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Pilotos falam sobre as manobras no Globo da Morte

O CRAQUE conversou com três caras que trabalham no Circo Kroner, sobre como dominam a arte de fazer peripécias dentro de uma esfera de aço e desvenda a vida desses corajosos 12/05/2012 às 11:37
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Pilotos contam como conseguem realizar manobras alucinantes dentro de uma grande esfera
Nathália Silveira Manaus

Quem nunca foi ao circo e ficou encantado com o sessão do globo da morte?! Com aquela sensação de aventura e medo que toma conta de toda uma plateia vidrada pela sincronia do show e barulho quase que ensurdecedor das motos. Mas, já passou por sua cabeça quem são esses corajosos que arriscam suas vidas por um espetáculo, de que forma eles chegaram ali e como ser tornaram globistas? O CRAQUE conversou com três caras que trabalham no Circo Kroner, sobre como dominam a arte de fazer peripécias dentro de uma esfera de aço e desvenda a vida desses corajosos.

 Rudy Kroner, tem 25 anos e desde 13 anos de idade é globista. Com 12 anos de carreira, o jovem explica que é fruto da sexta geração de sua família, que é circense.

“Eu me apaixonei pelo globo da morte de tanto ver as apresentações do meu pai. Quando olhava ficava sentindo vontade de fazer o mesmo”, diz Kroner. Para ser um globista, o uruguaio explica  que é preciso, antes de tudo, treinar com uma bicicleta  dentro do globo, e só quando se adquiri experiência e confiança para realizar as manobras horizontal, looping (uma curva completa no plano vertical) e serpentina, é que a moto passa a ser utilizada.

“O tempo para aprender varia muito de cada pessoa, se ela tem medo, por exemplo, demora mais. O uso da bicicleta é para adquirir uma noção da tontura que você vai ter dentro do globo, pois a vista fica cansada e escurece. O próximo passo é  pegar  a moto para ver se já consegue ficar equilibrado. E aí, quando você consegue sair e  parar dentro do globo, está apto”, contou Rudy, que demorou dois meses para aprender andar na magrela.

Segundo o globista, o medo é algo que deve ser deixado de lado quando se pratica a modalidade, incluindo aqueles momentos em que você sofre ou comete um acidente, que podem ser ocasionados por uma corrente solta, ou furar um pneu. “Eu já passei por cima da mão de um cara  e ele levou 20 pontos, mas sabia que tinha que ficar calmo. É algo que acontece”, disse.

No globo da morte do Circo Kroner, a esfera de quatro metros é ocupada por cinco globistas, onde a velocidade das motos em seu ponto mínimo é de 30 quilômetros e chega no máximo a 60 quilômetros, com uma máquina de 125 cilindradas (115 quilos) - a mais indicada, já que o interessante é que quanto menos a moto pesar,  melhor será para realizar as manobras. Sendo assim, o paulista Nilton Gatica afirma que para realizar uma volta segura, vai depender da qualidade do profissional em se adaptar ao tamanho do globo, o cuidado em que se tem para seguir uma determinada sincronia e a técnica de freio utilizada, que pode ser somente com os freios frontais, traseiros ou ambos. Idade e  massa corpórea não importam.

“A gente, por exemplo, não faz nenhum tipo de exercício físico específico para ser globista. Nós até comemos cachorro quente dez minutos antes da apresentação”, disse Gatica, brincando que é melhor como palhaço e trapezista, do que que como <br/>globista.

Sonho de conhecer o mundo
 José Balz é globista há quatro anos. Mas antes de se aventurar pelo mundo circense, morava no Paraguai e queria ser arquiteto. “Quando disse aos meus pais que seria globista, eles não aceitaram muito bem, mas como o tempo se acostumaram”, disse Balz, explicando que a primeira vez que viu o globo da morte, tinha certeza do que faria da vida. “Além do que, enxerguei no circo uma possibilidade de realizar meu maior sonho, que era conhecer várias partes do mundo”, disse Blaz, que já foi ao Chile, Argentina, Uruguai e em outros estados do Brasil.

O paraguaio conta que seu professor Rudy Kroner, que como mestre é muito exigente. “O Balz ainda tem que dominar muitas técnicas. Ainda comete erros e por isso fica na inferior do globo. Mas é um bom aluno e com o tempo a pessoa adquiri prática”, disse Kroner.

risco?

Ainda de acordo com Rudy, os três só andam de moto dentro do globo da morte, pois na rua correm risco. “Eu acho muito mais perigoso andar de moto nessas ruas. Tem muita gente que dirige mal. Lá fora ando de carro. E nem participo de campeonato de motovelocidade ou motocross”.

Nilton Gatica - Globista

1 Como é a preparação de um globista?
Nós não temos uma preparação específica. Nós até nos alimentamos minutos antes do show. Nós também não costumamos treinar, pois depois de cinco anos juntos, não precisamos mais realizar treinos contínuos. 

2  Porque escolheu esssa carreira?
Sou da quarta geração de uma família de circenses. Sempre fui muito envolvido com o circo e além ser globista, sou palhaço e trapezista. Ainda cometo alguns erros nos globo, por isso me considero um palhaço melhor.

3  Você tem dois filhos e esposa. Não teme de que aconteça algo?
Na verdade, não tenho. Acontece um tipo de receio quando trocamos de moto, globo, ou quando entra um novo globista. Mas, a minha mulher, por exemplo, nem para para assistir.