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Peladão 40 anos: Manaus Moderna e Panair mostram que as feiras vão além do comércio

As duas principais feiras de Manaus brigam neste fim de semana, em jogos diferentes, pela classificação para as quartas de finais do Peladão 11/01/2013 às 11:35
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Chico (de boné), presidente do Manaus Moderna, não monta time no Peladão apenas para participar como figurante
Antônio Melo ---

Frutas, verduras, peixes, carnes e tudo mais o que você espera encontrar numa feira livre, agora, tem a ver com futebol. As duas principais feiras de Manaus brigam neste fim de semana, em jogos diferentes, pela classificação para as quartas de finais do Peladão.

A Manaus Moderna, atual campeã e com dois títulos na bagagem, faz valer a força dos trabalhadores ao lado da Panair, sedenta por uma conquista inédita. As duas equipes fazem parte do seleto grupo de times favoritos ao título do Peladão 2012.

Na Manaus Moderna a equipe tem mostrado dentro das quatro linhas o peso de ter nas costas duas conquistas do Peladão. Com uma campanha impecável, o time disputou oito jogos, conquistou sete vitórias obteve apenas um empate.

Chico, dono de uma banca de verduras na Manaus Moderna, e presidente orgulhoso de seus feitos, não economizou nas contratações, trazendo quatro reforços. Um deles, o experiente goleiro Carlos Roberto Ferreira, 29, o “Betinho”, que traz no currículo dois títulos conquistados e dois prêmios de melhor goleiro do Peladão. Este ano ele trocou de banca, quer dizer, de time. “O Betinho jogou quatro anos no Panair, notamos que ele era um bom goleiro e, pela história que ele tem no campeonato, o convidei para jogar conosco. É um investimento para a equipe que deu certo. Até agora levamos um gol no campeonato, e isso é um mérito de toda equipes”, conta o mandatário.

Bastante ‘quilometrado’ na competição, o arqueiro foi campeão em 2005, pelo Tabajara, e em 2006, pelo Compensão, ano que ganhou o troféu de melhor goleiro. Em 2007, ainda no Compensão, o jogador foi vice.

De 2008 a 2011, o atleta resolveu respirar novos ares e defendeu as cores do Panair F.C, onde construiu uma história de aprendizado e crescimento.

Em 2009, mais uma vez, o goleiro foi vice pelo Panair, e fez parte da final que entrou para a história do Peladão, na qual 42.608 torcedores lotaram as arquibancadas do estádio Vivaldo Lima, no último jogo antes da demolição para a construção da Arena Amazônia.

Naquele jogo o goleiro não conseguiu levar o troféu para o Panair, mas conquistou outra vez o prêmio de melhor goleiro da competição. “Para mim é um prazer muito grande jogar na Manaus Moderna. E caso eu tenha o prazer de enfrentar o meu ex-time, o Panair, para mim seria uma honra”.

Esse cara é o Bartor

Com certeza a tarde chuvosa de domingo nunca será apagada da memória do jovem meio campista da equipe do União da Ilha da Manaus Moderna, Bartolomeu Pereira, o “Bartor”. Em um jogo decisivo onde seus companheiros guerreavam para conseguir a classificação, na pesada grama do estádio da Colina, o jogador jamais imaginaria que seria chamado do banco pelo treinador para decidir a partida.

Nos minutos finais, contra o Karolaine/ Unidos do Alvorada, o jogo parecia rumar para os pênaltis, e eis que surge o iluminado. O jogador entrou em campo como quem não quer nada, e na primeira oportunidade que teve, mandou um foguete para o fundo do gol, decretando a classificação do seu time. Natural do Piauí, falou que o jogo foi um dos melhores dos dois anos que defendeu as cores do Manaus Moderna. “Eu tenho apenas um gol no campeonato, mas não é apenas um gol, é o gol. Com ele pude ajudar meu time a se classificar para as oitavas de finais e estou muito feliz com isso”. O jogador fez parte do elenco que foi campeão em 2011 e sonha em ter mais chances na equipe.

Hora de fisgar a taça


“Nunca desista, nunca volte atrás, nunca perca a fé”. Se há uma frase que resume a trajetória do Panair F.C, da Colônia Oliveira Machado, no Peladão, as palavras seriam estas. Desde sua fundação, em 2001, quando ainda era chamado de “Organizada”, pelo fato de todos os trabalhadores da feira se unirem para montar um time, a equipe vem tentando entrar para o hall dos campeões da competição. Apesar da sina o time tem sido campeão em muitos campeonatos de bairro, nos quais usam como preparação para os jogos do Peladão, o prato principal.

Sempre com uma equipe forte e bastante competitiva, o time tenta a conquista inédita no Peladão. Mas sempre quando a luz no fim do túnel começar a ter um brilho mais próximo, o time não consegue alcançá-la.

O fundador da equipe, Raimundo Montenegro de Freitas, 60, em tom de humor e de muita brincadeira, afirma que desde a criação do Panair tem sido muito sofrimento, e que apesar das lutas e dos “quases”, o time vem se destacando no decorrer dos anos dentro do campeonato, sempre representado por um bom time.

“São onze anos de sofrimento, como o povo daqui fala, e nenhum título conquistado. Mas é assim mesmo, as derrotas nos ensinam a sermos vencedores. Já ficamos entre os oito primeiros, depois entre os dezesseis melhores e, em 2009, fomos vice perdendo nos pênaltis para o Unidos do Alvorada, por 3 a 2. Se Deus quiser, este anos, vamos levantar a taça. Eu estou confiante nisso, porque o time está trabalhando muito”.

Reforço do outro lado

Se o União da Ilha da Manaus Moderna contratou como reforço o goleiro Betinho, que jogou quatro anos na Panair, o mandatário do time, Raimundo Montenegro de Freitas, convidou o atacante Marcos Vinícius, 23, campeão em 2011, pela Manaus Moderna. Segundo o dirigente, o brilho de campeão do jogador pode trazer sorte. “O Marquinho é um ótimo jogador que veio somar na equipe. Ele tem feito bons jogos e marcado muitos gols. Esperamos que neste ano essa sina de não conquistar o Peladão acabe”, disse.

Morador do bairro Colônia Oliveira Machado, Marquinho (como é conhecido), realizou um antigo sonho. O de representar as cores do seu bairro no Peladão. O jogador não esconde a alegria de fazer parte da equipe. “É muito bom estar aqui. É um sonho antigo representar o bairro da Colônia, e este ano o Francisco deu essa oportunidade. Estou feliz de fazer parte disso e espero este título inédito”.