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Esportes
Série Olímpica

Por Dentro da Regra: Conheça o Triatlo, esporte que une natação, ciclismo e corrida

Modalidade olímpica que reúne natação, ciclismo e corrida estreou no Jogos de Sydney, em 2000 11/05/2016 às 12:05 - Atualizado em 11/05/2016 às 12:25
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Jéssica Santos aponta triatletas favoritos nos Jogos do Rio 2016. Foto: Antonio Lima
Camila Leonel Manaus

Um atleta treina horas, dias, semanas para ser bom na modalidade em que compete. Agora imagina se preparar para três esportes ao mesmo tempo. Pois é assim que funciona o triatlo, que reúne natação, ciclismo e corrida e testa os limites e a rapidez dos competidores. E é desta modalidade, que estreou nos Jogos de Sydney, em 2000, que vamos falar hoje, no nosso quarto capítulo da série Por Dentro da Regra.

O triatlo foi inventado em 1970 pelo clube esportivo San Diego Track Club, nos Estados Unidos, como alternativa para competidores de atletismo manterem a forma física. A prova, inicialmente consistia em 10 km de corrida, 8 km de ciclismo e 500 m de natação. Os primeiros Mundiais aconteceram a partir de 1989 após a fundação da União Triathlon Internacional (ITU), em Avignon, França. Ao longo dos anos, o esporte foi se popularizando e a inclusão do triatlo nos Jogos de Sydney o ajudou a crescer pelo mundo.

Hoje, o percurso da prova inclui 1,5 km de natação, 40 km de pedaladas e 10 de corrida no masculino e no feminino. As maiores potências do esporte são os britânicos, americanos e canadenses.

Porém, ser bom nas três modalidades não é suficiente, o atleta tem que ser rápido na transição - mudança de uma modalidade para outra - porque segundos perdidos nesta parte pode custar a vitória.

Na natação é obrigatório usar touca e óculos, no ciclismo, capacete e sapatilha e na corrida, o tênis. A triatleta amazonense, Jéssica Santos diz que há alguns truques para que preciosos segundos não sejam perdidos e diz que os atletas separam um tempo para focar nas transições.

“A sapatilha a gente deixa presa na bike coloca enquanto pedala e tira enquanto pedala. O tênis de corrida tem um elástico para a gente ganhar tempo. Coloca rapidamente porque não precisa amarrar porque tem que ser muito rápido. Se você prestar atenção na transição, às vezes você nem vê o atleta porque é muito rápido”, disse.

Jéssica diz que pega forte na natação e que treina ciclismo e corrida um após o outro para sentir a prova. “É para eu já correr cansada da pedalada assim como é na prova”, explicou.

Além da transição, o triatletaprecisa ser resistente para chegar na corrida, última modalidade, inteiro para correr no pelotão da frente.

“Tem que ser bom nos três porque você tem que sair para pedalar junto com os mais fortes e sair pra correr junto, mas a corrida é o que define ali na mesma passada quem se destacar vai ganhar a prova”, explicou Jéssica.

Brasileiros nos Jogos
O Brasil contará com três representantes nos Jogos do Rio de Janeiro: Diogo Sclebin e Reinaldo Colucci, no masculino, e Pâmella Oliveira, no feminino. Mas Jéssica ressalta que o Brasil tem chances remotas de pódio.

No masculino, ela fala que os irmãos Alistair e Jonathan Brownlee, da Grã-Bretanha, são as potências. Eles foram, respectivamente, ouro e bronze nos Jogos de Londres, em 2012. Outro que ela aponta como favorito é o espanhol Javier Gomes, prata em 2012. No feminino, a atleta a ser batida é a norte-americana Gwen Jorgensen, bicampeã mundial de triatlo em 2014 e 2015. “Pódio acho muito difícil para os brasileiros, mas eles podem ter uma chance no Top 10. No Top 20, acho que com certeza eles chegam”, disse Jéssica - um dos principais nomes do triatlo amazonense.


Braçadas e mais braçadas
Os competidores largam todos ao mesmo tempo e o percurso é delimitado por bóias que ficam no mar. O competidor pode praticar qualquer estilo para se mover na água. A natação é a primeira modalidade do triatlo e a única modalidade em que todos largam juntos. A partir do ciclismo, a largada acontece por ordem de chegada na área de transição.


Bike
A bicicleta utilizada nas provas de triatlo são semelhantes às utilizadas no ciclismo, na modalidade contra relógio. A diferença são pequenos ajustes. As bicicletas de triatlo comparadas a uma bicicleta de ciclismo tem menor “stack” (estaca ou altura) e maior “reach” (alcance). No ciclismo, além da bike, é obrigatório capacete e a sapatilha. O capacete deve ser afivelado, caso contrário, rende punição. Já a sapatilha é obrigatória. O competidor não pode tocar os pés descalços durante a prova.


Não me toque
Na área de transição, que é a área onde se trocam os equipamentos para a próxima modalidade, os atletas não podem invadir o espaço do outro. A área é delimitada antes de começar a competição. Se algum triatleta derrubar equipamentos de outro competidor, obstruir a passagem ou algo que atrapalhe, ele pode ser punido com ganho de 30 segundos no fim da prova. Ele ficará retido antes de começar o ciclismo. O interessante é que esse mesmo atleta, que pegou a punição, pode receber cartão amarelo, ou vermelho.


Pernas para que te quero!
Os tênis utilizados durante o triatlo são diferentes. Em vez de cadarço, eles são ajustados com elásticos. O motivo? Ganhar tempo. A corrida é tão importante que uma das façanhas do esporte aconteceu justamente na corrida dos Jogos de Atenas, em 2004. A austríaca Kate Allen terminou a natação em 44° lugar e o ciclismo em 28°, mas assumiu a liderança a 200m da linha de chegada da corrida e conquistou o ouro.