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Peladão 40 anos: Confira a história da gari que sonha em ser rainha

Nem os sacrifícios que a profissão de gari exigem impediram Márcia Lobo de correr atrás do título de Rainha do Peladão 2012 05/10/2012 às 09:57
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Nem os sacrifícios que a profissão de gari exigem impediram Márcia Lobo de correr atrás do título de Rainha do Peladão 2012
Nathália Andrade Manaus

O sonho de ser Rainha do Peladão ultrapassa barreiras e vence dificuldades que, para muitos, parecem insuperáveis. Exemplo disso é a gari Márcia de Almeida Lobo, 34, mãe de cinco filhos, que representa o time Sociedade Esportiva União, do bairro do São Raimundo.

Atrás da simplicidade de quem não dispõe de luxo algum para viver, está uma mulher vaidosa, sonhadora, que traz um sorriso como cartão de visita. “Não me deixei abater pelos muitos momentos difíceis que já enfrentei, muito menos perdi a alegria de viver”, disse Márcia, que divide o tempo da maneira que pode entre varrer as ruas do bairro da Glória, cuidar dos filhos, do marido e ainda investir no visual.

Rotina acelerada
Há oito anos Márcia iniciava uma nova fase, que mudaria a vida dela. “Nunca pensei em ser gari, não estava nos meus planos, mas aconteceu e foi um dos melhores presentes que Deus me deu”, destacou.

A candidata conta que passava por uma situação financeira difícil e queria trabalhar, só não sabia com o que. “Um dia, por acaso, comecei a conversar com uma gari no São Raimundo. Ela me falou sobre a profissão e me interessei bastante. Corri atrás, tirei os documentos necessários e fui à luta. Apesar da concorrência, que era grande, consegui a vaga”, lembra.

É com orgulho que ela levanta todos os dias, veste o uniforme, pega o material de limpeza e caminha até o ponto da “varreção” (termo usado pelos garis para descrever o trabalho). O almoço é em casa mesmo. Ela tem uma hora para arrumar as crianças para a escola, cuidar da comida, almoçar e voltar ao trabalho. “Quando posso levo marmita para os meninos, é corrido, mal dá tempo de mastigar, mas eu dou conta”, avisa Márcia, que conta com a ajuda do marido, o ferreiro Landemberg da Silva, nas despesas domésticas.

De plebéia à rainha
“Quando eu era criança, costumava observar os desfiles do Peladão e via as rainhas, aquelas moças bonitas, na frente do time, levando a bandeira. A única coisa que eu conseguia pensar era que um dia eu também queria ser uma Rainha do Peladão”, disse ela, que confessou ter ficado surpresa com o convite.

Márcia foi chamada pelo próprio presidente da Sociedade Esportiva União (S.E.U.), para ser a representante do time no concurso de rainhas. “Depois de velha e com cinco filhos, um convite desses até me assustou, não vou mentir. Consultei meus filhos e decidi encarar mais esse desafio”, se orgulha.

A filha mais nova tem dois anos e a mais velha, 13. De família humilde, ela diz que tentar dar um futuro melhor para eles é sua maior motivação na vida. “Minha mãe morreu quando eu tinha 11 anos, meu pai era alcoólatra e não tinha condições de cuidar de mim e dos meus três irmãos. Fomos morar com uma tia que também morreu, anos depois. Aprendi a dar o valor que a família merece. Quem tem uma deve agradecer a Deus”, alertou Márcia.

Realizada
“Sou realista, sei que não serei a vencedora, mas só de ter participado da abertura com aqueles shows, desfilando pra tanta gente, ao lado de meninas bonitas, me senti muito feliz, até me emociono em lembrar”, concluiu Márcia, que se diz satisfeita com o emprego e a família.

Uma coisa é certa, se não der para Márcia, ela não precisa se preocupar. Entre as quatro filhas mulheres, uma já é promessa para os próximos anos. “Meu sonho é ser Rainha do Peladão”, revela Renata Hizabelly, de 10 anos. É esperar para ver!

Família unida, família feliz
Na correria do dia a dia, Márcia desempenha diversas atividades, sem deixar a peteca cair. Sai pela manhã para o trabalho, retorna para preparar o almoço das crianças e arrumá-las para a escola, amamenta a filha de dois anos, cuida dos afazeres domésticos e ainda volta para o segundo turno de trabalho. A família mora em uma casa pequena e humilde, mas Márcia e o marido não deixam faltar elementos fundamentais: união, amor e alegria.

A musa do S.E.U.
A Sociedade Esportiva União, comandada pelo presidente Ramirez, está disputando o Peladão pelo 16° ano consecutivo, mas pela primeira vez com esse nome. O time antes se chamava Clube Atlético Amigos da Amélia e já chegou à 31ª posição.