estado erguendo a taça de campeão do maior campeonato de futebol amador do mundo.

Quis o destino que, depois do inesquecível título do Furacão (1985), de Manacapuru, outra equipe da “Princesinha do Solimões” erguesse e mesma taça. A façanha que colocou de vez o município na história do Peladão foi alcançada pelo Emtram. O nome era uma homenagem a uma empresa de transporte coletivo da cidade.

Para chegar ao título do Peladão (1993), o elenco do Emtram contava com jogadores campeões pelo Furacão, como o volante Paçoca e o ponta direita Rildo. Àquela altura, a base do time era formada por atletas do Princesa, time também de Manacapuru, e até então, o único representante do interior no campeonato Amazonense.

A campanha do Emtram foi arrebatadora. Além do título, o time aplicou a maior goleada até então registrada: 21 a 1. “O outro time nem queria voltar para o segundo tempo. Tivemos que prometer para eles que iríamos deixá-los em casa depois do jogo”, lembra o zagueiro Pedrão.

Do Entram daquele ano também saiu o craque do campeonato. Foi o meia direita Ênio. Decisivo ao longo do campeonato, ele se machucou na semana da final. “Mesmo assim fui para o jogo. Joguei 12 minutos. Ninguém queria ficar de fora”, conta o craque do Peladão de 1993.

Ênio guarda com carinho o troféu de craque. O ex-jogador lembra que quase todos os jogadores do Emtram, após o título, receberam convites para atuar em times de outros estados da região Norte.

“Um time de Boa Vista queria me contratar. Eles ofereciam um contrato de seis meses, ganhando US$ 600”, diz Ênio, que, assim como os outros campeões, preferiram ficar no Princesa.