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Riquelme mostra cara no mata-mata e decide em passes sob pressão e como elemento surpresa

Depois de uma performance apenas discreta na fase de grupos, o meia cresceu no mata-mata e fez sua equipe passar de segundo colocada da chave para figurar entre as favoritas da competição 04/07/2012 às 09:49
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Riquelme, cabeça pensante do Boca
Uol São Paulo (SP)

Do alto de seus 34 anos, Juan Román Riquelme ainda é a peça de engrenagem que faz o time do Boca Juniors funcionar do meio para frente. Campeão da Libertadores em três oportunidades com o clube de Buenos Aires, o meia joga o tetra pessoal diante do Corinthians nesta quarta-feira, no Pacaembu, usando um repertório composto de assistências sob pressão, bolas paradas e arrancadas para aparecer como elemento surpresa.

RIQUELME E A FAMA DE BRIGÃO

Riquelme tem um histórico de confusões na carreira, tão numerosas quanto seus títulos com a camisa do Boca Juniors. Diego Maradona, Martín Palermo e o atual técnico do time Julio Falcioni estão entre os desafetos mais famosos.

O meia ainda protagonizou uma discussão quase surreal com um torcedor na Bombonera, após fazer golaço, abandonou entrevista coletiva após bate-boca com repórter e ligou ao vivo para uma "mesa redonda" na TV argentina para confrontar um comentarista.

Riquelme participou de dez dos 19 gols do Boca Juniors na edição 2012 do torneio (52,63%), mas este aproveitamento se transfigura se a análise for fechada apenas nos jogos eliminatórios, quando o meia interferiu em 70% dos gols do time (sete de dez anotações).

Depois de uma performance apenas discreta na fase de grupos, o meia cresceu no mata-mata e fez sua equipe passar de segundo colocada da chave que tinha o Fluminense como destaque para figurar entre as favoritas da competição.

Confira abaixo a análise técnico-tática de Riquelme na observação do desempenho do veterano na Copa Libertadores deste ano:

ARMA NÚMERO 1: CRIANDO NA INTERMEDIÁRIA

É a jogada mortal do ídolo do Boca, aquela que tem a sua assinatura e fez seu nome ser conhecido no mundo do futebol. Nela, Riquelme segura a bola na intermediária de ataque e chama a atenção da marcação até servir um companheiro que apareça livre, que se movimente para receber o passe.

Em uma das variações mais clássicas, Riquelme segura a bola, cortando horizontalmente na frente da linha de marcadores. Se o movimento der certo, pelo menos um de seus companheiros escapa livre por um dos lados para receber a assistência sob pressão.

Em outra alternativa, Riquelme encosta em algum dos homens da ponta e procura a tabelinha para fazer a bola chegar até a área em situação de arremate [jogada de gol contra o Arsenal na 1ª fase e outra contra a Universidad de Chile na semifinal].

ARMA NÚMERO 2: NA BOLA PARADA

O camisa 10 do Boca Juniors também é conhecido pela eficiência na bola parada. Nesta edição da Libertadores, dois gols do time nasceram em situações do gênero.

Na fase de grupos, contra o Fluminense em Buenos Aires, Riquelme acertou a trave de Diego Cavalieri, e Somoza fez no rebote.

Em duelo de oitavas de final no Chile contra o Unión Española, o meia lançou rasteiro na área, da direita para a esquerda, e encontrou Insaurralde a ponto de finalizar sem marcação na segunda trave.

ARMA NÚMERO 3: CHEGA DE TRÁS COMO ELEMENTO SURPRESA

O camisa 10 de La Bombonera anotou três gols na competição, todos ele aparecendo como alternativa de surpresa, pegando a marcação em instante de despreparo.

Na fase de grupos, Riquelme balançou as redes contra o Zamora em um arremate de dentro da área, chegando na corrida, após escorada de um dos atacantes do time.

Nas oitavas de final, fez dois gols nas partidas contra o Union Española. Primeiro, marcou de perna esquerda de dentro da área, após errar a primeira tentativa de conclusão, na clássica aparição como elemento surpresa.

No Chile, anotou depois de arrancar sozinho sem a bola no contra-ataque pela esquerda, recebendo passe de Mouche, cortando dois marcadores na área e batendo cruzado na saída do goleiro.