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Por que tantos jogadores de futebol andam perdendo a vida nos campos?

A morte prematura do volante italiano Piermario Morosini, aos 26 anos, causou comoção no mundo da bola, engrossa a estatística de baixas por paradas cardíacas em campo e reacende as discussões médicas sobre causas e cuidados a serem tomados 22/04/2012 às 19:12
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Volante do Livorno, Piermario Morosini, de 26 anos, morreu no último final de semana na Série B italiana
Paulo Ricardo Oliveira Manaus

A morte prematura do volante italiano Piermario Morosini, aos 26 anos, causou comoção no mundo da bola, engrossa a estatística de baixas por paradas cardíacas em campo e reacende as discussões médicas sobre causas e cuidados a serem tomados tanto por parte dos atletas quanto dos peladeiros de fim de semana para prevenir o mal súbito. Estudo levado a cabo pelo portal Trivela, especializado em futebol internacional, atesta que 83 jogadores morreram, de 1980 até hoje, em jogos ou treinos pelos quatro cantos do mundo em decorrência de ataques do coração, média de 2,5 aproximadamente por ano.

Quando menos se esperava, Morosini tombou em campo durante uma partida da Série B do “Calcio” contra o Pescara. Houve desespero, reboliço, tentativa de reanimação, mas já era tarde. A autopsia deve revelar as causas da morte, mas desconfia-se que italiano  tinha problemas cardiovasculares congênitos. Embora cause comoção por se tratar do caso de um atleta jovem, o evento já não assusta tanto. Há algumas semanas, o meia Fabrice Muamba, do Bolton, desmaiou em campo durante a partida de seu clube contra o Tottenham, pela Copa da Inglaterra, e quase teve o mesmo destino. O atendimento rápido com choques de desfibrilador permitiu sobrevida ao congolês, mesmo após seu coração parar por 78 minutos. O futuro do jogador é incerto no esporte.

Um dos médicos locais mais respeitados em cardiologia, Álvaro Felipe Amandio, que já defendeu tese de tema “Aspectos ecocardiográficos do coração do jogador de futebol” durante congresso em Salvador, afirma que a identificação da causa da morte súbita é um evento posterior a ela, ou seja, somente a autópsia revela com precisão o que a ocasionou, mas, em geral, o mal súbito decorre de arritmias mais graves, como o bloqueio atrioventricular e, principalmente, fibrilação ventricular. “Pode ocorrer tanto em atletas de elite, com o coração estruturalmente normal, que fazem a avaliação e não sentem nada, como em indivíduos que já têm alguma anomalia no coração”.   

Álvaro Amandio diz que não tem como evitar uma repentina parada cardíaca,  a não ser que se tenha o diagnóstico precoce de algum desajuste coronário. “Mas tem como tratar, por meio invasivo, e conseguir extrair aquele circuito que está ocasionando a arritmia no coração. Mas quem já tem maior probabilidade, a gente coloca o marca-passo que já funciona como um desfibrilador”. O especialista garante que essas são as  atitudes preventivas da medicina cardiológica para cuidar do problema, porém para os indivíduos que já têm  doença cardíaca é impossível evitar.

No caso de ocorrência com jogadores em campo, Amandio explica que hoje há uma tendência de se usar um Desfibrilador Externo Automático (DEA) nas ambulâncias de plantão nos estádios. Mas, para o socorro ter efetividade, é necessário treinar paramédicos para dar o suporte básico imediatamente após o evento. “Após a detecção da parada cardíaca, deve-se iniciar logo a reanimação cardiopulmonar: você coloca o aparelho sobre o peito do paciente que faz o cálculo e solta carga necessária para reanimá-lo”.