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Peladão 40 anos: Relembre a trajetória do Unidos do Alvorada no torneio

Em 2009, a equipe levou 42.608 torcedores em uma final eletrizante contra o forte time da Panair, a quem venceu por 3 a 2 nas cobranças de pênaltis 07/12/2012 às 09:41
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O dia em que o tradicional bairro da Zona Centro Oeste ficou vazio para encher o Vivaldão em 2009
Antonio Melo Manaus

O ano de 2009 ficou marcado na memória dos moradores do bairro da Alvorada, Zona Centro Oeste. Naquela temporada o time Unidos do Alvorada levou 42.608 torcedores em uma final eletrizante contra o forte time da Panair, a quem venceu por 3 a 2 nas cobranças de pênaltis.

O estádio Vivaldo Lima recebeu o último grande público em seu palco, antes de sua demolição para a construção da Arena Amazônia, para a Copa do Mundo de 2014. Cerca de 80% dos moradores do bairro viram seus representantes conquistar o título de forma invicta, com 12 vitórias, e entrarem para a galeria dos campeões do maior campeonato de futebol amador do mundo, e ainda estabelcer um dos maiores públicos da história do futebol amador.

Um bairro com uma história marcada por conquistas vindas do esforço dos próprios moradores, cheio de personagens como o senhor Nilson de Souza, o “Nilsiho”, símbolo da torcida e uma lenda vida na história do Alvorada. É ele quem contou a saga do campeão de 2009.

“O time Unidos do Alvorada começou em 88 com a fusão de três times: Força Jovem, Homens Livres e Boa Vista. Em 81 o nome era só Alvorada. De 88 para 2012 ficou Unidos do Alvorada, devido a união que todas esses times tiveram para ganhar títulos, e não paramos mais de participar do Peladão. Nesse ano eu estava fazendo o aniversário de quatro anos do meu filho, no Lanche do Jacaré, que antes se chamava Crocodilo. E eu estava tomando cerveja com alguns amigos lá e tivemos a idéia de montar um time para representar nosso bairro no Peladão”, conta o saudoso torcedor apaixonado pelo bairro.

A paixão e a alegria de torcer pelo time eram tão grandes, que toda vez que o time chegava de uma vitória para comemorar no bar do Jacaré, todos os moradores cortejavam e reconheciam o esforço dos seus atletas, formando carreata e soltando fogos de artifício. Em 2009 a paixão viveu o auge.

“Depois de muitas lutas para ter essa grande conquista, o nosso presidente, o Bartolomeu, investiu pesado para formar um elenco forte. Chegamos ao Peladão de 2009 com o apoio da nossa torcida, e nesse dia o bairro ficou praticamente vazio. Quando retornamos com o troféu do titulo, depois de um jogo muito difícil com o time da Panair, onde vencemos nos pênaltis, a nossa comunidade nos recebeu com festa. Os jogadores não conseguiram chegar aqui no bar de ônibus, então eles desceram em uma rua antes e foram andando. Aí as pessoas tomavam dos jogadores as camisas, os calções e o meiões, tudo para guardar de recordação” conta Joacy Castelo, 51, o “Jacaré”, dono do bar que era o point da equipe.

Segundo Jacaré, o maior sonho do bairro é conquistar o título do Peladão em 2014, no novo estádio Arena da Amazônia. Ele já sonha com a festa dos moradores do bairro nas arquibancadas. “Seria fantástico e inesquecível. Vamos lutar para realizar esse sonho” conta.

Um dos jogadores decisivos na final de 2009, Sérgio Marley dos Santos, 33, ainda sente a emoção de representar o bairro em um estádio lotado. Segundo ele as lembranças daquela temporada ficaram guardadas na sua memória.

“Eu sempre jogava em times de fora e nunca representei o time daqui da comunidade. Foi quando eu recebi o convite do presidente do time, o Bartolomeu, que não pode estar aqui por está viajando. Eu aceitei e vim fazer parte dessa família, e a sensação de ganhar pela Alvorada foi muito grande, dando alegria para os moradores”, disse, ao lado do troféu.

Foi no Lanche do Jacaré que os boleiros do Alvorada comemoraram suas 12 vitórias naquela temporada histórica

Nilson de Souza - Torcedor apaixonado
“No ano em que fomos campeões, em 2009, saiamos na ruas distribuindo balões das cores do nosso time para os moradores irem para o estádio torcer. Foram quase 25 mil balões que distribuímos. A minha mãe, com 96 anos de idade, teimou em ir para o Vivaldão ver o time jogar e só ficou satisfeita quando viu a equipe campeã”.