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Preparação física defasada prejudica atletas do AM

Com base nos pré-requisitos apontados pelo professor e doutor em educação física Ozanildo Vilaça, o erro começa bem antes de entrar em campo 26/01/2013 às 10:05
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BRUNO TADEU ---

Iniciar uma temporada com uma equipe bem preparada fisicamente é o mínimo que se pode esperar de um clube profissional de futebol. No Amazonas, isso é um privilégio. Sem recursos para realizar uma pré-temporada adequada, times não conseguem condicionar o elenco de maneira uniforme, carecem de quadro médico necessário e ainda sofrem com as artimanhas de atletas que omitem lesões ou não cuidam da própria saúde. Para profissionais de educação física do Estado, tais falhas justificam o déficit técnico do futebol amazonense.

Com base nos pré-requisitos apontados pelo professor e doutor em educação física Ozanildo Vilaça, o erro começa bem antes de entrar em campo. Segundo ele, o tempo de preparação necessário para o início de uma temporada é de três meses, treinando em dois períodos. “Isso (a desobediência desse prazo) acarreta em lesões como contusões, luxações, fraturas, tendinite, distensões, rupturas de ligamentos entre outras”, informou o especialista.

Extrapolando

Como esse período de pré-temporada extrapola o recesso até dos principais clubes do Brasil, os preparadores físicos recorrem ao improviso e às técnicas em curto prazo. É o que explica Ronaldo Sperry, do São Raimundo. “Se respeita uma pré-temporada, que é uma fase de 21 dias. O músculo, para se regenerar, leva esse tempo. Depois, tem que trabalhar gradativamente a musculatura, para não haver lesões”, disse.

Sperry reconhece que já vivenciou vários casos em que a pressa do clube se sobrepôs aos cuidados físicos dos jogadores. “Várias situações como essa aconteceram com o Delmo e com o Alberto, no São Raimundo, quando precisávamos deles e passamos por isso. O que fazíamos era um trabalho no qual eu levava eles para academia e daí os colocava no gelo e na fisioterapia. O Delmo tinha muitas lesões musculares”, diz.

Um dos raros ídolos do Amazonas e vítima desses descasos, Delmo teve duas lesões que prejudicaram diretamente a sua carreira. “Na primeira lesão que eu tive, passei 15 dias machucado e o professor pedia para eu jogar de novo, e foi agravando porque era no mesmo lugar. A lesão chegou a ficar com 16 centímetros”, lembrou o ex-atacante, que conviveu com o primeiro trauma em 2004, aos 31 anos.