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Peladão 40 anos: Projeto Unidos da Favela tenta tirar jovens da criminalidade, em Manaus

O trabalho que existe há mais de dois anos no bairro tem como principal finalidade, além do incentivo ao futebol, agregar valores aos adolescentes incentivando-os a dar mais valor ao ambiente familiar e à dedicação aos estudos diários 07/12/2012 às 09:08
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Peladão: Projeto Unidos da Favela tenta tirar jovens da Colônia Antônio Aleixo do grupo de risco da criminalidade
Antonio Melo Manaus

Com o intuito de tirar adolescentes do mundo da criminalidade que envolve a comunidade onde vivem um grupo composto por três jovens do bairro Colônia Antônio Aleixo, Zona Leste, decidiu montar um time para disputar o Peladinho 2012. O trabalho que existe há mais de dois anos no bairro tem como principal finalidade, além do incentivo ao futebol, agregar valores aos adolescentes incentivando-os a dar mais valor ao ambiente familiar e à dedicação aos estudos diários.

De acordo com Geliarde Carioca dos Santos, 32, o maior desafio do Unidos da Favela é desvincular os adolescentes da atmosfera de um bairro onde a violência tem crescido de forma considerável e preocupante.

Ao mesmo tempo eles tentam mostrar que a comunidade também tem talentos que podem ser trabalhados para um futuro de sucesso, não só para o esporte, mas também para a sociedade.

“Esses meninos são como pedras brutas que precisam ser lapidadas. Mas, um dos principais objetivos do nosso trabalho é mostrar que temos talentos aqui na comunidade que precisam ser trabalhados. E o futebol para essa garotada é como um escape da realidade onde eles vivem. Somos como uma família e procuramos encaminhar cada um para um bom caminho”, conta Gilearde, um dos fundadores do projeto social.

Vindo de uma experiência triste recente, o grupo de amigos sofreu uma grande perda. O irmão do artilheiro do time, o craque Ivanilde Pacifico Soares, 13, desapareceu em agosto de 2011 e até agora não foi encontrado.

O desaparecimento de Everson Pacifico Soares, 18, deixou uma grande ferida na família e nos amigos. Hoje, Ivanildo, além de se dedicar ao time, ouve os conselhos da mãe para não trilhar um caminho errado.

Emocionado, ele falou do irmão desaparecido. “A minha mãe sempre aconselhou ele a não andar com más companhias, porque não seria bom pra ele. Ele não quis dar ouvidos e acabou acontecendo tudo isso, atingindo a todos”.

Superar perdas e seguir em frente a longa jornada, são filosofias de vida comum e adotada por essa equipe que sonha em conquistar o inédito título para o bairro Colônia Santo Antônio.

Hoje o time entra em campo com uma camisa que faz homenagem a três amigos que se foram, mas que ficaram marcados no coração de cada um. As letras P, K e N, estampadas na camisa do time Unidos da Favela, são as iniciais dos apelidos dos três amigos assassinados. Denilson, Ezaquel e Janderson.


Um futuro promissor
Apesar da pouca idade, o jovem treinador da equipe, John Everton, de apenas 18 anos, um dos fundadores do time, já mostra a preocupação desde cedo com o futuro dos adolescentes do bairro. Por isso ele resolveu aderir ao projeto de incluir a meninada na prática do futebol. “É muito bom tê-los aqui, é melhor do que eles estarem fazendo besteira. Acredito neles, caso contrário, não estaria nessa luta”, conta.

Nos treinamentos para os jogos do campeonato, cada um contribui para pagar o lanche da garotada. Além de terem momentos de oração e comunhão com Deus, com leituras de Salmos e versículos da bíblia.

“A irmã do Gilearde é evangélica, e sempre quando ela pode, ela faz a leitura de alguns versículos bíblicos. Ela ora e todos nós nos sentimos protegidos por esse ato de fé” disse.

Apaixonado por futebol, John já trilha o caminho para o profissionalismo e atua pelo time do Fabrica de Talentos de Manaus. Em janeiro ele disse que fará um teste na equipe do Tigres do Rio de Janeiro, desta vez para conquistar o sonho de jogar.

Gilearde Carioca – presidente
“Temos fé em Deus que aos poucos o destino desses garotos vai se formar para um futuro bom. Apesar das dificuldades, com a benção de Deus e bons conselhos, eles irão longe. A idéia é superar as perdas e seguir em frente. Mantemos esse projeto para que esses meninos possam encontrar no esporte uma forma saudável de vida. Fizemos uma homenagem no uniforme do time para três amigos nosso que morreram assassinados. Assim, lembramos deles e reafirmamos que o projeto tem uma causa social, uma mensagem a ser transmitida para todos os jogadores e para todos os que moram aqui no bairro. Infelizmente existe gente ruim em todo lugar, eles tiveram o azar de andar com essas más companhias e tiveram esse fimtrágico. Mas trabalhamos para que isso não aconteça com outros”