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Redução da população de sapo cururu em Manaus pode comprometer equilíbrio ecológico

Pesquisador do Inpa atesta que, nos últimos tempos, a população desta espécie de anfíbios vem diminuindo na capital amazonense 09/01/2012 às 13:16
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Sapo cururu é uma espécie que vive sobretudo em área úmida limpa
Elaíze Farias Manaus

A poluição dos igarapés e dos lençóis freáticos, a redução de habitat natural e o preconceito da população são as principais causas da redução da população do sapo cururu (Rhinella marina) em Manaus registrada nos últimos anos.

O pesquisador Marcelo Morais, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), conta que em áreas como Igarapé do 40, Igarapé de Educandos e do Mindu está cada vez mais raro encontrar indivíduos da espécie.

“No Igarapé 40, durante trabalho de campo recente a gente conseguiu encontrar somente um animal. E quando a gente encontra percebe que ele não está se reproduzindo”, diz Morais.

Segundo o pesquisador, a contaminação dos igarapés provoca dificuldade de reprodução dos animais, atraso no crescimento e anomalias físicas. Junto com a redução do habital, o sapo cururu também é vítima do preconceito da população, que por considerá-lo um animal perigoso e de aparência muitas vezes repugnante, tende a matá-lo.

“Ao contrário do que muita gente pensa, o cururu não cega nem joga urina. Aquele líquido é água que ele armazena na bexiga, é uma forma de defesa. Ele só libera esse líquido se for manipulado por alguém”, explica.

Conforme Morais, o sapo cururu está cada vez mais raro em Manaus e pode desaparecer. Sua população vai se limitar a municípios do interior do Estado onde a pressão contra seu habitat e a urbanização é menos significativa.

“O sapo cururu não consegue sobreviver em mata fechada ou florestas mais densas. Ele tem problema em ficar em mata primária. Por isso que prefere áreas de temperaturas mais altas, como igarapés”, diz o pesquisador.

O sapo cururu tem um importante papel no controle de insetos e no equilíbrio da natureza. Segundo Morais, estimativas aponta que seis indivíduos da espécie pode consumir mais de dois milhões de insetos por ano.