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‘Quero que Jungle volte a Manaus’, diz ex-lutador e empresário em entrevista

Empresário planeja retorno do torneio ao Amazonas, em 2013 27/10/2012 às 11:37
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Wallid é campeão brasileiro e mundial top de MMA
Paulo Ricardo Oliveira ---

Aos 44 anos, o ex-lutador e empresário Wallid Farid Ismail, se mantém ativo no cenário das lutas marciais levando a cabo o projeto de expansão da marca Jungle Fight Championship, da qual ele é o dono dos direitos de exploração e considera o maior evento de MMA da América Latina.

Neste sábado (27), à noite, na sede da AABB, no bairro da Lagoa, Rio de Janeiro, o Jungle segue com a sua edição de número 44, com o amazonense Alexandre Capitão protagonizando a luta principal. Revelar lutadores locais e servir de vitrine para eventos maiores, a exemplo Ultimate Fighting Championship (UFC), aliás, é a essência do Jungle Fight, conforme Wallid, que realizou a edição inaugural no Jungle no dia 13 de setembro de 2003, no hotel de selva Ariau Tower. “Naquele evento tivemos o Lyoto Machida, hoje um astro do UFC, Tivemos o próprio Stephan Bonnar, que acaba de fazer o main event do UFC Rio 3 contra o Anderson (Silva), Fabrício Werdum, Gabriel Napão, enfim, esses caras viriam a brilhar no UFC”, detalha.

 No dia 13 de setembro de 2013, o Jungle Fight fará dez anos e Wallid quer realizar uma edição comemorativa em Manaus. “Quero muito realizar um evento em Manaus no próximo ano. Uma edição comemorativa seria sensacional na cidade onde eu nasci e onde o Jungle foi projetado para o mundo. Já estou trabalhando para isso”.

 Após a pesagem de ontem, para a edição 44 do Jungle, Wallid, que é um autêntico faixa-preta de jiu-jitsu formado pelo lendário mestre Carlson Gracie (1933/2006), deu a seguinte entrevista exclusiva ao CRAQUE.    

O Jungle chega a 44 edições, tem várias lutas programadas para o próximo ano, e uma longevidade considerável...

O Jungle Fight é, sem dúvida, o maior evento de MMA da América Latina. É uma enorme vitrine  para eventos do porte do UFC, uma vez que é o único evento do gênero transmitido ao vivo pelo canal norte-americano ESPN. Eu me orgulho muito de ter trabalhado para levar a marca a esse patamar, pois o Jungle é uma marca eminentemente amazônica. Foi em Manaus que tudo começou e eu me orgulho de ser amazonense e faço questão de elevar minha cidade onde quer que eu esteja.

Você falou em realizar a edição festiva de dez anos em Manaus. O que está faltando para bater o martelo?

Já estou trabalhando arduamente para isso. Eu quero muito a edição dos dez anos em Manaus. Foi aí nessa cidade que Jungle surgiu para o mundo, mostrando as belezas naturais, florestas do Amazonas, além da força dos lutadores locais no cenário das lutas. Vai ser sensacional voltar a Manaus. Será um prazer especial para esse caboclo aqui. Vamos conversar com o governo, buscar patrocinadores, enfim, articular tudo isso. 

Depois de seis edições em Manaus, o evento saiu daqui. O que houve realmente? Houve alguma briga?

Nada de tão grave. Eu sempre tive apoio do governo, da prefeitura. O que houve foi que um patrocinador (ele não citou o nome) falhou comigo em duas edições, depois que assumiu a palavra. Aí o evento ficou inviável financeiramente, porque você traz os lutadores do exterior, tem dar passagens, hospedagem, alimentação, tem também a bolsa dos atletas. É todo um compromisso financeiro. Um evento bem organizado como o Jungle é caro. Até porque eu primo pela qualidade dos lutadores e da organização. Mas, no geral, o evento trouxe projeção internacional para Manaus.

Alguns lutadores amazonenses, como você, estão despontando no cenário internacional. Até que ponto o Jungle ajudou nisso?

Em tudo. O José Aldo, que passou pelo Jungle, é hoje um campeão absoluto no UFC. O Adriano Martins foi campeão do Jungle é hoje está no Strikeforce, que é da Zuffa, a mesma do UFC. Logo estará no Ultimate. O Ronaldo Jacaré é um cara de referência do Strikeforce. São verdadeiros guerreiros, cada qual com sua história de superação, de batalha pessoal. Eu até fico emocionado ao falar disso porque eu me vejo nesses caras. Eu me orgulho muito de tudo que fiz porque saí de Manaus com passagens aéreas doadas até Fortaleza e depois viajei dois dias e duas noites de ônibus ao Rio, com alguns trocados no bolso. Eu dormia na academia (Carlson Gracie). 

Você acompanha o processo de disputa eleitoral em Manaus. O que acha dos concorrentes ao segundo turno?

Acompanho o tempo todo. Manaus é minha eterna casa. É minha cidade. Quero que ela seja governada por gente comprometida com o esporte. O esporte de luta cresceu muito no mundo e Manaus é uma referência em revelar bons lutadores, principalmente no jiu-jitsu. Devemos muito nesse quesito de lutas a um cara chamado Artur Virgílio (candidato a prefeito). Foi ele quem levou o jiu-jitsu para Manaus. É um faixa vermelha da modalidade e um dos caras  mais respeitados no cenário político nacional. Sempre defendeu o Amazonas. Nada contra os  outros concorrentes. Eles têm qualidades. Mas estamos falando de esporte e esporte de lutas. O  melhor para minha cidade é o Artur. Se votasse em Manaus, eu votaria no Artur. Aqui no Rio o Eduardo Paes (reeleito) gosta de MMA.