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Peladão 40 anos: Conheça os comandantes do maior campeonato de peladas do mundo

De morte a cachorro em campo, os homens que comandaram o Peladão viram de tudo um pouco 28/09/2012 às 09:37
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Messias Sampaio e Arnaldo Santos
Lúcio Pinheiro Manaus

No comando do maior campeonato de peladas do Mundo, os homens que tocaram o barco nesses 40 anos de Peladão já viram de tudo: morte de jogador a caminho de jogo, partidas decidias no par ou ímpar e até dono de time soltar, literalmente, os cachorros em cima do árbitro.

O pioneiro do campeonato que comemora quatro décadas foi o jornalista, ex-vereador e deputado estadual, Messias Sampaio. O ano era 1973. O País entrava em um longo período de instabilidade econômica. E em Manaus, as possíveis oportunidades da Zona Franca de Manaus (ZFM) atraíam jovens de todos os cantos do Estado. “Tínhamos uma leva de jovens em idade perigosa sem ter o que fazer. Então, surgiu a ideia de realizar algo que desse uma ocupação. E o Calderaro imaginou que o Peladão poderia fazer esse papel”, lembrou Messias.

O desfile de abertura das equipes do primeiro Peladão foi na avenida Eduardo Ribeiro, no Centro, e já deu a indicação de que o evento se tornaria grande. “O desfile mobilizou a cidade. O Humberto Calderaro se apaixonou pela festa”, recorda.

Das muitas histórias que colecionou durante 25 anos, Messias lembra de um episódio que define bem o espírito dos peladeiros. “Em um Torneio Início os jogos atrasaram, mas os finalistas tinham que sair naquele dia. O campo não tinha refletor e as equipes resolveram ligar os faróis dos carros para o do campo e continuar a partida”.

Os tempos de Arnaldo
Após 25 anos, Messias passou o comando para o radialista Arnaldo Santos, em 1998. Sob a coordenação de Arnaldo, a competição se expandiu. Nesses 15 anos, o coordenador coleciona com orgulho os números da grandeza que é hoje o evento: A reunião de 14.429 equipes, um total de 340.926 atletas espalhados pelos campos de Manaus e do interior, não são números para qualquer um.

Mas a estreia não poderia ser pior. Na primeira rodada da edição de 1998, o coordenador teve que administrar a morte. “O meu primeiro dia no Peladão foi um terror. Um jogador faleceu na parada de ônibus quando seguia para o jogo, e um dirigente de uma das equipes também morreu horas antes de um jogo”, recorda. Mas superar desafios também é sinal de grandeza. “O Peladão é cidadania. É um grito de liberdade. Aquele cidadão que está no ostracismo social, é reconhecido pelos colegas porque foi o cara que fez o gol. Isso é cidadania”.

Aliste-se
Um campeonato que ajudou a estreitar os fortes laços do jornal A CRÍTICA com o povo de Manaus. À esquerda, à cima, a chamada para o dia em que tudo começou. O Torneio Início, disputado no final de semana dos dias 3 e 4 de novembro. Abaixo a primeira ficha de inscrição do Peladão. Nela, o espaço para a foto do jogador e alista de prêmio para o campeão, que incluía troféu, medalha e três bolas dribles.  

Ele domou os valentões
“O Peladão é um marco. Não só no esporte, mas na vida social de Manaus”, define o ex-vereador Plínio Valério, que coordenou o Peladão ao lado de Alexis Benevides, em uma das duas vezes em que Messias Sampaio se afastou da coordenação. “Antes do Peladão, não tinha nada na cidade que pudesse promover essa mistura de classes, onde o time do porteiro pode enfrentar a equipe do patrão dele, todos em igualdade”, ressalta.

Plínio lembra que, à época, sem Internet ou celular, o jornal A CRÍTICA era o principal canal de comunicação com os times. “Todo mundo corria para comprar o jornal para ver a tabela e as datas dos jogos. Foi uma forma de popularizar ainda mais o jornal”, conta o ex-coordenador. Na decisão de 1984, Plínio conta que resolver levar o jogo para o campo do Colégio Militar, no Centro. A ideia era colocar um pouco de medo nos valentões. “Não tinha um policial no campo. Mas, funcionou”, brinca.

Alexis Benevides - Ex-coordenador do Peladão
 “Acompanhando cada chave, nós tínhamos uma pessoa da nossa confiança. Pois não podia ir a todos os jogos. Assim era possível produzir o relatório do campeonato e corrigir os problemas que por acaso acontecessem. Fiquei por três anos. Sempre gostei de futebol. E o Peladão mexia com a cidade toda. O maior trabalho que eu tinha na época era só separar os briguentos. O colégio Militar lotava. Um projeto como o Peladão, cria alternativas. É importante expandir. Levamos para o interior. À época, fez mais sucesso do que na capital, porque não tinha nada parecido”.

 Kid Mahall - Coordenador das rainhas
 “Estou há 12 anos na coordenação do concurso de rainhas e posso dizer que essa é uma das coisas que mais gosto de fazer. É muito prazeroso. Ao longo desse tempo, já conheci mais de 12 mil pessoas e o mais complicado de tudo é lidar com as diferenças e fazer com que as candidatas entendam e coloquem em prática duas regras básicas: disciplina e respeito. Mas é muito gratificante, pois aprendo, a cada ano, a valorizar ainda mais as relações entre os seres humanos. Sem contar que nos envolvemos muito, tenho amizades que nasceram no Peladão e levarei para sempre”.

 

Américo Loureiro - Ex-coordenador
Coordenador do Peladão no segundo afastamento de Messias Sampaio (de 1989 a 1991), o ex-vereador Américo Loureiro lembra da festa que os times faziam já no sorteio das chaves, na sede da coordenação do campeonato, na rua Joaquim Sarmento, no Centro. “O Peladão era um Carnaval fora de época”, define Américo.

Nos bastidores, a equipe responsável por organizar os times pelos campos de Manaus transpirava tanto quanto os atletas. Sem as facilidades tecnológicas de hoje, a tabela do campeonato era toda feita a mão. “Nós tínhamos que sentar e fazer manualmente. Imagina fazer isso com 1.377 times?”, recorda.

Antes de ser um dos comandantes do Peladão, Américo estreou no campeonato como dirigente do JAP, equipe do bairro do São Raimundo, na Zona Oeste, campeã da primeira edição da competição. “Uma vez, um juiz tava com a arbitragem tendenciosa para uma equipe. O dono do outro time, que tava com um Rottweiler na beira do campo, no fim do primeiro tempo, soltou o bicho para pegar o juiz, que escapou subindo numa árvore”, lembra Américo, uma memória viva do Peladão.