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Peladão 2012: Time do Peladinho encarna ao extremo modo simples de viver e jogar futebol

Com hino e tudo o que tem direito, a história dos Primatas FC, do bairro Colônia Santo Antônio, Zona Norte, é escrita na competição 09/11/2012 às 09:33
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De Veraneio os meninos do Primatas viajam de um lado para o outro todo final de semana em busca de vitórias no Peladinho 2012
Antonio Melo Manaus

“Primatas, Primatas, Primatas, vocês vão jogar!!! Primatas, Primatas, Primatas, faz um gol pra galera vibrar!!! O futebol é uma arte, e os Primatas aprenderam a jogar. Me dá licença, adversário, os Primatas é que vão jogar”. Além do espetáculo que os times apresentam dentro de campo, o Peladão é uma colheita de diferentes histórias e situações inusitadas. E quando você pensa que já viu de tudo neste pequeno planeta, eis que surgem coisas novas.

Com hino e tudo o que tem direito, a história dos Primatas FC, do bairro Colônia Santo Antônio, Zona Norte, é escrita no Peladinho. Tudo de diferente que você pode imaginar em um time de futebol, lá é possível encontrar. Simplicidade, improviso e a filosofia de ajudar um ao outro, são fatores que caracterizam essa equipe.

Enquanto muitos times possuem toda estrutura capaz de auxiliar a garotada que um dia, sonha ser jogador futebol, o time da Colônia Santo Antônio usa o que tem à mão para manter acesa a chama dos pequenos amantes da bola de ter um futuro melhor.

E ensina uma grande lição aos amantes do esporte: que os embates da vida também ajudam o indivíduo a crescer.

No Primatas FC não existe mordomias. Lá os jogadores não usam chuteiras de marca ou materiais esportivos renomados. A simplicidade e a vontade de vencer na vida são combustíveis que alimentam o sonho da garotada. Ao invés de ônibus novos e equipados com ar condicionado, sistema de som, com conforto e rede wi-fi, nos Primatas quem reina é um antigo carro de nome Veraneio, modelo 72, fabricado dois anos antes de o Peladão ser criado para o mundo.

Ele leva a garotada de um lado a outro e ensina a arte de comportar 14 adolescentes em um espaço pequeno. Lá não existe preconceitos, o que vale mesmo é a união e o prazer de estar ao lado dos companheiros de time, que mesmo cansados após um jogo difícil, se alegram e se divertem enquanto voltam pra casa com o sentimento de dever cumprido.

“Cuido bastante desse carro e dessa meninada. Aqui trabalhamos com o que temos, mas, com a ajuda de Deus temos conseguido ir aos jogos. Quero poder ajudá-los a fazer escolhas certas na vida” conta o presidente do time, Gilberto da Silva, 61, o pai dessa ideia.

Com 14 anos de existência a criação da equipe tem um único objetivo: tirar os garotos da comunidade da Colônia Santo Antônio da ociosidade e dar a eles qualidade e expectativa de vida por meio do esporte.

“A finalidade é livrar esses meninos de muitas coisas ruins. São adolescentes de famílias humildes que, às vezes, vivem na ociosidade. Estamos com esse projeto de ajudá-los a levar uma vida melhor por meio do futebol” conta o mandatário, com a simplicidade de quem guia seu camburão como se levasse os meninos para o futuro.

A união faz a força
O Chevrolet Veraneio foi produzido no Brasil de 1964 a 1994. A carroceria original foi produzida até 1989, quando foi re-estilizada para acompanhar as picapes da Série 20. Hoje faz sucesso no Peladão.

HINO DO TIME

“Primatas, Primatas, Primatas, vocês vão jogar!!!

Primatas, Primatas, Primatas, faz um gol pra galera vibrar!!!

O futebol é uma arte, e os Primatas aprenderam a jogar. Me dar licença adversário, os Primatas é que vão jogar”.

Primatas, olha as tuas cores, o verde é a cor da mata, o amarelo é a cor do ouro e o vermelho é o sangue que tu dá”.

Carrossel da garotada remédio


No Primatas FC não existe jogador que conta com uma vaga definitiva na equipe. Aprende-se um pouco de tudo.  Em um jogo o zagueiro pode virar atacante, o meio campo virar zagueiro e o lateral virar atacante. Uma matemática de complexidade, no melhor estilo carrossel holandês da copa de 1974. Enquanto no mundo do futebol para ser zagueiro tem que ter estatura, nos Primatas quem comanda linha atrás é Guilherme Lima da Silva, 13, com seus 1,50m.

Seguindo o pensamento popular de que “tamanho não é documento”, o zagueiro exerce a função de um verdadeiro coringa dentro de campo, além de demonstrar a valentia de um leão. “Eu jogo em todas as posições. Onde o professor precisar me colocar eu jogo. Como neste jogo o time não tinha zagueiro eu tive que atuar”, disse.

Perguntado pela equipe de reportagem, porque, apesar de haver outros jogadores no banco que tinham altura para atuar como zagueiro, apenas ele foi escolhido, o coringa não questionou. “Quem manda é o professor, eu só cumpro ordens” disse.

Como toda criança brasileira, Guilherme um dia sonha em brilhar em outros gramados do Brasil, e deseja jogar como profissional pelo time do Flamengo. Enquanto o sonho não se realiza o pequeno manauense estuda, treina e espera a oportunidade.