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Portadores de deficiência física do AM participam do Centro-Norte de Goalball

Uma delegação amazonense formada por nove integrantes da União dos Deficientes Visuais de Manaus (Udevima), vai mostrar todo seu potencial e superação no Campeonato Regional 06/06/2012 às 08:54
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Parte da equipe amazonense de Goalball que disputa o Centro-Norte
Nathália Silveira Manaus

Tente vendar seus olhos, arremessar uma bola e marcar gol. Será que você conseguiria?! Ou melhor, caso fosse Portador de Deficiência Física (PCD) teria coragem e força suficientes para enfrentar os obstáculos que permeiam a vida de um paratleta? Uma delegação amazonense formada por nove integrantes da União dos Deficientes Visuais de Manaus (Udevima), vai mostrar todo seu potencial e superação no Campeonato Regional Centro-Norte de  Goalball, que começa sexta-feira e segue até domingo, em Rondonópolis (MT).  De acordo com  o técnico da Udevima, Rubem Mello, seguir aos campeonatos é tão difícil quanto conquistar o lugar mais alto do pódio.

“É difícil esse período de jogo. Não só pela competição, mas pelo cuidado que devemos ter com os PCDs. É necessário uma atenção especial. Por isso, é que nessa viagem vou levar uma staff, a Etelma Prestes, para acompanhar e ajudar as meninas, principalmente quando precisam ir ao banheiro”, diz Rubem, que se interessou pela modalidade em 2004, quando sua esposa Lucrécia Reis perdeu a visão, devido ao diabetes.

“Ela me apresentou e a partir daí passei a estudar o Goalball. Até porque, é uma forte da gente estar sempre junto”, observou o marido apaixonado, que vai acompanhar sua esposa, além de Rosilene Aranha, Danielma Araújo e Maria do Socorro Cabral, na disputa fora da terrinha baré. Além delas, vão à competição como reservas Suzane Barreto e Maria Auxiliadora Rodrigues. O grupo é completado pelo delegado e professor Eldo Gomes.

Chacoalhar da bola é referência
Para quem não conhece o  Goalball, o esporte foi  criado exclusivamente para pessoas deficientes visuais e o jogo consiste em lançar a bola pelo chão, com a mão, na direção do gol adversário, enquanto o oponente tenta bloqueá-la com seu corpo. A quadra tem a mesma dimensão de uma quadra de voleibol (18m de comprimento x 9m de largura) e o gol abrange toda linha de fundo. Cada metade da quadra é dividida em três áreas de dimensões idênticas: área neutra, área de ataque (ou de lançamento) e área de defesa, e cada equipe fica do seu lado do campo, com três jogadores cada e, no máximo, três suplentes no banco.

Os jogadores são orientados através de um guizo instalado dentro da bola, que faz barulho e direciona  o rumo da redonda. A circunferência da bola oficial de Goalball assemelha-se muito à bola de basquetebol, mas o peso é maior. Pesa 1,250 kg e não possui enchimento (câmara de ar). Por isso, para os homens praticarem é necessário ter uma proteção para os testículos.

“É por isso que não estamos indo para competir no naipe masculino, pois faltou essa proteção. A bola é muita pesada e pode machucar”, comentou o técnico, ao afirmar que a melhor posição para jogar, é mesmo deitado.

No Goalball, diferente dos outros esportes, a torcida tem que se controlar e ficar calada, o pensamento positivo sempre vai ser a melhor opção. Afinal, para ouvir o chacolhar da bola, o silêncio do público durante as disputas é imprescindível.

“Estamos sem participar de competições nacionais desde 2007. Espero que seja o começo de uma nova fase para o novo esporte, que serve para incluir socialmente os deficientes visuais”, ressalta Mello,  comemorando as passagens cedidas pela Secretaria de Estado da Juventude, Desporto e Lazer (Sejel).