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Peladão 40 anos: A leoa está à solta

Irlani Paula de Carvalho comanda com mão de ferro seus jogadores nos campos do Peladão  26/10/2012 às 11:38
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Irlani comanda com mão de ferro seus jogadores nos campos do Peladão
Lúcio Pinheiro Manaus

Apesar da forte participação popular, manter um time disputando o Peladão não é fácil. Por isso, antes mesmo de entrar em campo, muitas equipes têm que vencer verdadeiras batalhas do lado de fora. É aí que muitas figuras se revelam como grandes guerreiras. A reportagem encontrou uma delas na segunda rodada do campeonato.

Com a força e a garra de uma leoa, há três anos a agente comunitária de saúde Irlani Paula de Carvalho, assumiu a tarefa de comandar a equipe do Leão de Judá F. C. Aos 46 anos, essa avó não mede esforços em nome da paixão que tem pelo futebol, e dá um exemplo de superação.

Com um salário de R$ 900 reais, Irlani se vira como pode para garantir a entrada do time em campo a cada rodada. Sem grana, Irlani contou este ano com o talento da mãe na costura para dar à equipe um uniforme novo.  “Foi minha mãe que fez o equipamento. Pintamos o escudo à mão. Demorou duas semanas”, contou.

Nos dias das partidas, para garantir que alguns jogadores cheguem aos locais dos jogos, Irlani diz que ajuda os atletas nas despesas com passagem de ônibus. “Faço tudo isso porque sou apaixonada pelo futebol. Gosto de ver os meninos se divertindo”, explicou.

Depois de todo o esforço o Leão de Judá entrou em campo no final de semana passado. O adversário, que atendia pelo nome de Rei Davi, metia medo. Só para deixar as coisas ainda mais difíceis, o time de Irlani quase não consegue iniciar a partida  por falta de jogadores.

Para não perder por W X O, o Leão de Judá iniciou o jogo com apenas seis atletas, o que lhe rendeu uma derrota no primeiro tempo por 2 a 1. “Muitos dos meninos trabalham no Distrito Industrial, e não conseguiram sair mais cedo”, justificava Irlani, no intevalo da partida.

Virada espetacular
Na etapa complementar, toda a luta da leoa Irlani foi recompensada, e o time conseguiu uma virada espetacular. Nos dez minutos do segundo tempo, o placar já marcava 5 a 3 para o Leão de Judá.

Na beira do campo, Irlani era só alegria, ao ponto de ignorar os 18 pontos no pé direito, de uma cirurgia que fez para a retirada de um cisto. Mas com o jogo muito pegado e a forte reclamação do adversário em cima da arbitragem, ela só conseguiu relaxar mesmo quando o juiz apitou pela última vez, e decretou a vitória do Leão de Judá sobre o Rei Davi.

Timão e Pará juntos
O Leão de Judá foi fundado em 2004, pelo cunhado de Irlani, Edmilson Xavier, 29. Paraense e corintiano, ele substituiu a bandeira de São Paulo pela do Pará no escudo do time paulista e pronto: estava criado o brasão da equipe.

Por causa de um problema de saúde, Edmilson não pode mais se dedicar ao time. Foi quando Irlani e o marido, Edilson, 25, irmão de Edmilson, assumiram o Leão de Judá.

Fundada no bairro Alfredo Nascimento, a equipe disputa o Peladão desde 2010, quando chegou às oitavas de final. Irlani disse que conhece o talento de cada atleta, e garante que o marido dela não é o camisa dez e capitão do time por nepotismo. “É porque ele joga bem mesmo”, justifica a agente comunitária.

No campo, Edilson provou que a companheira não mente. Ele marcou um dos cinco gols da vitória da equipe. “Ela me apoia e apoia o time. Nosso objetivo é tornar o Leão de Judá conhecido. Estamos no terceiro ano participando do Peladão. Ano passado chegamos perto. Esse ano queremos chegar perto de novo, ou até ganhar o campeonato”, declarou o capitão do time familiar.

Feliz com a estreia do time, Irlani só lamentava a demora na recuperação da cirurgia no pé. “Devido às extravagâncias no campo, os pontos inflamaram e só vou poder tirá-los dia 30. Mas vai dar tudo certo, e no próximo jogo estarei lá, torcendo ao lado do meu neto, José Henrique, de um ano”, disse.