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Peladão 40 anos: Time Cosmos de Flores perdeu seu fundador esta semana

José Roberto Pacheco Melita, um dos dirigentes mais antigos do Peladão, não resistiu à sua ultima batalha e perdeu a luta contra o câncer 14/12/2012 às 16:26
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Silvana Martins e José Roberto Pacheco numa imagem familiar que ficará guardada para sempre pelos filhos
Antonio Melo Manaus

As histórias do maior campeonato de futebol amador do mundo não são compostas apenas por personagens que conquistam títulos e troféus no lugar mais alto do pódio, mas de pessoas que com os embates da vida usam o futebol como ferramenta de aprendizado e crescimento. Assim começa a história da equipe do Cosmos de Flores, time simples, mas com uma história grande no Peladão. Vitórias e derrotas; conquistas e perdas; assim o time do bairro de Flores, Zona Centro Sul, escreve sua biografia.

O dia 9 de dezembro de 2012 ficou marcado na vida de cada jogador que compõe o elenco do Cosmos, que completa 37 anos de Peladão nesta temporada.

O time sofreu a perda do seu maior fundador: José Roberto Pacheco Melita. Acostumado a vencer grandes desafios ao longo de sua trajetória nesta vida, e principalmente no futebol amador, um dos dirigentes mais antigos do Peladão não resistiu à sua ultima batalha e perdeu a luta contra o câncer.

Pessoas como José Roberto Pacheco Melita, ajudam a competição a ser o maior campeonato de futebol amador do mundo. O simples prazer de participar e jogar futebol entranhado na veia do ex-dirigente, contagiou a todos os apaixonados pelo futebol amador e também aos seus dois filhos, José Roberto Melita Junior e Wenderson Roberto Melita, que desde criança acompanham o pai na beira dos campos e aprenderam que a vida não é feita apenas de vitórias, e que para alcançar esse alvo é necessário muito trabalho.

Agora os dois terão a missão de continuar o legado do pai, e afirmam que enquanto estiverem vivos, o Cosmos de Flores nunca deixará de participar do Peladão. A equipe nunca conquistou um título, e com o intuito de homenagear o pai e inspirado na história do ex-mandatário, seu alvo principal agora é levantar o troféu na parte mais alta do pódio.

“Quando o meu pai montou o time eu ainda não era nem nascido. Mas, logo após a fundação da equipe ele me contou a história. Ele passou a adolescência e a juventude jogando no time de Flores como goleiro. Já adulto montou o Cosme de Flores e chamou jovens daqui da comunidade para jogar com ele. Ele fundou o time em 75, e em 2012 deu a mim e ao meu irmão a tarefa de administrar. A ultima vez que falei com ele foi domingo à tarde. Ele ficou em casa porque não estava se sentido bem e nós estávamos prontos para ir para o jogo. E a ultima frase que eu ouvi dele antes de sua partida foi: ‘Vão lá, tragam a vitória e deem continuidade ao meu trabalho’. Jogamos e vencemos. No fim do jogo fomos comemorar e recebemos a noticia de que ele já não estava mais entre nós. E antes de partir, ele me fez prometer que iríamos chegar longe”, contou José Roberto Martins, o filho mais novo.

De acordo com Wenderson Roberto Martins Melita, seu pai teve a idéia de batizar o time de Cosmos de Flores no dia 9 de março de 1980, quando Pelé, o rei do futebol, pisou no estádio Vivaldo Lima em um amistoso de gala contra o Fast Club.

“Um dia eu perguntei do meu pai como ele montou o Cosme, e com alegria ele sentou e contou para nós. O dia ficou marcado na minha memória, pois ele falava com muito entusiasmo. Naquele ano o Pelé já tinha parado de jogar futebol. E naquele jogou ele vestiu a camisa do Cosmos de Nova Iorque. O meu pai estava louco para ver o Pelé de perto, mas ele não conseguiu o ingresso para ver. Como na época ele era vendedor ambulante, conseguiu a proeza de entrar no estádio. E ficou encantado de ver o rei do futebol. Como ele já jogava futebol, em homenagem ao Pelé, ele teve a idéia de criar o Cosmos de Flores. Eu me fascinava em ouvir essa história” contou Wenderson, emocionado. Há 37 anos participando do Peladão, o Cosme nunca conquistou um título. Quem sabe não é agora. No ultimo jogo, venceu o Unidos de Petrópolis por 5 a 0.

Mudança de nome
No dia 9 de março de 1980, aconteceu o amistoso que entrou para história do Vivaldão. Cosmos de Nova Iorque e Fast Clube duelaram em um jogo que teve a presença de Pelé em Manaus. A partida levou mais de 56 mil torcedores ao estádio, um recorde público mantido até hoje. Na ocasião o jogo contava com várias estrelas de peso como Carlos Alberto (tricampeão de 70), Beckenbauer, Romerito, Chinaglia, Oscar, todos vestindo a camisa do Cosmos. Do outro lado, o tricampeão Clodoaldo, pelo Fast. O jogo terminou em 0 a 0. No meio de tantas estrelas o jovem vendedor Ambulante José Roberto Pacheco Melito, teve a brilhante idéia de acrescentar o nome “Cosmos” ao Flores, que se tornaria posteriormente figura conhecida no Peladão Verde.